Bom Dia Agro - Demanda por soja no Brasil pode mudar em 2027; preços do feijão em alta
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A regularidade e a intensidade das chuvas no Sul e no Sudeste do Brasil têm imposto fortes desafios aos produtores de feijão. De acordo com informações trazidas pelo presidente do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders, em participação no programa Bom Dia Agro, a sucessão ininterrupta de frentes frias vem atrasando tanto a finalização da colheita da terceira safra quanto o avanço do plantio da safra de verão, além de comprometer a qualidade dos grãos e a rentabilidade do agricultor.
Chuvas frequentes travam o campo e forçam colheita às pressas
O intervalo curto entre as frentes meteorológicas tem reduzido a janela operacional nas lavouras. No Paraná e no sudoeste paulista — englobando polos como Paranapanema e Itaí —, os produtores têm enfrentado dificuldades para retirar o grão da lavoura em condições adequadas de umidade.
Segundo Marcelo Lüders, a expressão do campo tem sido de urgência: "Estão roubando o feijão da chuva, porque quando dá um espaço, dá um dia de sol, corre lá tirar do campo". O dirigente destacou que, devido à baixa oferta pontual, os compradores estão buscando o produto diretamente na lavoura, sem tempo hábil para o processamento ou secagem por parte dos produtores.
Preços sobem, mas quebra de produtividade anula ganhos
Com estoques baixos e a colheita a conta-gotas, as cotações registraram alta ao longo da semana. O feijão carioca úmido colhido em São Paulo tem sido negociado na faixa de R$ 310 a R$ 330 a saca, podendo superar R$ 350 a saca para lotes que eventualmente escapem com padrão comercial superior. Em Minas Gerais (Noroeste e Triângulo), o feijão comercial atingiu de R$ 300 a R$ 305 a saca.
Apesar do patamar atrativo, a rentabilidade real não se concretiza de forma linear. "Teoricamente sim, mas na prática não. Essas lavouras estão sendo colhidas com perdas em produtividade ao redor de 30% a 40%, há quem tenha perdas maiores. O produtor teria que ter colhido o dobro para valer a pena. Então, está pagando metade da conta, apesar de o valor ser ótimo", avaliou Lüders.
Risco de escassez de sementes para a safrinha
O maior reflexo do atraso e das perdas na safra de verão deve ser sentido no primeiro semestre do próximo ano. Tradicionalmente, parte das áreas semeadas no Sul funciona como multiplicadora de sementes para a segunda safra, cultivada entre janeiro e fevereiro.
Com a quebra atual e o desestímulo anterior em relação ao feijão preto — afetado por preços abaixo do custo ao longo do ano —, os estoques estão enxutos e projeta-se um déficit no fornecimento de sementes. O presidente do Ibrafe recomendou atenção imediata: "Fica a dica para o produtor que pretende plantar qualquer feijão para o ano que vem: já vá se prevenindo com as sementes. Todos os feijões vão estar valorizados no primeiro semestre e ele precisa tomar algumas medidas agora".
Perspectivas para a cadeia produtiva
O atual ciclo ressalta a vulnerabilidade da cultura do feijão à instabilidade climática e evidencia os reflexos diretos nas decisões de plantio subsequentes. Diante da probabilidade de demanda aquecida e oferta restrita de insumos essenciais nos primeiros meses do próximo ano, o planejamento antecipado de sementes e a diversificação de cultivares despontam como fatores determinantes para mitigar riscos econômicos no campo.
* Com auxílio de IA
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