Açúcar recua nas bolsas após renovar máximas e dólar mais forte pressiona mercado
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Os preços do açúcar operam em baixa nesta quinta-feira (8) nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após atingirem máximas importantes na sessão anterior. O movimento de correção ocorre em meio à valorização do dólar, que aumenta a pressão sobre as commodities e estimula a liquidação de posições compradas.
Por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato de açúcar mundial para março de 2027, em Nova Iorque, era negociado a 20,37 centavos de dólar por libra-peso, queda de 36 pontos. Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro recuava 860 pontos, a US$ 547,00 por tonelada.
Na véspera, o açúcar em Nova Iorque chegou ao maior nível em 19 meses, enquanto Londres alcançou a maior cotação em 22 meses. No fechamento de quarta-feira, os contratos terminaram em direções opostas, com Nova Iorque ainda sustentada pelos fundamentos de oferta.
Dólar limita avanço do açúcar
A valorização do dólar nesta quinta-feira contribui para a pressão sobre os contratos futuros. Com a moeda norte-americana mais forte, commodities precificadas em dólar tendem a perder atratividade para compradores que operam com outras moedas.
O movimento também favorece a realização de lucros após a forte valorização observada nos últimos pregões, principalmente em Nova Iorque, onde os contratos chegaram aos maiores níveis em mais de um ano.
Apesar da correção, o cenário de oferta continua no radar dos participantes do mercado.
Chuvas no Brasil seguem como fator de suporte
No Centro-Sul do Brasil, as chuvas persistentes continuam atrasando a colheita da cana-de-açúcar e provocando interrupções na moagem das usinas. O cenário restringe a disponibilidade de matéria-prima no curto prazo e mantém a preocupação com a oferta brasileira.
As perspectivas para a produção também foram reduzidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) cortou a estimativa para a produção brasileira de açúcar em 2026/27 de 42,5 milhões para 42,2 milhões de toneladas.
A revisão também atingiu a Índia. A projeção para a produção do país na próxima temporada passou de 33,6 milhões para 29,5 milhões de toneladas, em razão das condições climáticas adversas.
Déficit global permanece no radar
As perspectivas de um balanço global mais apertado também ajudam a limitar a queda dos preços.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima um déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit de 1,1 milhão de toneladas previsto para 2025/26.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. projeta queda de 17% na produção em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
A Covrig Analytics também passou a trabalhar com déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow estima déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial projetada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação à temporada anterior. Segundo a consultoria, problemas climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia devem contribuir para a redução da oferta.
El Niño aumenta preocupação com as safras
Outro fator observado pelo mercado é o comportamento do fenômeno El Niño. Um episódio de forte intensidade pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.
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