Açúcar dispara 3% em NY com clima ameaçando produção e mercado voltando a precificar oferta apertada

Chuvas prejudicam moagem no Centro-Sul do Brasil, enquanto El Niño aumenta preocupações com Índia e Tailândia
Publicado em 12/10/2026 15:42

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Os preços do açúcar voltaram a registrar fortes altas nesta segunda-feira (12) na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de valorização das últimas semanas diante das preocupações crescentes com a oferta mundial. O clima adverso nos principais países produtores voltou ao centro das atenções, com problemas no Brasil e riscos para Índia e Tailândia sustentando as compras nos futuros.

Entre as posições mais negociadas, o março/27 encerrou o pregão a 20,86 cents/lbp, com alta de 3,01%, enquanto o maio/27 avançou 2,83%, para 20,02 cents/lb. 

O movimento dá continuidade à forte recuperação observada recentemente no mercado internacional. O açúcar branco negociado em Londres também avançou, reforçando o movimento positivo observado na bolsa norte-americana. 

No Brasil, maior produtor e exportador mundial, as chuvas persistentes no Centro-Sul vêm dificultando a colheita da cana e interrompendo operações de moagem, reduzindo a disponibilidade imediata de açúcar. Estimativas para a segunda metade de setembro apontam produção de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas, queda de 14,3% na comparação anual, com a moagem estimada em 38,73 milhões de toneladas, 5,5% menor.

Além da menor moagem, a qualidade da matéria-prima também preocupa. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) foi estimado em 145,75 kg por tonelada para a segunda metade de setembro, contra 157,62 kg no mesmo período do ano passado. As usinas ainda teriam destinado 50,28% da cana à fabricação de açúcar, abaixo dos 51,26% registrados um ano antes.

E o problema não está restrito ao Brasil. A Índia tornou-se outro ponto importante de sustentação para os preços.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu recentemente sua projeção para a produção indiana de açúcar em 2026/27 para 29,5 milhões de toneladas, ante estimativa anterior de 33,6 milhões, diante dos impactos das condições climáticas adversas associadas ao El Niño. Para o Brasil, a projeção também foi reduzida, de 42,5 milhões para 42,2 milhões de toneladas.

A possibilidade de um El Niño forte amplia as preocupações para os próximos meses. O fenômeno pode comprometer as condições de produção não apenas no Brasil e na Índia, mas também na Tailândia, outro importante exportador mundial. Na sexta-feira, esse conjunto de riscos já havia provocado forte entrada compradora dos fundos e levado o açúcar em Nova York a níveis elevados para o contrato mais próximo.

O pano de fundo da oferta também mudou. A ISO (Organização Internacional do Açúcar) projeta atualmente déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada anterior. A Tailândia, por sua vez, pode produzir cerca de 10 milhões de toneladas, queda de 17% na comparação anual.

Assim, o mercado que durante boa parte do ano trabalhou com expectativas mais confortáveis de disponibilidade passa a incorporar um quadro diferente: chuvas prejudicando o final da safra brasileira, menor produção na Índia, riscos climáticos na Tailândia e um balanço mundial novamente projetado no déficit. Esse conjunto ajuda a explicar não apenas a alta desta segunda-feira, mas a intensidade da recuperação recente das cotações.

O mercado nacional, por sua vez, não funcionou por conta do feriado desta segunda-feira, em comemoração ao dia de Nossa Senhora Aparecida, limitando as referências no mercado físico, deixando para a retomada dos negócios a incorporação da nova valorização registrada em Nova York.

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