EUA reduzem produção de carne bovina e ampliam importações; Brasil avança e disputa mercado com Austrália
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Os Estados Unidos devem produzir menos carne bovina e importar mais em 2026 e 2027, reforçando uma oportunidade para o setor exportador brasileiro. O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado nesta sexta-feira (9), aponta que a necessidade americana de buscar carne no exterior continuará no próximo ano. A disputa por esse mercado, porém, permanece: a Austrália foi apontada como responsável pela elevação da estimativa de importações de 2026.
Conforme os dados compilados por Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, as compras americanas devem atingir 2,88 milhões de toneladas neste ano, 17,8% acima de 2025. A projeção aumentou aproximadamente 39 mil toneladas em relação a setembro.
Para o Brasil, a leitura é favorável porque indica maior necessidade de abastecimento externo. Mas o crescimento das compras totais dos Estados Unidos não garante, sozinho, aumento dos embarques brasileiros. Preços, condições de acesso e capacidade de entrega serão decisivos para transformar essa demanda em negócios.
Menos carne por animal e menos gado para abater
A produção americana foi reduzida para 11,28 milhões de toneladas em 2026, queda de 4,6% sobre o ano anterior. O USDA considera menor abate de machos e novilhas, além de carcaças mais leves no segundo semestre. O aumento do abate de vacas compensa apenas parte dessa perda.
Na prática, os Estados Unidos enfrentam duas limitações ao mesmo tempo: menos animais de algumas categorias chegando aos frigoríficos e menos carne obtida por cabeça.
A restrição de oferta deve continuar em 2027. A produção está estimada em 11,22 milhões de toneladas, mais 0,5% abaixo de 2026. Além das carcaças mais leves, a previsão considera menor entrada de animais nos confinamentos no segundo semestre deste ano.
Menos gado entrando na engorda hoje tende a significar menos boi terminado disponível adiante. Nos Estados Unidos, esse movimento deve limitar as saídas dos confinamentos no primeiro trimestre de 2027.
USDA também eleva previsão de importações para 2027
As compras externas americanas para o próximo ano foram revisadas para cima em cerca de 57 mil toneladas, para 2,80 milhões de toneladas. Embora o volume fique abaixo do previsto para 2026, a revisão mostra que o USDA espera uma necessidade de importação maior do que calculava em setembro.
O departamento também prevê mais oferta global no segundo semestre de 2027. Isso merece atenção dos exportadores brasileiros: os compradores americanos continuarão precisando de carne, mas poderão encontrar maior disponibilidade entre os fornecedores, ampliando a concorrência nas negociações.
Austrália vende mais, mas Brasil avança em ritmo superior
A concorrência entre Brasil e Austrália aparece nos volumes de carne que chegam aos Estados Unidos. Segundo o acompanhamento do USDA, no acumulado de 2026 até a semana encerrada em 3 de outubro, foram liberadas para entrada aproximadamente 400,6 mil toneladas de carne bovina australiana não processada, ante 264,9 mil toneladas brasileiras. O levantamento reúne carne refrigerada e congelada e não inclui os produtos bovinos processados.
A Austrália mantém um volume maior, mas o Brasil cresce mais rapidamente nessa comparação: as entradas brasileiras avançaram 32% sobre o mesmo período de 2025, enquanto as australianas aumentaram 15%.
Assim, o destaque da Austrália na revisão mensal do USDA não significa recuo brasileiro: os dois países ampliaram os volumes destinados ao mercado americano no acumulado do ano.
Para os exportadores brasileiros, a falta de carne nos Estados Unidos abre oportunidades, mas não elimina a concorrência.
O que esse cenário representa para a arroba brasileira
A demanda americana pode ajudar a sustentar os embarques do Brasil e, quando se converte em vendas, contribuir para a procura dos frigoríficos por animais. O efeito sobre a arroba, entretanto, depende também da disponibilidade de boiadas no mercado brasileiro, do câmbio e dos preços recebidos pela indústria.
O próprio relatório traz um sinal de cautela: apesar do corte na produção, o USDA manteve as projeções de preço do gado americano. Portanto, menor oferta não foi traduzida, nesta revisão, em uma expectativa adicional de valorização naquele mercado.
Para o produtor, o indicador mais relevante será acompanhar quanto dessa necessidade americana se transforma em compras de carne brasileira e a que preço. É essa combinação, junto à oferta interna de animais, que poderá dar sustentação às negociações da arroba.
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