Paraná segue pressionado pelo clima e perdas começam a aumentar nas lavouras de inverno e verão

Publicado em 20/10/2026 16:24
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

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A rotina produtiva e comercial do agronegócio brasileiro enfrentou um cenário desafiador nesta terça-feira, marcado por condições meteorológicas extremas, entraves sanitários e cálculos de margem apertados para os produtores. As atenções estiveram voltadas prioritariamente para o interior das propriedades, onde o excesso de precipitações no Sul do país e a irregularidade hídrica no Norte moldam o desenvolvimento das lavouras de inverno e a semeadura das safras de verão.

Clima severo compromete trigo e desafia o plantio no Paraná

No Paraná, o excesso contínuo de umidade segue gerando impactos profundos. O Departamento de Economia Rural (Deral) apontou que, embora a colheita do trigo tenha atingido 82% da área, apenas 45% das lavouras remanescentes encontram-se em boas condições. Fatores como baixa luminosidade, excesso de água no solo e alta pressão de doenças — incluindo míldio, giberela e brusone — reduziram o padrão de qualidade dos grãos para patamares abaixo das exigências do mercado, com registros de áreas em que a receita não cobrirá os custos de produção.

A instabilidade climática também interfere na implantação da safra de verão 2026/27. Nas lavouras de soja e milho, a umidade excessiva causa encharcamento do solo, impede o tráfego de maquinários e favorece processos erosivos e assoreamentos, além do surgimento de fungos associados à palhada. Conforme alertou o meteorologista Denis Garcia, da Meteored, a previsão de temporais, ventos fortes e granizo deve persistir ao menos até o próximo domingo (25), mantendo o sinal de alerta aceso em diversas regiões do estado.

Ritmo da semeadura: contrastes regionais de norte a sul

Em âmbito nacional, o plantio do milho verão avançou para 36% da área projetada, superando a média histórica e os 35% registrados no mesmo período do ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, a semeadura se aproxima da conclusão, mas a umidade do solo desacelerou as atividades no Planalto Superior e na Metade Sul. Em Santa Catarina, os trabalhos seguem mais adiantados no Extremo-Oeste e Oeste.

Já o plantio da soja ultrapassou a marca de 30% em todo o país, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), impulsionado pelas chuvas no Mato Grosso, onde as frentes de trabalho avançaram no Médio-Norte e Oeste. Em contrapartida, estados como Mato Grosso do Sul e Paraná seguem limitados pelo excesso de chuvas. Outras culturas também sentem os reflexos climáticos: o feijão atingiu 20% de área semeada, com prejuízos localizados no Rio Grande do Sul, enquanto o arroz avançou cerca de 10 pontos percentuais na semana, mas enfrenta interrupções pontuais no Paraná e lentidão nos estados vizinhos.

Em regiões mais ao norte, a dificuldade reside na escassez hídrica. Em Darcinópolis, no norte do Tocantins, o engenheiro agrônomo Marcílio Fernandes Marangoni relatou que a semeadura da soja ainda não começou devido à falta de regularidade nas precipitações. O especialista destacou que a janela ideal para garantir a safrinha de milho se estende até o dia 5 de novembro; após essa data, a tendência é a migração de áreas para o cultivo de sorgo.

Caso de Newcastle em Santa Catarina e reações do mercado externo

Na frente sanitária, os desdobramentos da confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus em Nova Itaberaba (SC) repercutiram intensamente nas exportações avícolas. O México optou por suspender temporariamente todas as importações de produtos avícolas originários do Brasil, abrangendo carnes, miúdos, ovos férteis e pintinhos.

Por outro lado, as negociações coordenadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) conseguiram limitar a abrangência dos bloqueios com outros parceiros estratégicos. China e Chile determinaram restrições restritas exclusivamente à produção proveniente do estado de Santa Catarina, evitando um embargo de escala nacional, embora a medida ainda demande reorganização logística e comercial dos frigoríficos.

Custos em alta e projeções globais

O encerramento do dia trouxe também alertas econômicos relevantes para o Centro-Oeste. De acordo com boletim semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), as projeções para a safra de milho 2026/27 no Mato Grosso apontam margem negativa de 4% quando considerado o Custo Operacional Total (COT), a despeito de uma margem positiva de 5% sobre o Custo Operacional Efetivo (COE). Os custos totais da soja também registraram alta de quase 7%, reforçando a cautela necessária na gestão financeira das propriedades.

No comércio exterior, enquanto a União Europeia elevou em 40% suas importações de milho devido a quebras provocadas pela seca no bloco, o Brasil reforça seu papel de protagonismo no açúcar — com estimativas indicando que o país poderá atender até 73% das exportações globais da commodity bruta em 2027 — e no café, com o Espírito Santo superando o marco de 5 milhões de sacas de conilon embarcadas no ano.

O panorama atual evidencia a complexidade das variáveis climáticas, sanitárias e mercadológicas que cercam a safra brasileira. A capacidade de gestão das propriedades rurais e a agilidade nas negociações sanitárias internacionais serão cruciais para mitigar perdas e assegurar a competitividade do setor nas próximas semanas.

* Com auxílio de IA

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