Milho acumula segunda queda consecutiva em Chicago e B3 fecha terça-feira com oscilações
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Os preços internacionais do milho encerraram a terça-feira (20) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), acumulando a segunda sessão consecutiva de desvalorizações. O mercado permanece pressionado pela perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos e pelas condições favoráveis ao avanço da colheita, enquanto os contratos futuros brasileiros terminaram o pregão com resultados mistos na Bolsa Brasileira (B3).
Em Chicago, o contrato dezembro/26 fechou cotado a US$ 4,6200 por bushel, com perda de 5,00 pontos, equivalente a 1,07%. O março/27 recuou 4,50 pontos, encerrando a US$ 4,7600, enquanto o maio/27 também perdeu 4,50 pontos e terminou negociado a US$ 4,8400. O julho/27 apresentou desvalorização de 0,86%, cotado a US$ 4,9075 por bushel.
As perdas se intensificaram ao longo do dia, depois de os contratos iniciarem a sessão próximos da estabilidade. O movimento prolongou a pressão observada na segunda-feira (19), quando o dezembro/26 já havia recuado 1,53%, em meio à divulgação de números mais fracos das inspeções de exportação americanas.
Colheita americana e oferta elevada continuam no radar
O avanço da colheita nos Estados Unidos permanece entre os principais fatores acompanhados pelo mercado. No levantamento divulgado na segunda-feira, o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) informou que os trabalhos alcançaram 44% da área cultivada, avanço de 11 pontos percentuais na semana, mas ainda abaixo da média histórica de 52%.
Apesar do atraso, as previsões meteorológicas seguem indicando condições favoráveis à continuidade dos trabalhos no Meio-Oeste americano. Segundo informações da World Weather reproduzidas pela Terra Investimentos, o tempo predominantemente seco deve permitir o avanço da colheita de milho e soja nos próximos dias, ampliando gradualmente a disponibilidade dos grãos.
O mercado também continua repercutindo a revisão das estimativas de oferta e demanda divulgada pelo USDA em 9 de outubro. Na ocasião, o departamento elevou a projeção de produção americana de milho de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais estimados passaram de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.
A demanda externa permanece como outro ponto de atenção. Na segunda-feira, o USDA informou que as inspeções semanais de exportação de milho somaram 672.475 toneladas, queda de 48,8% em relação à semana anterior. O resultado contrastou com a recuperação das vendas líquidas divulgadas na sexta-feira (16), quando os negócios alcançaram 1,122 milhão de toneladas, crescimento semanal de 46%.
Além dos fundamentos de oferta e demanda, análises internacionais também têm destacado o enfraquecimento técnico dos contratos futuros e a redução das posições compradas pelos fundos de investimento, em um ambiente de maior cautela diante do crescimento da produção norte-americana.
B3 apresenta resultados mistos e mercado físico tem baixas pontuais
Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho encerraram a terça-feira com oscilações entre os vencimentos, apresentando um comportamento menos uniforme que o observado em Chicago.
O contrato novembro/26 terminou cotado a R$ 65,96 por saca, com valorização de 0,08%, enquanto o janeiro/27 recuou 0,03%, para R$ 69,94. O março/27 apresentou queda de 0,43%, negociado a R$ 74,90, e o maio/27 perdeu 0,24%, encerrando a R$ 73,93 por saca. Entre os contratos mais longos, julho/27 e novembro/27 registraram altas de 0,23% e 0,10%, respectivamente.
No mercado físico brasileiro, o levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas apontou estabilidade na maior parte das praças acompanhadas, com desvalorizações em Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Sorriso, em Mato Grosso, além de Brasília, no Distrito Federal. Por outro lado, Eldorado, em Mato Grosso do Sul, foi a única localidade que apresentou valorização.
O cenário doméstico também continua influenciado pelas perspectivas de ampla oferta e pela competitividade das exportações. Em relatório divulgado na segunda-feira, a Hedgepoint Global Markets projetou uma produção brasileira recorde de 146,5 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto reduziu sua estimativa de exportações da temporada 2025/26 de 41 milhões para 38 milhões de toneladas, citando a concorrência argentina e a menor demanda do Irã.
A consultoria também prevê que os estoques finais brasileiros alcancem 14,7 milhões de toneladas na temporada atual. Ao mesmo tempo, a Agrinvest destacou que a comercialização de milho apresentou boa liquidez na última semana, com aproximadamente 1,6 milhão de toneladas negociadas pelos produtores, mostrando que a pressão sobre os preços não impediu a realização de negócios em diferentes regiões do país.
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