Seca avança em 14 estados e atinge 96% do Nordeste em setembro, aponta Monitor
A seca avançou em extensão e intensidade em boa parte do Brasil entre agosto e setembro de 2026, com destaque para as regiões Norte e Nordeste. De acordo com a atualização de setembro do Monitor de Secas, o fenômeno se intensificou em 14 unidades da Federação, enquanto 13 estados registraram aumento da área afetada. O Nordeste concentrou o quadro mais abrangente, com seca em 96% de seu território.
O levantamento aponta agravamento das condições em Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins. Em contrapartida, houve redução da severidade da seca em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão e Mato Grosso mantiveram a mesma condição de severidade. Os três estados do Sul - Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina - permaneceram livres de seca relativa.
Além da expansão territorial, o levantamento destaca o agravamento do fenômeno em áreas do Norte e Nordeste. Na Bahia, em Pernambuco e no Piauí, houve avanço da seca grave (S2). Em Sergipe, Alagoas e Paraíba, a condição passou de moderada (S1) para grave (S2).
O Nordeste apresentou o cenário mais preocupante entre as cinco regiões monitoradas. Em agosto, 28% da região já registrava seca grave. Na atualização de setembro, o fenômeno passou a atingir 96% do território nordestino, refletindo a piora dos indicadores e a elevação das temperaturas do ar.
Na Região Norte, a persistência de chuvas abaixo da média contribuiu para o agravamento da seca na maior parte dos estados. Houve avanço da categoria grave no Acre e em Roraima, além da expansão da seca fraca no Pará e no Amapá. Em uma área entre o leste do Amazonas e o oeste do Pará, a condição passou de moderada para grave.
Chuvas favorecem recuo da seca no Sudeste e Centro-Oeste
No Sudeste, as chuvas acima da média contribuíram para reduzir a intensidade da seca em partes de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo. O recuo da seca moderada foi observado no Triângulo Mineiro e no norte fluminense, enquanto áreas do sul de Minas Gerais e do sul do Rio de Janeiro passaram de seca moderada para fraca.
Em São Paulo, houve redução da área com seca fraca no sul e no leste do estado, ampliando as regiões sem registro do fenômeno. Por outro lado, o norte mineiro apresentou avanço da seca moderada, indicando que a melhora não ocorreu de maneira uniforme em toda a região.
No Centro-Oeste, as chuvas acima da média favoreceram a redução da área afetada em Mato Grosso do Sul, que deixou de registrar seca moderada. Em Goiás, a categoria moderada recuou no sudeste do estado. Já em Mato Grosso, a piora dos indicadores levou ao surgimento de seca fraca no noroeste.
Na Região Sul, a persistência de chuvas acima da normalidade nos últimos meses manteve Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sem seca relativa.
Monitor de Secas
O Monitor de Secas acompanha mensalmente a evolução do fenômeno em todo o território nacional, considerando indicadores climáticos e os impactos provocados pela falta de chuva em diferentes períodos. A análise distingue os efeitos de curto prazo, associados a déficits de precipitação de até seis meses, daqueles de longo prazo, relacionados a períodos superiores.
A classificação contempla diferentes níveis de severidade, desde seca fraca (S0) até seca excepcional (S4). A avaliação é relativa ao histórico climático de cada região, permitindo identificar mudanças nas condições de seca em relação ao comportamento habitual de cada localidade.
O mapa é elaborado a partir da colaboração dos estados participantes e de instituições parceiras, com etapas que incluem coleta de dados, cálculo de indicadores, elaboração preliminar, validação e divulgação dos resultados.
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