Lula é reeleito presidente: veja o que promete ao agro e quais cobranças encontrará no setor
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente da República para o mandato que começa em janeiro de 2027.
Durante a campanha eleitoral, o Notícias Agrícolas acompanhou os dois lados da discussão sobre o futuro das políticas para o campo. De um lado, analisou os planos de governo apresentados pelos candidatos à Justiça Eleitoral, reunindo propostas para crédito, seguro rural, fertilizantes, infraestrutura, tributação, comércio exterior, tecnologia, meio ambiente, política fundiária e outras áreas ligadas à produção. De outro, ouviu representantes de diferentes cadeias produtivas, da indústria e especialistas na série especial "E Agora, Presidente?”, composta por 13 reportagens que mapearam demandas para o próximo governo.
Com o resultado das urnas, as duas pontas dessa cobertura se encontram: quais problemas o setor colocou sobre a mesa e o que Lula registrou em seu programa de governo para essas áreas.
Crédito e seguro rural entram entre as primeiras cobranças
Juros elevados, acesso ao financiamento e instrumentos para administrar o risco apareceram repetidamente na série “E Agora, Presidente?”. Milho, arroz, algodão e máquinas agrícolas mostraram impactos diferentes do custo do capital, enquanto seguro rural e Proagro apareceram entre as prioridades em determinadas regiões. No feijão, a demanda foi por maior articulação entre crédito, seguro, pesquisa, assistência técnica, armazenagem e instrumentos de comercialização.
O programa de Lula prevê continuar fortalecendo o crédito rural, ampliar os recursos destinados ao Plano Safra e trabalhar com taxas de juros compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária. Também propõe priorizar financiamentos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, além de diversificar as fontes de recursos por meio do mercado de capitais e de títulos relacionados ao agronegócio.
Para o seguro rural, Lula prevê fortalecimento do instrumento e diálogo com o setor para construção de um mecanismo destinado à mitigação de perdas sistêmicas provocadas por quebras severas de safra. Educação para gestão de riscos e integração entre seguro, comercialização e instrumentos de proteção financeira também aparecem no documento.
Infraestrutura terá de atender demandas diferentes
As reportagens da série mostraram que infraestrutura significa coisas diferentes conforme a cadeia. Para o milho, entram armazenagem, irrigação, rodovias, ferrovias e portos. No arroz, os custos logísticos interferem na competitividade diante de outras origens. Para frutas, legumes e verduras, a infraestrutura passa também por packing houses, câmaras frias, áreas refrigeradas, contêineres e rapidez entre a colheita e a chegada ao mercado.
Lula propõe manter, por meio do Novo PAC, a articulação entre investimentos públicos e privados em infraestrutura. O programa prevê continuidade de obras e concessões, novas concessões rodoviárias, investimentos ferroviários por novos projetos e repactuação de contratos, além de arrendamentos portuários e concessões de canais de acesso e serviços.
O documento também prevê planejamento de longo prazo envolvendo os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário, aéreo e marítimo. A execução desses investimentos e sua conexão com necessidades diferentes entre as cadeias estarão entre os pontos a acompanhar no novo mandato.
Competitividade envolve juros, tributação e previsibilidade
Algodão, arroz, cana-de-açúcar, etanol e máquinas agrícolas colocaram diferentes aspectos da competitividade entre suas preocupações. Custo financeiro, transição tributária, segurança jurídica e previsibilidade para investir apareceram em diversos momentos da série.
No programa de Lula, a reforma tributária aprovada durante o atual mandato aparece como parte do contexto econômico apresentado pelo documento. Entre as propostas para o período seguinte está, durante a regulamentação, a utilização do Imposto Seletivo para desestimular produtos classificados pelo programa como prejudiciais à saúde.
Para o setor, a regulamentação do novo sistema e seus efeitos sobre produção, investimento, exportações e diferentes cadeias agroindustriais estarão entre os temas a acompanhar a partir de 2027.
Fertilizantes, insumos e pesquisa entram na agenda
A dependência brasileira de insumos importados foi outro ponto levantado na série “E Agora, Presidente?”. Para fertilizantes, representantes do setor apontaram exposição a choques internacionais de preços, disponibilidade e logística. Em defensivos, as demandas passam por previsibilidade regulatória, inovação, acesso às tecnologias e combate ao mercado ilegal.
