Café continua recuando em NY nesta 6ª feira, mas clima no BR permanece na atenção dos traders

Maior oferta brasileira e avanço das exportações também seguem no radar
Publicado em 09/10/2026 07:44

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Os preços do café arábica começam esta sexta-feira (9) novamente em campo negativo na Bolsa de Nova York, dando continuidade ao movimento de pressão observado nas últimas sessões. O mercado segue dividido entre sinais de maior disponibilidade brasileira no curto prazo e fatores de suporte que permanecem no radar, principalmente o clima para a próxima safra e os baixos estoques certificados. Por volta das 7h19 (horário de Brasília), o dezembro/26 recuava 0,14%, negociado a 288,65 cents/lbp, enquanto o março/27 perdia 0,16%, a 280,90 cents/lbp. 

O mercado vem devolvendo parte da forte recuperação registrada no início da semana. Na terça-feira (6), o dezembro chegou a subir mais de 4%, impulsionado pela valorização do real e pelas preocupações com o clima brasileiro. Já nas sessões seguintes, o cenário voltou a mudar e a maior disponibilidade de café do Brasil passou novamente a pressionar as cotações. 

Um dos pontos importantes deste movimento são justamente as exportações brasileiras. Dados divulgados nesta semana mostraram que os embarques de café do Brasil em setembro avançaram mais de 20% na comparação anual, reforçando a percepção de maior oferta chegando ao mercado internacional. Outro elemento que permanece pesando sobre as cotações é a perspectiva de uma oferta brasileira mais confortável. A StoneX mantém sua estimativa para a safra brasileira 2026/27 em 77,2 milhões de sacas, sendo 51,8 milhões de arábica e 25,4 milhões de robusta. 

Apesar do viés negativo, o mercado não abandona as preocupações com a próxima produção brasileira. As condições climáticas no cinturão produtor continuam sendo acompanhadas de perto justamente durante uma fase importante de floradas e desenvolvimento das lavouras.
As chuvas recentes em Minas Gerais melhoraram as condições de umidade. Na semana encerrada em 4 de outubro, foram registrados 33,3 milímetros, equivalentes a 104% da média histórica, segundo os últimos mapas climáticos. Ao mesmo tempo, os possíveis impactos do El Niño sobre a regularidade das precipitações continuam sendo considerados um risco para a produção futura, ajudando a manter viva a volatilidade entre os futuros do café negociados nas bolsas. 

Há ainda um importante ponto de sustentação vindo dos estoques certificados da ICE, que continuam bastante reduzidos. Na última quinta, recuaram para 252.256 sacas, embora o volume de café aguardando certificação tenha aumentado para 14.967 sacas. 

Dessa forma, Nova York começa esta sexta-feira novamente pressionada, com o mercado tentando dimensionar até onde a entrada da oferta brasileira e as perspectivas mais confortáveis de produção podem levar os preços, enquanto clima e estoques baixos ainda oferecem resistência a uma queda mais acentuada.

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