USDA pode cortar safra de milho dos EUA, mas elevar estoques; soja tem divergência sobre produtividade

USDA divulga novos números nesta sexta-feira (9) e mercados se ajustam antes dos novos números
Publicado em 08/10/2026 14:18

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O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta sexta-feira (9) seu novo relatório mensal de oferta e demanda, em um momento de atenção redobrada sobre o tamanho das safras de soja e milho dos Estados Unidos. O relatório chega depois de um setembro marcado por chuvas intensas em áreas do Meio-Oeste, atrasos na colheita e preocupações com produtividade e qualidade das lavouras. Os dados serão atualizados às 13h (horário de Brasília). 

MILHO

Para o milho, o mercado espera uma revisão para baixo da safra norte-americana. A produção é projetada em 399,64 milhões de toneladas, abaixo das 401,32 milhões de toneladas estimadas pelo USDA em setembro. A produtividade média esperada é de 186 sacas por hectare, contra 186,73 sacas por hectare no relatório anterior. A possível redução da safra, porém, não significa necessariamente um balanço mais apertado. O relatório trimestral de estoques divulgado no final de setembro encontrou uma disponibilidade de milho da safra velha superior àquela considerada anteriormente pelo USDA, alterando a base de oferta para 2026/27. Esse estoque adicional dá ao departamento alguma margem para reduzir a produtividade sem necessariamente diminuir a oferta total disponível.

É justamente essa combinação que aparece nas expectativas para os estoques finais norte-americanos. O mercado trabalha com 43,03 milhões de toneladas de milho ao final da temporada 2026/27, contra 39,80 milhões de toneladas projetadas pelo USDA em setembro. Assim, mesmo que a produção seja efetivamente reduzida, os Estados Unidos poderão terminar o ciclo com estoques maiores.

SOJA

Para a soja norte-americana, a expectativa média aponta poucas mudanças em relação ao relatório de setembro. A produção é projetada em 123,53 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 123,42 milhões de toneladas estimadas no mês passado. A produtividade média esperada é de 59,30 sacas por hectare, contra 59,18 sacas por hectare em setembro.

A aparente estabilidade, porém, esconde uma importante divergência entre os analistas. As projeções privadas apresentam uma amplitude expressiva para a produtividade, reflexo das dúvidas deixadas pelas condições enfrentadas pelas lavouras e pelos atrasos na colheita. As fortes chuvas de setembro impediram o avanço das máquinas em diversas áreas e aumentaram as preocupações com rendimento e qualidade da soja.

Além da produção, a demanda será determinante para a leitura do balanço da soja. Os compromissos de exportação da nova temporada vinham mostrando desempenho forte em relação ao mesmo período do ano anterior, embora o relatório semanal divulgado nesta quinta-feira tenha trazido vendas líquidas de apenas 549,4 mil toneladas, abaixo das expectativas do mercado.

Para os estoques finais de soja dos Estados Unidos, a expectativa é de 8,44 milhões de toneladas, mesmo volume projetado pelo USDA em setembro.

Expectativas USDA


TRIGO

No trigo, as mudanças esperadas são menores. Os estoques finais norte-americanos são projetados em 19,65 milhões de toneladas, contra 19,51 milhões de toneladas indicadas no relatório anterior.

AMÉRICA DO SUL

Para o Brasil, as atenções estarão concentradas principalmente nas projeções para a safra 2026/27 que começa a ganhar corpo no campo. O mercado espera que o USDA reduza ligeiramente sua estimativa para a produção brasileira de soja, de 186 milhões para 185,3 milhões de toneladas. Para o milho, a expectativa é de pequena revisão positiva, de 139 milhões para 139,3 milhões de toneladas.

Na Argentina, a produção de soja 2026/27 é esperada em 50,3 milhões de toneladas, ante 50 milhões projetados em setembro, enquanto a estimativa para o milho permanece em 55 milhões de toneladas.

MUNDO

Para a soja 2026/27, a expectativa é de redução para 123,5 milhões de toneladas, ante 124,02 milhões projetados pelo USDA em setembro.
No milho, a direção esperada é oposta, com os estoques finais globais podendo aumentar de 272,1 milhões para 273,8 milhões de toneladas. Para o trigo, a expectativa é de 276,7 milhões de toneladas, contra 276,29 milhões no mês passado.

Assim, o relatório desta sexta-feira deverá exigir uma leitura além dos números de produção. No milho, uma eventual redução da safra norte-americana poderá ser neutralizada pelo aumento da oferta inicial e dos estoques finais. Na soja, pequenas alterações na produção podem ganhar peso maior dependendo dos ajustes feitos pelo USDA na demanda e nos estoques, especialmente diante das incertezas sobre produtividade e do papel das compras chinesas.

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