Taxas dos DIs caem com percepção de que Flávio está à frente de Lula
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 20 Out (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em baixa, com a curva a termo voltando a refletir a percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
O movimento esteve em sintonia com o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também cederam.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,775%, com baixa de 11 pontos-base ante o ajuste de 12,889% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,77%, com recuo de 13 pontos-base ante 12,902%.
Profissionais ouvidos pela Reuters vincularam a queda das taxas dos DIs principalmente ao cenário eleitoral. Ainda que as pesquisas mais recentes mostrem uma disputa acirrada entre Flávio e Lula, o senador segue com vantagem numérica nas intenções de voto sobre o presidente.
Além disso, há no mercado a avaliação de que o debate do último domingo na Band não foi negativo para Flávio e que a diferença dele para Lula nas intenções de voto pode ter parado de cair.
Essa percepção retirava prêmios principalmente do trecho longo da curva, mais influenciado pela questão fiscal. Às 12h30, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima intradia de 12,600% (-30 pontos-base).
No mercado, boa parte dos agentes considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Na contramão da ideia de um ajuste, Flávio prometeu nesta terça-feira restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) se vencer a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo.
O programa foi originalmente criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, com empresas de diferentes setores conseguindo acessar o benefício, que se prolongou bem além do período emergencial.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos cederam, assim como o petróleo Brent, em uma sessão de volatilidade um pouco maior.
Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 2 pontos-base, a 5,117%. Já o retorno do título de 30 anos recuava 5 pontos-base, a 5,425%.
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