Lula afirma em seu programa que pretende continuar acelerando a produção nacional de fertilizantes. No capítulo dedicado à agricultura familiar, o documento também prevê ampliar a produção nacional de bioinsumos como estratégia para reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados.
A agenda de pesquisa aparece associada ao fortalecimento da Embrapa e à ampliação de investimentos em biotecnologia, edição genética e desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas e à seca.
Comércio exterior: abertura de mercados continuará no radar
Produzir com competitividade não encerra as demandas levantadas pelo setor. Algodão, arroz e etanol colocaram acesso e diversificação de mercados entre suas prioridades, enquanto reportagem da série com o ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera discutiu a necessidade de uma diplomacia comercial mais ativa e de maior participação brasileira na construção das regras que afetam o comércio agrícola internacional.
O programa de Lula prevê continuar a abertura de mercados para produtos agrícolas e pecuários brasileiros, fortalecer a diplomacia comercial, promover a imagem do agronegócio, ampliar a atuação dos adidos agrícolas em mercados estratégicos e realizar missões comerciais. Em outro capítulo, o documento também prevê estímulo às exportações industriais, presença em novos mercados, agregação de valor aos produtos brasileiros e fortalecimento de instrumentos de defesa comercial.
Diferentes cadeias cobram políticas diferentes
Uma das conclusões das 13 reportagens da série foi a dificuldade de reduzir todas as demandas do agro a uma única política agrícola. No milho, os gargalos mudam conforme a região. Nos FLVs, perecibilidade e cadeia fria alteram a lógica de financiamento, seguro e logística. O cacau cobra políticas capazes de ampliar a produção ao mesmo tempo em que preservam a competitividade da indústria. O feijão demanda maior coordenação entre diferentes instrumentos já existentes.
O programa de Lula dedica um conjunto específico de propostas à agricultura familiar, incluindo ampliação do Plano Safra do segmento, linhas de crédito para agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e máquinas, além de condições diferenciadas para jovens, mulheres, cooperativas e associações. Também prevê fortalecer o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), o Garantia-Safra, o Mais Alimentos e mecanismos voltados à comercialização das agroindústrias familiares.
No campo fundiário, o programa propõe dar continuidade à reforma agrária, estruturar assentamentos, ampliar o crédito fundiário e avançar na regularização de terras, além da titulação de territórios quilombolas e da regularização dos territórios de povos e comunidades tradicionais.
Clima, tecnologia, rastreabilidade e bioenergia também entram na agenda
A exposição da produção aos eventos climáticos apareceu em diferentes segmentos ouvidos pelo Notícias Agrícolas. Lula propõe um programa nacional de resiliência climática rural envolvendo irrigação, conservação dos solos, agricultura de precisão, plantio direto, monitoramento meteorológico e sistemas de alerta precoce.
O programa também prevê recuperação de pastagens degradadas e estímulo à integração lavoura-pecuária-floresta. Na pecuária, propõe avançar na rastreabilidade individual de bovinos desde o nascimento até o abate, relacionando a medida ao atendimento de exigências dos mercados internacionais.
Na tecnologia, aparecem fortalecimento da Embrapa, ampliação da conectividade rural, expansão do 5G e utilização de inteligência artificial no agronegócio. Em bioenergia, o documento prevê continuar ampliando a produção e o uso de etanol de milho e cana-de-açúcar, biodiesel e combustível sustentável de aviação, além de aproveitar resíduos e subprodutos agroindustriais para geração de bioenergia e biogás.
A eleição termina; o acompanhamento começa
Com a definição do presidente, parte das atenções agora se deslocará das propostas eleitorais para a composição do governo que inicia seu novo mandato em janeiro e para a transformação das promessas em políticas públicas. Entre os primeiros pontos a acompanhar estarão a definição da equipe para Agricultura, Fazenda, Meio Ambiente e Infraestrutura, a execução e eventuais ajustes no Orçamento de 2027 e as primeiras indicações sobre crédito, seguro rural e política comercial.
O Plano Safra 2027/28 será uma das primeiras grandes políticas agrícolas inteiramente elaboradas no novo mandato. Também estarão no radar a regulamentação tributária, a política de fertilizantes e insumos, os investimentos em infraestrutura, a abertura de mercados, as políticas ambientais e a relação do Executivo com o novo Congresso.
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