Dados da NOPA e queda do farelo pressionam a soja e Chicago fecha 5ª feira com baixas de dois dígitos

Queda no processamento norte-americano e cautela com a demanda chinesa pesaram sobre as cotações, enquanto o produtor brasileiro foca no avanço do plantio da nova safra.
Publicado em 15/10/2026 16:57
Vitor Lima - Analista de Mercado da Pátria Agronegócios
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Dados da NOPA e queda do farelo pressionam a soja e Chicago fecha 5ª feira com baixas de dois dígitos

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O mercado de soja encerrou as negociações desta quinta-feira com expressivas quedas de dois dígitos nos principais vencimentos na Bolsa de Chicago (CBOT). O movimento negativo foi impulsionado pela divulgação do relatório de esmagamento nos Estados Unidos pela NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Sementes Oleaginosas), somado à instabilidade dos derivados e ao compasso de espera quanto ao apetite importador da China.

O recuo em Chicago foi fortemente influenciado pelo relatório mensal da NOPA. Conforme explicou Vitor Lima, analista de mercado da Pátria Agronegócios, os números de processamento nos Estados Unidos vieram abaixo das expectativas dos operadores.

"O mercado estava esperando na casa dos seus 204 a 206 milhões de bushels e veio abaixo de 196 milhões de bushels", destacou o analista, apontando que o esmagamento norte-americano atingiu o menor patamar em treze meses. O resultado trouxe pessimismo aos negócios e refletiu também nos derivados, especialmente no farelo de soja, enquanto o óleo de soja atua com níveis de estoques baixos que tentam conter perdas maiores.

Outro ponto de atenção abordado durante a análise foi o posicionamento dos compradores chineses. Com as indústrias da China bem cobertas no curto prazo para os embarques de final de ano, o ritmo para o início do próximo ano permanece incerto.

Segundo Vitor Lima, o cumprimento do acordo de compra de 25 milhões de toneladas por parte dos chineses segue como um desafio: "Menos de 14 milhões de toneladas já foram cumpridas. O chinês vai comprar uma soja mais cara só porque fez um acordo? Vai repactuar? Então, quando a gente olha só para Chicago, talvez não faça tanto sentido Chicago disparar mais do que 13,50 ou 13,80 dólares". Em relação aos prêmios portuários no Brasil, como em Paranaguá e Santos, observou-se uma tentativa de recomposição para contrabalancear as perdas externas.

Na produção norte-americana, a colheita avança, mas o clima traz dúvidas quanto à produtividade final e qualidade dos grãos devido a períodos de estiagem seguidos por umidade elevada na colheita.

No Brasil, a oscilação do câmbio acabou amortecendo parte do impacto das quedas externas no mercado interno, com o dólar em alta de quase 1% neutralizando as perdas da mesma proporção registradas em Chicago. Diante disso, o produtor nacional mantém o foco no trabalho no campo e no avanço da semeadura da safra de verão, que ganha ritmo acelerado em estados como Goiás e no Centro-Oeste como um todo.

Plantio da Soja - Pátria

Por fim, Vitor Lima reforçou a relevância do controle financeiro por parte dos agricultores diante da volatilidade: "O produtor, além de produzir, tem que ter uma gestão de risco boa. Uma relação de troca ideal sempre tende a proteger os custos".

No encerramento do pregão na Bolsa de Chicago, os contratos de soja fecharam em queda de 13,50 a 14,25 pontos, com o vencimento novembro cotado a US$ 12,63 por bushel e janeiro a US$ 12,77 por bushel. O milho e o trigo também fecharam em campo negativo em Chicago. Na B3, o contrato de milho para novembro fechou cotado a R$ 67,11 a saca, enquanto os vencimentos para 2027 registraram leves altas, sustentados acima dos R$ 71,00 a saca.

* Com auxílio de IA

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