Suco de laranja despenca em Nova York com estoques recompostos e consumo ainda enfraquecido
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Os contratos futuros do suco de laranja voltaram a registrar perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) na quarta-feira (21), em um mercado que continua enfrentando dificuldades para sustentar uma recuperação consistente dos preços. A recomposição dos estoques internacionais e a demanda enfraquecida nos principais países consumidores seguem entre os fundamentos de pressão sobre as cotações, mesmo diante da perspectiva de produção brasileira inferior à da temporada anterior.
Durante a tarde de quarta-feira, por volta das 14h43 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a 142,25 cents por libra-peso, com queda de 1,22%. O janeiro/27 recuava 2,72%, cotado a 144,95 cents, enquanto o março/27 registrava desvalorização de 2,28%, valendo 147,65 cents. O maio/27 apresentava a maior perda entre os vencimentos acompanhados, de 2,86%, negociado a 149,50 cents por libra-peso.
A pressão sobre os contratos reflete um cenário mais amplo de dificuldades para o mercado mundial de suco de laranja. Depois de um período de oferta extremamente restrita, que levou as cotações internacionais a níveis recordes em 2024, a maior disponibilidade do produto e a retração do consumo contribuíram para uma mudança importante na formação dos preços.
Segundo dados da Nielsen, compilados pela CitrusBR e divulgados em reportagem da Agência Estado no início de outubro, o volume de suco de laranja comercializado no varejo dos Estados Unidos caiu 7,2% nas 52 semanas encerradas em agosto de 2026, enquanto os preços médios ao consumidor aumentaram 9,3%.
A diferença entre a evolução das cotações internacionais e os valores praticados nos supermercados se tornou um dos principais desafios para o setor. Embora o suco tenha registrado forte desvalorização na bolsa desde as máximas de 2024, os consumidores americanos ainda não perceberam uma redução equivalente nos preços finais, limitando a recuperação das vendas.
Em análise divulgada em setembro, o Rabobank também destacou que os estoques internacionais de suco retornaram a níveis próximos da normalidade, reduzindo parte da pressão provocada pela escassez observada em temporadas anteriores. Para a instituição, uma recuperação mais consistente da demanda depende da evolução dos preços no varejo, embora indicadores recentes já apontem alguma estabilização dos volumes comercializados.
### Safra brasileira menor ainda não garante recuperação dos preços
No Brasil, maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, as perspectivas de produção continuam marcadas por desafios climáticos e fitossanitários.
Em setembro, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) revisou para cima a estimativa da safra 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, de 255,20 milhões para 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos. A atualização, equivalente a um aumento de 3,1%, foi atribuída principalmente ao maior peso dos frutos, favorecido pelas condições de chuva.
Apesar da revisão positiva, a produção estimada continua inferior às 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. O avanço do greening, os riscos climáticos e a pressão sobre a rentabilidade dos pomares permanecem entre os fatores que limitam o potencial produtivo da citricultura brasileira.
A perspectiva de uma safra menor, entretanto, não tem sido suficiente para sustentar uma recuperação consistente dos futuros em Nova York. Com estoques de suco mais confortáveis e consumo internacional ainda fragilizado, o mercado enfrenta dificuldades para absorver a oferta disponível a preços mais elevados.
Para os citricultores, o cenário amplia a atenção sobre a remuneração da laranja destinada à indústria. Além das osc
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