Setor de serviços volta a decepcionar no Brasil com retração em agosto
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Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 14 Out (Reuters) - O desempenho do setor de serviços voltou a decepcionar em agosto, evidenciando a desaceleração gradual da atividade econômica no país poucos dias antes do segundo turno da eleição presidencial, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
O volume do setor caiu 0,1% frente a julho e teve alta de 0,6% sobre o mesmo mês do ano anterior. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam um crescimento de 0,4% na comparação mensal e uma alta de 1,1% na comparação anual.
Em julho, o setor de serviços já havia frustrado expectativas de crescimento, mantendo-se estável sobre o mês anterior.
Os novos dados do IBGE mostraram que três das cinco atividades acompanhadas apresentaram retração em agosto sobre julho: transportes (-0,2%), profissionais, administrativos e complementares (-0,2%) e outros serviços (-1,0%). Já os serviços prestados às famílias cresceram 2,1%, enquanto o segmento de informação e comunicação ficou estável.
"Não é uma virada de chave ou trajetória, o que se vê é uma acomodação do segmento de serviços, visto que mesmo com taxas perto de zero o setor segue perto do pico", afirmou o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo.
Para Lobo, o setor foi contido no mês principalmente pela pressão dos preços mais altos de combustíveis sobre transporte de cargas e aéreos.
O setor de serviços está 19,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 0,3% abaixo do auge da série histórica (outubro de 2025), segundo o IBGE.
A economia brasileira vem mostrando desaquecimento em meio a um cenário de juros elevados, ainda que em queda, e incertezas geopolíticas globais. Em julho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou retração de 0,5% sobre junho, no terceiro recuo mensal consecutivo do índice.
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, ponderou que, a despeito da retração dos serviços em agosto, o setor ainda mostrou "boa composição". Ela destacou a alta de 2,1% nos serviços prestados às famílias, que têm peso importante no cálculo do PIB.
"O setor de serviços vem mostrando certa estabilidade nos últimos meses, mas continua mostrando alguma expansão em relação a 2025. Nossa expectativa é que esse ritmo mais moderado continue até o fim do ano", afirmou, em nota, projetando alta de cerca de 1% do setor no ano.
O Banco Central voltará a se reunir em 3 e 4 de novembro para deliberar sobre os juros, e a expectativa de economistas e analistas de mercado é que promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 13,75%.
Antes da decisão do BC, em 25 de outubro, ocorrerá o segundo turno das eleições, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputando a Presidência.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, texto de Isabel Versiani; edição de Eduardo Simões)
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