Umidade do solo segue baixa no Centro-Oeste, Norte e Matopiba, enquanto Sul mantém áreas encharcadas

Chuvas previstas para a segunda quinzena de outubro podem ajudar na reposição de água em algumas regiões, mas irregularidade dos volumes e temperaturas elevadas ainda limitam a recuperação do solo, segundo a Ampere
Publicado em 14/10/2026 11:59

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A umidade do solo apresenta condições bastante diferentes entre as regiões brasileiras nesta segunda quinzena de outubro. Enquanto áreas do Sul mantêm o armazenamento de água próximo da capacidade máxima, regiões do Centro-Oeste, Norte e Matopiba ainda enfrentam baixos níveis de umidade. A previsão de chuva pode trazer algum alívio aos produtores rurais, mas os volumes e a distribuição das precipitações ainda não devem garantir uma recuperação consistente em todas as áreas.

Segundo a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere, a chegada da chuva precisa ser analisada em conjunto com as temperaturas e a perda de água para a atmosfera. Em regiões mais quentes, mesmo quando chove, a evapotranspiração elevada reduz a capacidade de manter a água no solo.

“Mesmo que chova, temperatura muito elevada, evapotranspiração ainda continua elevada, então às vezes não traz tanta diferença no armazenamento de água no solo”, explica a meteorologista.
Sul

No Sul, o cenário é mais favorável em relação à disponibilidade de água. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, o armazenamento deve continuar elevado e próximo da capacidade máxima, reflexo das chuvas registradas nas últimas semanas. A previsão, porém, indica períodos de tempo mais estável antes da retomada das precipitações em algumas localidades.

Em São Luís Gonzaga (RS), por exemplo, a tendência é de poucos volumes de chuva até o dia 20 de outubro, com retorno de precipitações mais expressivas a partir do dia 22. Já em Londrina (PR), a previsão indica chuva ainda nos próximos dias, seguida por uma janela mais seca entre os dias 17 e 21.

Sudeste 

No Sudeste, as chuvas previstas devem contribuir para melhorar a umidade do solo, principalmente no interior de São Paulo. Em Ribeirão Preto, a tendência é de reposição gradual de água, com condições próximas da capacidade de armazenamento do solo no fim do mês, entre os dias 27 e 28.

Em Minas Gerais, entretanto, a recuperação deve ser mais limitada. Em Patrocínio, a umidade pode subir de cerca de 30% para 50% após os próximos episódios de chuva, mas a melhora tende a perder força durante os períodos de tempo seco. As temperaturas elevadas mantêm a demanda atmosférica alta, dificultando a conservação da água.

“Essa chuva que vai acontecer nos próximos dias vai servir para sair de 30% para 50% ali em município. Porém, como a gente ainda vai ter uma janela estável, essa chuva não vai ser suficiente para segurar essa umidade”, afirma Amanda.

Centro-Oeste 

No Centro-Oeste, as precipitações previstas podem elevar a umidade do solo, mas a irregularidade da chuva e a evapotranspiração elevada devem limitar os ganhos. Em Cristalina (GO), os índices podem passar de 10% para quase 40% após os volumes esperados para os próximos dias. Depois, a tendência é de redução gradual durante a janela de tempo mais seco, com nova recuperação prevista para o fim de outubro.

Em Querência, Mato Grosso, a previsão de cerca de 30 milímetros de chuva em um dos episódios previstos pode elevar a umidade do solo de 40% para 70%. No entanto, como as precipitações seguintes devem ser mais irregulares, a água armazenada tende a diminuir gradualmente.

A meteorologista destaca que a manutenção da umidade depende não apenas da ocorrência de chuva, mas também da frequência e dos volumes registrados. Com temperaturas ainda próximas dos 30°C em áreas do estado e evapotranspiração estimada entre 7 e 8 milímetros por dia, parte da água disponível pode ser rapidamente perdida para a atmosfera.

Matopiba 

No Matopiba, região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão indica o retorno das chuvas, mas ainda sem garantia de reposição suficiente para melhorar as condições de umidade do solo.

Em São Desidério, Bahia, a chuva prevista pode elevar a umidade de cerca de 5% para 15%. Uma nova melhora, próxima de 25%, é esperada para o fim do mês, mas o solo deve continuar com baixa disponibilidade de água ao longo do período.

No Maranhão, em áreas próximas a Tasso Fragoso, os volumes previstos são menores e não devem provocar uma recuperação significativa. Segundo Amanda, mesmo com novos episódios de chuva, a umidade pode permanecer abaixo de 3% e voltar a cair durante os períodos mais secos.

“Essa chuva colabora, mas não traz um aumento muito expressivo ainda”, destaca a meteorologista ao comentar as condições do oeste baiano. Ela ressalta que, nessas regiões, será necessário acompanhar a frequência e o volume das próximas precipitações para avaliar a recuperação do solo.

Norte 

Na Região Norte, a previsão varia de acordo com a localidade. Em Dom Eliseu, no Pará, os volumes esperados são baixos, próximos de 3 milímetros, e não devem provocar mudanças significativas na umidade do solo. A tendência, nesse caso, ainda é de redução dos índices.

Em Porto Velho (RO), por outro lado, a chuva prevista é mais frequente e pode alcançar cerca de 25 milímetros em um dos episódios esperados. Com isso, a umidade do solo pode subir de aproximadamente 5% para 20%, mantendo-se relativamente estável nos dias seguintes e com possibilidade de nova reposição no fim do mês.

A diferença entre as duas localidades reforça que a recuperação da água no solo não será uniforme nem mesmo dentro de uma mesma região.
 

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