USDA eleva produção de algodão dos EUA e do Brasil; oferta mundial cresce, mas segue abaixo do consumo
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O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevou suas estimativas para a produção de algodão dos Estados Unidos e do Brasil na temporada 2026/27 em seu relatório mensal de oferta e demanda de outubro reportado nesta sexta-feira (9). A produção mundial também foi revisada para cima, embora permaneça abaixo do consumo projetado para a temporada.
A produção norte-americana foi elevada de 2,87 milhões para 2,93 milhões de toneladas, acompanhando a melhora na produtividade, que passou de aproximadamente 870 para 885 quilos por hectare. As áreas plantada e colhida permaneceram estimadas em cerca de 4,23 milhões e 3,30 milhões de hectares, respectivamente.
Apesar da maior produção, o USDA manteve as exportações norte-americanas em 2,68 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais foram elevados de aproximadamente 780 mil para 830 mil toneladas, aumentando a disponibilidade interna projetada para o encerramento da temporada.

No Brasil, as revisões vieram tanto na produção quanto nas exportações. A safra foi elevada de 4,03 milhões para 4,14 milhões de toneladas, enquanto a projeção para os embarques passou de 3,37 milhões para 3,48 milhões de toneladas. Os estoques finais permaneceram próximos de 700 mil toneladas. Os números reforçam o protagonismo brasileiro no comércio internacional do algodão, com o país mantendo volumes de exportação superiores aos dos Estados Unidos no balanço projetado pelo USDA para 2026/27.
AUSTRÁLIA E CHINA
Outro importante fornecedor mundial, a Austrália não teve alterações no relatório de outubro. A produção permanece estimada em aproximadamente 650 mil toneladas, enquanto as exportações seguem próximas de 980 mil toneladas. Os estoques finais australianos foram mantidos em cerca de 540 mil toneladas.
Na China, principal referência mundial pelo lado da demanda, também não houve mudanças relevantes. A produção permanece projetada em aproximadamente 7,29 milhões de toneladas, as importações em 1,52 milhão de toneladas e os estoques finais em 7,55 milhões de toneladas.
No quadro mundial, a produção foi elevada de 25,54 milhões para 25,68 milhões de toneladas, enquanto o consumo passou de 26,76 milhões para 26,80 milhões de toneladas. Mesmo depois da revisão positiva da oferta, portanto, o consumo mundial permanece cerca de 1,1 milhão de toneladas acima da produção projetada para 2026/27.
Ao mesmo tempo, os estoques finais globais foram elevados de 15,21 milhões para 15,39 milhões de toneladas, mostrando que o déficit entre produção e consumo não se traduz, neste momento, em aperto imediato na disponibilidade mundial, diante do volume de estoques carregados para a temporada.
E DAÍ, PRODUTOR?
Para o produtor brasileiro, o relatório deixa dois sinais importantes. De um lado, mais produção e estoques maiores nos Estados Unidos e no mundo limitam uma leitura altista imediata do balanço. De outro, o consumo global continua superior à produção, enquanto o USDA aumenta simultaneamente a safra e as exportações brasileiras.
Nesse cenário, o Brasil chega à temporada 2026/27 com participação ainda mais relevante no fluxo internacional,com 4,14 milhões de toneladas de produção e 3,48 milhões de toneladas destinadas às exportações, consolidando o país entre os protagonistas da oferta mundial de algodão.
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