Inmet publica boletim agroclimático para o trimestre de outubro a dezembro e prevê clima dividido no Brasil
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O início da safra de verão 2026/27 no Brasil será marcado por extremos climáticos que exigem planejamento no campo. De acordo com o mais recente Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a permanência do fenômeno El Niño com 100% de probabilidade no último trimestre do ano trará um forte contraste no padrão de chuvas pelo país. Segundo o órgão, enquanto o Sul enfrentará excesso de umidade, o Centro-Norte lidará com calor elevado e escassez de precipitação no início do trimestre.
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Na Região Sul, as projeções do Inmet indicam acumulados de chuva acima da média histórica e armazenamento de água no solo superior a 80%. O instituto alerta que essa umidade constante dificulta a colheita do trigo, da cevada e da canola, além de prejudicar a qualidade dos grãos e elevar a incidência de doenças fúngicas.
Para as culturas de verão na faixa sul do país, o órgão meteorológico avalia que o solo encharcado atrasa a semeadura da soja e aumenta o risco de erosão. No caso do milho e do arroz irrigado, a alta nebulosidade deve limitar a radiação solar e favorecer o aparecimento de pragas, enquanto o excesso de lama traz riscos de degradação do solo no manejo do gado.
Na Região Centro-Oeste, a transição para o período chuvoso ocorrerá de forma gradual e irregular, conforme a análise do Inmet. Em outubro, os estoques de umidade do solo devem permanecer abaixo de 20% em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. O instituto recomenda cautela aos produtores, já que o plantio de sequeiro da soja e do milho em solo seco aumenta o risco de falhas na germinação e necessidade de replantio.
A exceção fica com o sul de Mato Grosso do Sul, onde os dados do Inmet mostram umidade favorável ao plantio. A partir de novembro e dezembro, contudo, o órgão prevê uma recuperação significativa dos estoques hídricos em toda a região, impulsionando o desenvolvimento das lavouras e das pastagens.
Na Região Sudeste, o cenário varia entre o sul e o norte do território. Segundo o boletim do Inmet, São Paulo e o centro-sul de Minas Gerais terão chuvas acima da média, favorecendo a semeadura inicial da soja e do milho. Por outro lado, o excesso de dias chuvosos e a baixa insolação em solo paulista podem prejudicar o manejo do hortifrúti.
Já nas áreas cafeeiras mineiras, o Inmet adverte que as altas temperaturas e a seca em outubro aumentam o risco de abortamento floral no café arábica, com melhora prevista apenas em novembro. No Espírito Santo e no norte de Minas Gerais, o instituto prevê baixos estoques hídricos contínuos, o que deve atrasar o plantio de grãos e exigir irrigação intensa no café conilon.
Na Região Nordeste, os modelos do Inmet sinalizam chuvas abaixo da média e temperaturas até 2 °C acima do normal na porção oeste. Nas áreas de grãos do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a umidade reduzida do solo em outubro e novembro exige o adiamento da semeadura de verão para evitar perdas de estande.
O órgão ressalta que, no oeste baiano, a recuperação do solo só deve ocorrer em dezembro, concentrando o plantio no final do ano. No Semiárido e no Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia), o Inmet destaca que a seca prolongada reduzirá a oferta de pastagens para o gado e condicionará a semeadura do feijão ao retorno das chuvas no fim do trimestre.
Na Região Norte, os dados do Inmet projetam chuvas até 200 mm abaixo da média no Pará, no Amapá, em Roraima e no nordeste do Amazonas, mantendo o déficit hídrico e o risco de queimadas. O órgão indica que esse tempo seco pode prejudicar a semeadura da soja no nordeste paraense e aumentar a exigência de irrigação no arroz em Roraima.
Em contrapartida, conforme aponta o boletim do Inmet, o sudoeste da região — englobando Acre, Rondônia e o sul do Amazonas — apresenta boa umidade acumulada em outubro, favorecendo culturas perenes e da agricultura familiar, além de garantir condições adequadas para a safra de grãos nos dois últimos meses do ano.
Confira o documento completo:
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Prognóstico do Inmet para o trimestre indica calor acima da média e chuva irregular no Centro-Oeste, Sudeste e Sul
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