Bahia colhe maior safra de algodão da história, impulsionada por produtividade e tecnologia
A Bahia registrou a maior safra de algodão de sua história, com 986,4 mil toneladas colhidas no ciclo 2025/2026. O resultado consolida o estado como o segundo maior produtor de algodão do país (atrás apenas do Mato Grosso) e ganha ainda mais relevância às vésperas do Dia Mundial do Algodão, celebrado em 7 de outubro, data que destaca a importância econômica, social e ambiental da fibra para diferentes países e cadeias produtivas ao redor do mundo.
A produção baiana foi alcançada em uma área de aproximadamente 418 mil hectares, com produtividade estimada em 2.360 quilos por hectare. O desempenho, acima da média nacional, evidencia o ganho de produtividade da cotonicultura na agricultura tropical e a capacidade do produtor brasileiro de ampliar a produção sem depender exclusivamente da expansão da área cultivada.
Esse avanço é resultado de uma combinação de fatores que envolve conhecimento técnico, manejo, condições de produção e evolução das tecnologias disponíveis para o campo. Entre elas estão ferramentas de melhoramento genético, biotecnologia, proteção de cultivos e bioinsumos, que ampliam as alternativas disponíveis ao produtor para lidar com pragas, doenças, plantas daninhas e diferentes condições climáticas. Para a CropLife Brasil, associação que reúne a indústria de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para as lavouras brasileiras.
A trajetória do algodão baiano ajuda a ilustrar como ciência e inovação vêm contribuindo para a evolução da agricultura tropical.
“O avanço do algodão na Bahia é um exemplo da força da agricultura tropical brasileira. Em um ambiente de desafios tão diversos, o manejo integrado que combina conhecimento, ciência e tecnologia permite desenvolver sistemas produtivos cada vez mais eficientes e competitivos. O resultado que vemos hoje é fruto de uma construção que envolve produtores, pesquisadores, assistência técnica e diferentes tecnologias, utilizadas de forma integrada para responder aos desafios de cada lavoura”, afirma Maria Xavier, gerente de Assuntos Econômicos da CropLife Brasil.
Tecnologia que transforma produtividade em resultado
Na prática, a evolução tecnológica amplia a capacidade do produtor de tomar decisões e manejar a lavoura de acordo com as características de cada região e de cada ciclo produtivo. No algodão, esse processo envolve desde a escolha de cultivares mais adaptadas e o acompanhamento das condições do solo até o monitoramento de pragas e doenças e a adoção de diferentes estratégias de manejo. A biotecnologia aplicada às sementes é um dos exemplos dessa evolução.
No algodão, determinadas tecnologias incorporadas às variedades contribuem para o controle de algumas pragas e podem ajudar a reduzir perdas, preservando o potencial produtivo da lavoura e contribuindo para ganhos de eficiência.
Outro movimento importante é a expansão dos bioinsumos, que utilizam microrganismos, extratos vegetais e outras soluções de origem biológica. Segundo o CropData, portal de dados da CropLife Brasil, o País encerrou o primeiro semestre de 2026 com 46 milhões de hectares tratados por biológicos – considerando todas as culturas agrícolas, sendo 2 milhões de hectares na Bahia. Essas tecnologias podem contribuir para o manejo de pragas e doenças, a nutrição das plantas e diferentes aspectos da produção, de acordo com as características e necessidades de cada sistema produtivo.
Mais do que a adoção isolada de uma tecnologia, o avanço da cotonicultura está relacionado à integração de diferentes ferramentas e conhecimentos. A escolha da cultivar, o cuidado com o solo, o monitoramento da lavoura e o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas fazem parte de uma estratégia que busca aumentar a eficiência, preservar o potencial produtivo e tornar a produção mais resiliente diante dos desafios do campo.
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