Queimadas agravam poluição em Manaus, e qualidade do ar chega a nível péssim
A fumaça provocada pelas queimadas continua comprometendo a qualidade do ar em Manaus (AM) e levou à suspensão das aulas na rede municipal nesta quarta-feira (14). Mesmo após a prefeitura anunciar a retomada das atividades escolares, na terça-feira (13), os níveis elevados de poluição fizeram com que a medida fosse revista para proteger estudantes e profissionais da educação.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram condições entre muito ruins e péssimas em diferentes pontos da capital. Às 8h desta quarta-feira, a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 179,8 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no bairro Compensa, na Zona Oeste. No Parque Dez, o índice foi de 141,6 µg/m³, enquanto Petrópolis registrou 133,1 µg/m³.
Os três locais apresentaram níveis acima de 125 µg/m³, faixa a partir da qual o sistema classifica a qualidade do ar como péssima. A média registrada na cidade naquela manhã era de 123,9 µg/m³, considerada muito ruim. Para comparação, o Selva classifica como boa a qualidade do ar quando a concentração de partículas fica em até 25 µg/m³.
As partículas PM2,5 têm diâmetro muito pequeno e podem penetrar profundamente no sistema respiratório, representando um risco à saúde, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Queimadas elevam a poluição no Amazonas
Segundo a prefeitura de Manaus, a fumaça que encobre a capital há semanas é resultado de queimadas no interior do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e Metropolitana, além de incêndios em outros estados.
O cenário ocorre em meio à intensificação dos focos de incêndio no estado. Entre 1º e 10 de outubro, foram contabilizados 1.380 focos no Amazonas, segundo dados atribuídos ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Desse total, 116 foram registrados em terras indígenas, o equivalente a 8,4% das ocorrências.
A persistência da fumaça mantém a preocupação com os impactos ambientais e sobre a saúde da população, especialmente nas áreas onde a concentração de poluentes permanece elevada.
Poluição chegou a nove vezes o limite de referência da OMS
Uma nota técnica do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em conjunto com a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, apontou uma piora na qualidade do ar em Manaus entre os dias 8 e 10 de outubro.
Nesse intervalo, as concentrações de partículas finas ficaram próximas de 200 µg/m³ nos dias 8 e 9 e em torno de 100 µg/m³ no dia 10. Os níveis registrados reforçam a gravidade do episódio de poluição associado à fumaça das queimadas.
Governo federal reconhece emergência em 36 municípios
A situação também mobiliza as autoridades fora da capital. No sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) oficializou o reconhecimento da situação de emergência em 36 municípios do Amazonas afetados pelo cenário.
A medida permite ampliar a articulação entre os órgãos responsáveis pela resposta à crise e viabiliza o acesso a recursos federais, conforme os procedimentos previstos para situações de emergência.
Enquanto persistirem as queimadas e o transporte de fumaça para áreas urbanas, a qualidade do ar continuará sendo um ponto de atenção no Amazonas, com possíveis reflexos sobre a saúde pública e a rotina da população.
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