Milho fecha em alta em Chicago e na maior parte da B3, mas mercado físico brasileiro registra quedas

Futuros americanos interrompem sequência de perdas e contratos mais longos avançam no Brasil; cotações disponíveis recuam em diversas regiões produtoras
Publicado em 21/10/2026 15:51 | Atualizado em 21/10/2026 16:42

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Os preços futuros do milho encerraram a quarta-feira (21) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), interrompendo uma sequência de duas sessões consecutivas de perdas. Na Bolsa Brasileira (B3), a maior parte dos contratos também terminou o pregão com valorizações, mas o cenário foi diferente no mercado físico nacional, que registrou recuos em diversas regiões produtoras e nas referências portuárias.

Em Chicago, o vencimento dezembro/26 terminou o dia cotado a US$ 4,6325 por bushel, com valorização de 1,25 cent, equivalente a 0,27%. O março/27 também avançou 1,25 cent, encerrando a US$ 4,7725, enquanto o maio/27 registrou o mesmo ganho, valendo US$ 4,8525. O julho/27 fechou a US$ 4,9200 por bushel, com alta de 0,25%.

Durante a manhã, o contrato dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 4,5900 por bushel, acumulando perdas em relação ao fechamento de terça-feira. Entretanto, as cotações recuperaram terreno ao longo do dia e passaram ao campo positivo antes do encerramento. Apesar da reação, os ganhos foram insuficientes para compensar as desvalorizações observadas nas sessões anteriores.

O cenário de oferta continua sendo um dos principais pontos de atenção do mercado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 44% da área cultivada com milho no país estava colhida até o último domingo (18), contra 33% na semana anterior e média de 52% para esta época do ano. Embora os trabalhos permaneçam atrasados em relação ao ritmo histórico, a previsão de condições predominantemente secas no Meio-Oeste americano favorece a continuidade da colheita nos próximos dias.

Além da entrada da safra, os operadores seguem avaliando os números de produção e estoques apresentados pelo USDA em seu relatório de oferta e demanda de outubro. O departamento elevou a estimativa de produção americana de milho para 407,28 milhões de toneladas na temporada 2026/27, enquanto os estoques finais foram projetados em 46,97 milhões de toneladas. As estimativas reforçam a perspectiva de disponibilidade elevada do cereal, mesmo com a recuperação pontual dos preços nesta quarta-feira.

Do lado da demanda, as exportações americanas continuam entre os fatores acompanhados pelo mercado. Os dados mais recentes apresentaram sinais distintos, com recuo nas inspeções semanais de embarques e recuperação nos registros de vendas externas. Esse desempenho será importante para avaliar a capacidade de escoamento da produção dos Estados Unidos ao longo da temporada.

B3 encerra majoritariamente positiva, mas físico mantém pressão

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros do milho apresentaram resultados predominantemente positivos no encerramento desta quarta-feira. A exceção foi o vencimento novembro/26, que terminou cotado a R$ 65,74 por saca, com recuo de 0,33%.

O janeiro/27 registrou valorização de 0,40%, encerrando a R$ 70,22 por saca, enquanto o março/27 avançou 0,39%, cotado a R$ 75,19. O maio/27 subiu 0,58%, valendo R$ 74,36, e o julho/27 fechou a R$ 74,40, com ganho de 0,13%.

Apesar da recuperação de boa parte dos contratos futuros, o levantamento do Notícias Agrícolas mostrou predomínio de desvalorizações entre as cotações do mercado físico brasileiro com variações registradas.

No Paraná, houve recuos em Ubiratã, Marechal Cândido Rondon e Pato Branco. As perdas também apareceram em Sorriso, no Mato Grosso, e nas praças goianas de Jataí e Rio Verde. Em Mato Grosso do Sul, os preços caíram em São Gabriel do Oeste, Maracaju, Campo Grande e Eldorado, enquanto São Paulo registrou baixas em Cândido Mota e Itapetininga.

As referências portuárias também apresentaram desvalorizações, tanto em Paranaguá (PR) quanto em Santos (SP). Nas demais praças com preços informados e comparação disponível, as cotações permaneceram estáveis.

O enfraquecimento do mercado disponível ocorre em um contexto de pressão sobre as referências domésticas do milho. Segundo levantamento da Terra Investimentos, os principais indicadores acompanhados em Campinas (SP) acumulavam perdas entre 5,28% e 7,06% em outubro, até a terça-feira (20), considerando as metodologias de cada instituição.

Na América do Sul, o mercado também acompanha a evolução do plantio da safra de verão e seus possíveis efeitos sobre a oferta de milho em 2027. No Brasil, a melhora das condições de umidade em parte do Centro-Oeste favorece o avanço da semeadura da soja, enquanto a previsão de chuvas mais intensas no Sul pode interferir no ritmo dos trabalhos em algumas regiões. O calendário da soja seguirá sendo acompanhado por seus possíveis reflexos sobre a janela de implantação do milho de segunda safra.

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