Exportações da China disparam em setembro, colocando à vista superávit comercial de US$1 tri

Publicado em 14/10/2026 05:40 | Atualizado em 14/10/2026 07:30

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PEQUIM, 14 Out (Reuters) - O superávit comercial da China aumentou mais do que o esperado em setembro, com o forte crescimento das exportações, mantendo o país no caminho para superar o superávit recorde do ano passado e provavelmente intensificando as tensões comerciais com seus principais parceiros.

A demanda global por chips e produtos de tecnologia verde ajudou a manter as fábricas chinesas em plena atividade, aliviando a pressão sobre as autoridades para sustentar o crescimento econômico diante da demanda interna e dos investimentos moderados.

As exportações dispararam 36,3% em relação ao ano anterior, superando o aumento de 25,0% registrado em agosto e excedendo amplamente as expectativas de crescimento de 25,5%, segundo dados da alfândega divulgados nesta quarta-feira. O crescimento de setembro foi o mais rápido desde fevereiro, quando as exportações cresceram 39,6%.

As importações também permaneceram robustas, com alta de 31,0% em comparação com o crescimento de 28,2% em agosto e as previsões dos economistas de um aumento de 24,5%.

Wang Jun, vice-ministro da Alfândega, afirmou em uma coletiva de imprensa que haveria incertezas externas, incluindo conflitos geopolíticos que poderiam afetar o comércio, mas acrescentou que há bases e condições para a continuidade do crescimento das exportações e importações no quarto trimestre.

Analistas esperam que o comércio permaneça aquecido, com os produtos de tecnologia continuando a impulsionar as exportações e as importações.

“Os principais laços comerciais parecem destinados a permanecer estáveis até o final do ano, o que deve manter o principal motor de crescimento deste ano em pleno funcionamento”, disse Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China.

O iuan  se mantinha estável em relação ao dólar na quarta-feira, sustentado por dados sólidos de exportações, enquanto o mercado de ações  caía.

AUMENTO DO SUPERÁVIT COMERCIAL

O superávit comercial da China ultrapassou US$1 trilhão em novembro do ano passado e registrou um recorde de US$1,189 trilhão no ano inteiro.

O superávit atingiu US$938,11 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, colocando a potência industrial no caminho certo para atingir a marca de US$1 trilhão mais cedo, a menos que as exportações desacelerem drasticamente no último trimestre. Por enquanto, tal desaceleração parece improvável.

O superávit comercial de setembro ampliou-se para US$133,53 bilhões, impulsionado por um superávit de US$34,01 bilhões com os Estados Unidos — o maior em 20 meses — e por um superávit ainda maior, de US$34,8 bilhões, com a União Europeia.

Um acordo com a UE para limitar as exportações chinesas de veículos híbridos para o bloco, anunciado no início deste mês, provavelmente pesará sobre o crescente comércio automotivo da China ao longo do tempo. Mas, com as medidas comerciais provavelmente sendo definidas em dezembro, os exportadores podem aumentar os embarques para antecipar o prazo.

“O aumento do superávit comercial com a Europa poderia estimular restrições mais amplas da UE, além do acordo restrito da semana passada, embora esperemos que as consequências econômicas para a China sejam pequenas”, disse Nguyen Hoang Nam, economista da Capital Economics para a China.

A cúpula realizada em setembro entre o presidente Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, garantiu uma prorrogação da trégua tarifária entre os dois países e um acordo para reduzir as tarifas sobre US$30 bilhões em mercadorias de cada lado.

Produtos de alta tecnologia e automóveis continuaram a sustentar as remessas, com as exportações de chips aumentando 108,1% na comparação anual, em termos de valor, nos primeiros nove meses. As exportações de automóveis cresceram mais de 50%, tanto em valor quanto em volume.

Com a expansão global da infraestrutura de IA mostrando poucos sinais de desaceleração, analistas esperam que a demanda por produtos tecnológicos fabricados na China, incluindo chips, permaneça robusta.

(Reportagem de Yukun Zhang, Ellen Zhang e Liz Lee)

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