Exportações de maçã mais que triplicam em 2026, mas preço médio recua em ano de supersafra
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As exportações brasileiras de maçã mais que triplicaram nos nove primeiros meses de 2026, em um ano marcado pela recuperação da produção nacional. O crescimento expressivo dos embarques, entretanto, não foi acompanhado por uma expansão equivalente da receita, indicando uma redução no valor médio recebido por tonelada nas operações de comércio exterior.
Segundo dados do painel estatístico da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o Brasil exportou 48.650,57 toneladas de maçã entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 254,9% em relação às 13.706,66 toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
A receita das exportações também avançou, passando de US$ 14,48 milhões para US$ 49,58 milhões, alta de 242,4%. A diferença entre o crescimento do volume e o da receita resultou de uma redução de 3,5% no preço médio FOB, que passou de US$ 1.056,28 por tonelada nos nove primeiros meses de 2025 para US$ 1.019,08 por tonelada em 2026.
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Supersafra amplia disponibilidade de maçãs no Brasil
O desempenho das exportações ocorre em um ano de forte recuperação da produção brasileira. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), a safra de 2026 alcançou 1,6 milhão de toneladas, depois de duas temporadas marcadas por dificuldades produtivas.
A retomada também foi identificada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que destacou as condições térmicas favoráveis e a menor pressão de doenças durante o desenvolvimento dos pomares da temporada 2025/26, especialmente na região Sul.
Com a colheita concentrada no primeiro semestre, o aumento da produtividade e da disponibilidade de frutas abriu espaço para a ampliação das vendas internacionais, ao mesmo tempo em que elevou a oferta destinada ao mercado doméstico.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram a maior parte da produção brasileira de maçã, respondendo, juntos, por cerca de 90% do volume nacional, segundo informações da ABPM.
A recuperação da safra também foi apontada como um dos principais fatores para o avanço das exportações por representantes do setor produtivo. Rafael de Oliveira, vice-presidente de Comercialização da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), destacou que o retorno da produção a patamares mais elevados ampliou a disponibilidade de fruta para atendimento aos mercados internacionais.
O dirigente ressaltou, entretanto, que questões logísticas e comerciais ainda limitaram a expansão dos embarques, mesmo diante da maior oferta.
Europa amplia compras e Rio Grande do Sul ganha destaque
Além do crescimento nacional, a recuperação da oferta brasileira favoreceu a ampliação das vendas para o mercado europeu. As exportações brasileiras destinadas à Europa cresceram 104% em volume e 111% em receita no período analisado até agosto de 2026. Os embarques chegaram a aproximadamente 14,94 mil toneladas, diante de 7,3 mil toneladas no intervalo comparável de 2025. A receita passou de cerca de US$ 7,5 milhões para US$ 15,83 milhões.
O Rio Grande do Sul respondeu por 61,3% do volume brasileiro enviado ao continente europeu nesse recorte. Considerando especificamente os países da União Europeia, sem incluir Reino Unido e Rússia, os embarques gaúchos cresceram 70% em volume e receita, alcançando 7,46 mil toneladas e US$ 7,66 milhões.
A retirada de tarifas de importação no âmbito do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi um dos fatores favoráveis ao comércio da fruta.
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Maior oferta pressionou preços internos antes de recuperação em agosto
Se, por um lado, a supersafra permitiu ampliar os volumes disponíveis para exportação, a maior oferta também trouxe desafios para a comercialização no mercado doméstico.
Segundo análise do Cepea, a recuperação da produção elevou significativamente os estoques nas regiões classificadoras durante o primeiro semestre de 2026. Entre abril e julho, as cotações da maçã gala graúda de categoria 3 registraram desvalorização próxima de 40%, na média das regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas.
O Cepea relatou ainda situações nas quais os preços de comercialização de determinados perfis de fruta ficaram abaixo dos custos, evidenciando dificuldades de rentabilidade enfrentadas por agentes do setor.
A partir de agosto, porém, o mercado começou a apresentar sinais de recuperação. Com as colheitas encerradas e a disponibilidade de frutas diminuindo gradualmente, as cotações voltaram a subir nas regiões classificadoras.
Em levantamento referente à primeira semana de agosto, o centro de pesquisas registrou valorização de 4,79% na maçã gala graúda de categoria 1, negociada a R$ 100,30 por caixa de 18 quilos. A fuji de mesmo perfil apresentou avanço de 4,75%, para R$ 85,90 por caixa.
O comportamento do mercado interno reforça que a recuperação da produção trouxe efeitos diferentes para os agentes da cadeia ao longo do ano. A ampliação da oferta favoreceu o atendimento dos mercados, mas também contribuiu para pressionar as cotações em determinados períodos.
É importante, entretanto, distinguir os indicadores. Os preços acompanhados pelo Cepea nas regiões classificadoras refletem operações do mercado interno, enquanto o preço médio FOB considera o valor e o volume das exportações brasileiras.
Assim, a queda de 3,5% no preço médio FOB não pode ser utilizada como medida direta da variação dos preços internos ou da margem dos produtores.
Volume maior não significa valorização equivalente das vendas
Os resultados de janeiro a setembro mostram uma recuperação expressiva das exportações brasileiras de maçã em relação a 2025, quando a menor disponibilidade de frutas havia limitado as oportunidades de comercialização internacional.
O avanço de 254,9% no volume embarcado demonstra a intensidade dessa retomada. A receita também aumentou de forma significativa, alcançando US$ 49,58 milhões nos nove primeiros meses de 2026.
Entretanto, o crescimento proporcionalmente menor do valor exportado indica que cada tonelada comercializada no exterior apresentou, em média, um valor FOB inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Essa diferença pode refletir distintos fatores comerciais, incluindo a composição dos mercados atendidos, os tipos e padrões de fruta exportados e as condições de negociação. A recuperação da produção também contribuiu para ampliar a disponibilidade de maçãs e entrou na conta para a queda do preço médio FOB.
Para o setor, os números revelam uma recuperação importante da capacidade de atendimento ao mercado externo, mas também mostram a necessidade de acompanhar a relação entre quantidade comercializada e valor obtido nas exportações.
O principal contraste de 2026 está justamente nessa diferença: em um ano de supersafra, o Brasil conseguiu vender ao exterior mais de três vezes o volume registrado nos nove primeiros meses de 2025, mas o preço médio FOB por tonelada ficou 3,5% abaixo do observado no período anterior.
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