Menos novilhas nos leilões dos EUA sinalizam retenção e abrem perspectiva para carne brasileira

Dados apresentados por Rodrigo Costa, da Pasto & Mercado, são compatíveis com uma possível recomposição do rebanho americano, processo que pode restringir a oferta de animais para engorda no curto prazo.
Publicado em 09/10/2026 10:51

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A menor participação de novilhas nos leilões de reposição dos Estados Unidos sugere que os criadores podem estar segurando mais fêmeas para reprodução. Para a pecuária brasileira, o movimento merece atenção: antes de gerar mais bezerros, a retenção retira animais da engorda e pode contribuir para prolongar a necessidade americana de carne importada.

Segundo informações divulgadas por Rodrigo Costa, da consultoria Pasto & Mercado, as novilhas representam 40,3% dos animais ofertados nos leilões acompanhados no início de outubro. A participação está 2,1 pontos percentuais abaixo de outubro de 2025 e 3,6 pontos abaixo da média do mês entre 2018 e 2025.

Na prática, de cada 100 animais comercializados, aproximadamente 40 são novilhas, ante cerca de 42 no mesmo mês do ano passado e 44 na média histórica. Embora a parcial de outubro ainda possa mudar, ela acompanha a menor participação de fêmeas observada ao longo de 2026.

Referência Participação de novilhas
Média de outubro entre 2018 e 2025 43,9%
Outubro de 2025 42,4%
Parcial de outubro de 2026 40,3%

Fonte: Dados de Pasto & Mercado, em gráfico da CIH

Recuperação do rebanho pode apertar a oferta primeiro

A lógica é conhecida pelo pecuarista brasileiro: quando o criador seleciona uma novilha para virar matriz, deixa de vender esse animal para recria e engorda. A oferta destinada à produção de carne diminui primeiro; o ganho de produção aparece depois.

A fêmea precisa ser coberta, passar pela gestação e produzir um bezerro, que ainda cumprirá as etapas de cria, recria e terminação. Por isso, uma eventual recomposição do rebanho não significa recuperação imediata da oferta de carne. O USDA ressalta que esse processo depende do tempo biológico da atividade e pode levar anos. 

Durante essa transição, a indústria americana pode continuar recorrendo às importações para atender ao consumo. Isso traz uma perspectiva favorável aos exportadores brasileiros, mas o aproveitamento da oportunidade depende também de tarifas, cotas, condições sanitárias e concorrência de outros fornecedores.

Para quem vende boi no Brasil, o movimento pode ajudar a sustentar o escoamento externo. O efeito sobre a arroba, porém, dependerá da disponibilidade local de gado, das escalas dos frigoríficos e dos preços obtidos pela carne.

Os números indicam uma possibilidade, não uma confirmação

O indicador mede a participação das novilhas no total dos leilões, não quantas foram efetivamente guardadas para reprodução. Uma oferta maior de machos ou mudanças no calendário e nas regiões de comercialização também podem reduzir esse percentual.

Além disso, reter novilhas pode servir apenas para substituir vacas descartadas, sem aumentar o número de matrizes. Para confirmar a expansão do rebanho, será necessário cruzar os dados dos leilões com o descarte de vacas, a presença de fêmeas nos confinamentos e os inventários de animais destinados à reprodução — acompanhamento recomendado pelo USDA. 

A capacidade de manter essas fêmeas na fazenda será decisiva. Ao guardar uma novilha, o criador abre mão de receita imediata e assume despesas até que ela produza. Pastagem, alimentação e capital disponível determinarão se a intenção de recompor o plantel conseguirá se transformar em crescimento efetivo.

Com análise da consultoria Pasto & Mercado, com gráfico da CIH

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