Café acelera altas e arábica supera 313 cents em Nova York nesta segunda-feira

Estoques certificados baixos sustentam preocupações com oferta de arábica, enquanto perspectivas para o Vietnã mantêm robusta no radar
Publicado em 19/10/2026 11:29

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Os preços internacionais do café ampliaram as altas ao longo desta segunda-feira (19), com valorizações superiores a 2% nos principais contratos negociados nas bolsas de Nova York e Londres. O mercado acompanha preocupações com a disponibilidade de café arábica nos estoques certificados da ICE e os riscos climáticos para as próximas safras nos principais países produtores.

Por volta das 11h15 (horário de Brasília), o vencimento dezembro/26 do café arábica era negociado a 313,60 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com valorização de 2,62%. O março/27 avançava 2%, cotado a 300,40 cents, enquanto o maio/27 registrava ganho de 1,89%, valendo 296,00 cents por libra-peso.

As altas ganharam intensidade em relação à abertura, quando o dezembro/26 apresentava valorização de 1,65%, negociado a 310,65 cents por libra-peso.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta também ampliou os ganhos. O contrato novembro/26 era negociado a US$ 3.476 por tonelada, com alta de US$ 62, enquanto o janeiro/27 avançava US$ 70, cotado a US$ 3.475. O março/27 também subia US$ 70, valendo US$ 3.448 por tonelada.

Estoques certificados sustentam atenção sobre o arábica

O movimento de valorização ocorre após uma sexta-feira de forte recuperação dos contratos de café. Segundo informações da Reuters, o arábica atingiu naquele pregão o maior patamar em um mês, em meio às preocupações com a baixa disponibilidade de estoques certificados na Bolsa de Nova York.

Os estoques eram de 238.976 sacas na última referência apresentada pela agência, permanecendo próximos da mínima de 217.646 sacas registrada no mês anterior, o menor volume em aproximadamente 27 anos.

Operadores demonstraram preocupação com a possibilidade de os carregamentos brasileiros não chegarem aos armazéns da ICE a tempo de recompor a disponibilidade antes do vencimento do contrato de dezembro.

As condições climáticas no Brasil também permanecem no radar, diante dos riscos associados ao El Niño e de seus possíveis impactos sobre a produção da próxima safra.

Vietnã espera estabilidade na produção, mas El Niño preocupa

No mercado de robusta, novas informações sobre a produção vietnamita também ganharam destaque nesta segunda-feira.

Segundo reportagem da Reuters publicada pelo Notícias Agrícolas, representantes do setor cafeeiro do Vietnã esperam que a produção de 2026/27 permaneça próxima à registrada no ciclo anterior.

O aumento da produtividade de lavouras mais jovens e renovadas deve compensar perdas provocadas por condições climáticas desfavoráveis e problemas fitossanitários em determinadas regiões.

A avaliação é mais cautelosa do que a previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta crescimento de 2,5% na produção total vietnamita, para 32,5 milhões de sacas, das quais 31,4 milhões seriam de robusta.

As preocupações mais intensas estão voltadas à temporada 2027/28. Participantes do setor alertam que o El Niño pode reduzir a disponibilidade de água para irrigação, embora ainda seja cedo para estimar eventuais prejuízos à produção.

O cenário mantém a atenção do mercado internacional sobre a oferta futura de café, em um momento de valorização simultânea dos contratos de arábica e robusta.

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