CNC defende inclusão de todos os países produtores nos investimentos globais na cafeicultura
O Conselho Nacional do Café (CNC) tem defendido, ao longo dos últimos anos, que as iniciativas internacionais voltadas à sustentabilidade e ao financiamento da cafeicultura assegurem a participação de todos os países produtores, com oportunidades concretas de investimento, fortalecimento da produção e melhoria da renda dos cafeicultores. Essa posição ganha relevância com o lançamento da Iniciativa Global do Café (Global Coffee Initiative – GCI), parceria entre o governo da Itália e o Grupo Banco Mundial para mobilizar investimentos e ampliar as oportunidades de desenvolvimento da cadeia produtiva mundial.
Como parte desse processo, o CNC foi convidado pelo Grupo Banco Mundial e pelo Programa ONU-REDD a participar do intercâmbio global “Investable Beans: De-risking and Financing Forest Positive Supply Chain”, que será realizado presencialmente nos dias 29 e 30 de outubro de 2026, na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. A representação do Conselho será feita por sua assessora técnica Luiza Mantiça Kreimeier.
O encontro reunirá representantes de governos, instituições financeiras, organizações de commodities, parceiros de desenvolvimento, setor privado e sociedade civil para discutir caminhos que permitam ampliar os investimentos em cadeias produtivas de café e cacau livres de desmatamento. A proposta é promover conexões entre potenciais investidores e organizações do setor, além de desenvolver mecanismos de cooperação para financiar iniciativas sustentáveis.
Nesse contexto, o Programa Café Produtor de Água, desenvolvido pelo Conselho Nacional do Café em parceria com cooperativas e instituições públicas e privadas, apresenta-se como uma iniciativa com potencial de contribuir para essas discussões. Por meio de ações voltadas à conservação do solo e da água, proteção de nascentes, recuperação da vegetação nativa e valorização dos serviços ambientais, o Programa está alinhado aos objetivos de promoção de cadeias produtivas sustentáveis e livres de desmatamento. Sua experiência poderá ser compartilhada como um possível caminho para integrar conservação ambiental, produção cafeeira e mecanismos de financiamento, contribuindo para a ampliação de investimentos e parcerias.
Investimentos precisam alcançar todos os países produtores
A criação de mecanismos internacionais para financiar a cafeicultura é uma oportunidade importante para enfrentar desafios como as mudanças climáticas, a renovação de lavouras, a adoção de tecnologias, a rastreabilidade e a preservação ambiental. No entanto, para que essas iniciativas produzam resultados duradouros, é fundamental que os recursos não se concentrem em um grupo restrito de países ou regiões.
A defesa histórica do CNC é que os investimentos contemplem o conjunto dos países produtores, respeitando suas particularidades econômicas, ambientais e sociais. A cafeicultura mundial é formada por realidades distintas, desde pequenas propriedades familiares até estruturas produtivas de maior escala, com diferentes níveis de acesso ao crédito, à assistência técnica e aos mercados internacionais.
“Entendemos que os programas para apoio aos produtores dos países centrais e para outros supridores, como a África, sem a inclusão do Brasil, não são justos”, destacou Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café. Ele alertou que os fundos devem incluir o Brasil e enfatizou a necessidade de avaliações que prevejam benefícios para o país, pois o bolsão de pobreza nas favelas do Brasil, por exemplo, se assemelha ao mesmo desafio de outros produtores de café no mundo.
A definição de critérios de elegibilidade, a estruturação dos projetos e a distribuição dos recursos precisam, portanto, considerar essas peculiaridades. O objetivo deve ser ampliar o acesso às oportunidades de financiamento, permitindo que os países produtores fortaleçam suas cadeias cafeeiras, aumentem a resiliência climática e melhorem as condições de vida de suas comunidades rurais.
No Brasil, essa discussão tem importância especial. A cafeicultura nacional é marcada pela expressiva participação de pequenos produtores, que representam 78% dos 330 mil cafeicultores brasileiros, que gera 8.4 milhões de empregos. Para esse público, o acesso a recursos financeiros, tecnologias e instrumentos de mitigação de riscos é determinante para a continuidade da atividade e a capacidade de realizar investimentos de longo prazo.
Por isso, o CNC entende que a sustentabilidade da cadeia global não pode ser dissociada da sustentabilidade econômica de quem produz. As exigências ambientais devem caminhar junto com mecanismos que viabilizem sua implementação, evitando que os custos de adaptação recaiam desproporcionalmente sobre os produtores.
Iniciativa Global do Café prevê mobilização de US$ 500 milhões
Dentre esses programas está a Iniciativa Global do Café que foi lançada em Roma, em 14 de outubro, pelo governo italiano e pelo Grupo Banco Mundial, com o propósito de atrair investimentos públicos e privados, fortalecer a cadeia cafeeira e ampliar a renda dos produtores diante dos desafios climáticos.
Um dos principais instrumentos anunciados é o Espresso Fund, apresentado como o primeiro fundo global público-privado dedicado à cadeia do café. A Itália aprovou uma contribuição de € 40 milhões para o fundo no período de 2025 a 2027. A iniciativa pretende mobilizar pelo menos US$ 500 milhões em sua fase inicial.
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