Açúcar sobe nas bolsas com queda na produção do Brasil e alerta para Super El Niño

UNICA aponta recuo de 5,6% na produção do Centro-Sul em agosto; chuvas e riscos associados ao Super El Niño reforçam as preocupações com a oferta global.
Publicado em 23/10/2026 16:07 | Atualizado em 23/10/2026 16:48

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Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (23), sustentados pela queda na produção do Centro-Sul do Brasil e pelas preocupações com os impactos climáticos sobre a oferta mundial. As chuvas recentes no principal polo produtor brasileiro interromperam atividades de colheita e moagem, enquanto o desenvolvimento de um Super El Niño aumenta as incertezas sobre a produção nos principais países produtores.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 avançou 11 pontos, encerrando o pregão em alta. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 9 pontos, para US$ 534,80 por tonelada.

Produção brasileira recua em agosto

Um dos fatores de sustentação das cotações foi o balanço divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). Segundo a entidade, a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu 5,6% em agosto, na comparação anual, para 7,089 milhões de toneladas.

As chuvas fortes registradas recentemente na região prejudicaram o avanço da colheita e a moagem nas usinas, limitando a oferta no curto prazo. Como o Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, mudanças no ritmo das atividades do setor sucroenergético têm impacto direto sobre as expectativas do mercado internacional.

Super El Niño aumenta preocupação com a oferta

O cenário climático também contribui para sustentar os preços. O Super El Niño em desenvolvimento no Oceano Pacífico pode alterar os padrões de chuva no Brasil, na Índia e na Tailândia, três importantes regiões produtoras de açúcar, elevando os riscos para as próximas safras.

Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro ficaram 12,6% abaixo da média, o menor volume em 11 anos. O país é o segundo maior produtor mundial de açúcar, e as condições climáticas seguem no radar dos agentes do mercado.

Índia mantém importações no radar

A política comercial indiana também influencia as perspectivas de oferta e demanda. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos até 31 de outubro. Na quarta-feira (22), o prazo foi prorrogado até 31 de dezembro, abrindo espaço para compras adicionais no mercado internacional.

A Índia normalmente exporta açúcar, mas a autorização para importações indica preocupação com o abastecimento interno. Para a safra 2025/26, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) estima produção de 32 milhões de toneladas, abaixo da projeção anterior de 32,4 milhões de toneladas, e exportações de 800 mil toneladas.

Déficit global reforça suporte às cotações

As perspectivas para a oferta mundial também ajudam a limitar as perdas e sustentar os preços. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta que a produção global cairá 1% em 2026/27, para 180,1 milhões de toneladas, com déficit estimado em 200 mil toneladas.

A entidade aponta o potencial impacto do El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia como um dos fatores para a redução prevista. Com a queda na produção brasileira em agosto e as incertezas climáticas nas principais regiões produtoras, o mercado segue atento aos próximos dados de moagem e às atualizações das estimativas globais de oferta.


 

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