ETF de ações brasileiras em Tóquio desaba quase 13% após Lula vencer eleição
![]()
SÃO PAULO, 25 Out (Reuters) - Um fundo de ações brasileiras (ETF) listado na Bolsa de Tóquio desabava nos primeiros negócios de segunda-feira na Ásia, após o resultado da eleição no Brasil, com vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugerindo uma abertura bastante negativa na bolsa brasileira no primeiro pregão após o desfecho da disputa.
Nos primeiros negócios em Tóquio, o Nomura NF Ibovespa Link ETF caía 12,75%, para 285,3 ienes.
Lula conquistou neste domingo um inédito quarto mandato na Presidência da República, em um resultado histórico que marcou a primeira vez que um candidato que ficou atrás no primeiro turno se sagrou vencedor da disputa pelo Palácio do Planalto. Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por 51,77% a 48,23%, com 99,91% das seções apuradas.
O desfecho contrariou pesquisas que mostravam Flávio à frente, mesmo que por uma margem estreita, com empate técnico. Após o resultado do primeiro turno da eleição, que foi liderado por Flávio, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, fechou em alta de 7,7%.
"O resultado contraria o cenário base e entrega a maior surpresa desta eleição com a vitória de Lula. O mercado não estava posicionado para este desfecho", afirmou o head de multimercados do ASA, Felipe Balassiano.
"Diferente dos cenários de vitória de Bolsonaro -- onde quanto maior a vantagem, melhor andariam os ativos --, amanhã devemos passar por um ajuste severo de preços na abertura. Esperamos forte volatilidade, com pressão de queda na bolsa, depreciação do real e abertura das curvas de juros, até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal", afirmou, em comentário enviado à imprensa após o anúncio do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao comentar o impacto no curto prazo, o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, afirmou que os sinais apontam para uma queda expressiva no mercado de ações brasileiro, revertendo boa parte do movimento visto após o primeiro turno, quando a vitória de Flávio Bolsonaro alimentou a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e mais comprometida com a questão fiscal.
Ele disse que espera um período relativamente conturbado no curto prazo, afirmando que não se pode ignorar que foi um resultado apertado e uma virada que chama a atenção.
O estrategista também citou que questões relacionadas ao andamento da votação em algumas localidades e acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) durante o processo eleitoral adicionam incerteza ao cenário.
"Tudo isso pode trazer volatilidade. Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos."
(Paula Arend Laier em São Paulo e Por Rocky Swift em Tóquio)
(Por Paula Arend Laier)