Soja fecha sexta-feira em alta em Chicago, mas acumula perdas de até 0,64% na semana
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Os preços futuros da soja encerraram a sexta-feira (23) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), dando continuidade à recuperação observada na sessão anterior. Apesar dos ganhos recentes, as cotações não conseguiram reverter integralmente as perdas acumuladas ao longo da semana, período marcado pela pressão da colheita nos Estados Unidos e pelos sinais de demanda chinesa pelo produto norte-americano.
O contrato novembro/26 fechou cotado a US$ 12,5650 por bushel, com valorização de 3,50 pontos, equivalente a 0,28%. O janeiro/27 avançou 3,75 pontos, para US$ 12,6850 por bushel, enquanto março/27 subiu 4,50 pontos, encerrando a US$ 12,7600. O vencimento maio/27 registrou ganho de 5,25 pontos e terminou cotado a US$ 12,8400 por bushel.
No acumulado da semana, entretanto, todos os principais vencimentos registraram perdas. O novembro/26 recuou 0,38% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (16), enquanto janeiro/27 perdeu 0,57%. Os contratos março e maio de 2027 acumularam desvalorização de 0,64% cada, mostrando que a recuperação dos últimos pregões não foi suficiente para reverter o saldo negativo do período.
Demanda chinesa oferece suporte, mas colheita americana mantém pressão
Entre os fatores acompanhados pelo mercado, os números recentes das exportações norte-americanas de soja ganharam destaque. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou vendas líquidas de aproximadamente 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, com a China respondendo por cerca de 2,18 milhões de toneladas do total.
O volume reforçou a importância da demanda chinesa para o escoamento da produção americana, especialmente em um momento de entrada da nova safra no mercado. Ainda assim, os operadores seguem atentos ao avanço dos trabalhos de campo e às perspectivas de uma colheita recorde nos Estados Unidos.
Segundo o último relatório de acompanhamento do USDA, a colheita da soja norte-americana havia alcançado 64% da área até 18 de outubro, avanço de 18 pontos percentuais em uma semana. O índice ficou próximo da média dos últimos cinco anos, de 65%, indicando recuperação do ritmo dos trabalhos após os atrasos registrados em determinadas regiões produtoras.
A combinação de oferta elevada e demanda externa segue influenciando as cotações em Chicago. Enquanto as vendas para a China oferecem sustentação aos preços, a disponibilidade de soja recém-colhida mantém a atenção sobre o ritmo de comercialização e de embarques nas próximas semanas.
No Brasil, produtores seguem cautelosos nas negociações
No mercado brasileiro, a semana também foi marcada pela baixa movimentação comercial. Segundo a Safras & Mercado, os produtores permaneceram retraídos diante das perdas recentes em Chicago e do comportamento do câmbio, com o dólar próximo de R$ 5,00. A recuperação das cotações internacionais na quinta-feira não havia sido suficiente para estimular uma retomada mais expressiva dos negócios.
Além dos preços, a implantação da safra 2026/27 concentra parte das atenções dos produtores. O plantio ganhou velocidade nas últimas semanas com a melhora das condições de umidade em áreas do Centro-Oeste, embora o ritmo permaneça desigual entre regiões.
No Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontou 51,86% da área de soja semeada até 16 de outubro, avanço de 18,58 pontos percentuais em uma semana. No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) registrou 30,1% da área plantada na mesma data, acima dos 21,4% observados em igual período do ano passado.
Para os próximos pregões, o mercado seguirá acompanhando o avanço da colheita norte-americana, a confirmação de novas compras chinesas e as condições climáticas para o desenvolvimento da safra brasileira. A evolução desses fatores será importante para determinar se a recuperação observada no fim desta semana poderá ganhar continuidade em Chicago.
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