Soja de Mato Grosso deve render menos por hectare em 2026/27
Mato Grosso, maior produtor de soja do país, deve plantar mais e colher menos na safra 2026/27. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o ciclo, divulgado em 15 de outubro, projeta 13,08 milhões de hectares no estado, 0,6% a mais que na temporada passada, e uma produção de 50,9 milhões de toneladas, 1,4% menor. São cerca de 737 mil toneladas a menos, a maior redução entre os estados. A produtividade média deve recuar 2%, de 3.969 para 3.889 quilos por hectare, o equivalente a cerca de 64,8 sacas.
O levantamento também indica com que disposição o produtor chega a essa safra. Na análise da soja em Mato Grosso, a Conab registra que "é provável uma redução no pacote tecnológico devido às condições de aquisição de insumos e de maior cautela nos investimentos". O boletim menciona ainda os riscos associados ao El Niño, com temperaturas elevadas no início do ciclo.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) trabalha com um cenário mais conservador e projeta queda de 5,43% na produtividade, para 62,44 sacas por hectare, com produção de 48,88 milhões de toneladas. Nas contas do instituto, apresentadas em setembro em parceria com o Senar-MT, o custo total da lavoura sobe 16,69%, para R$ 8.171,41 por hectare, enquanto o Lajida, indicador de resultado operacional, recua 35,05%, para R$ 1.069,47 por hectare. Ainda em maio, o Imea já apontava a alta dos fertilizantes, sobretudo dos fosfatados, e do diesel como fatores de pressão sobre as margens, com ajustes esperados no pacote tecnológico.
Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a questão deste ciclo é decidir onde ajustar. "Com a margem apertada, muitos produtores vão precisar reduzir o investimento. O ponto é onde reduzir. Um corte feito sem critério pode custar mais na colheita do que foi economizado na compra dos insumos", afirma.
Segundo ele, o ponto de partida é conhecer a lavoura e aplicar os insumos de forma precisa. "A análise de solo, por exemplo, é uma ferramenta indispensável para o produtor, com ela é possível conhecer a realidade do solo, os nutrientes que estão limitando a produtividade e onde há reserva que permite ajustar a dose. Com essa informação, dá para reduzir custos sem tirar da planta o que ela precisa para se desenvolver", explica.
Além da pressão sobre os custos, as possíveis instabilidades climáticas reforçam a necessidade de um manejo mais criterioso. "Em um cenário de margens apertadas e incertezas climáticas, o produtor precisa ser ainda mais estratégico nas decisões. Conhecer as condições do solo, acompanhar o desenvolvimento da lavoura e direcionar os investimentos para o que realmente traz resultados são caminhos para preservar a produtividade, mesmo diante de um cenário mais desafiador", completa Vaz-Tostes.
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