Bom Dia Agro - Soja abre a segunda-feira recuando mais de 1% e Brasil confirma mais um caso de Newcastle em SC

Semana começa com fortes baixas também para o açúcar e para o café na Bolsa de NY
Publicado em 26/10/2026 09:11
Bom Dia Agro - Com Guilherme Dorigatti

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A semana começou com forte movimentação e volatilidade para o agronegócio. As principais commodities agrícolas abriram a segunda-feira em terreno negativo nas bolsas internacionais, pressionadas pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelo comportamento dos mercados financeiros globais. Ao mesmo tempo, o cenário doméstico brasileiro opera sob o reflexo da definição eleitoral, de fortes oscilações no câmbio e de atualizações sanitárias e de safras no mercado interno.

Cotações internacionais operam em queda na abertura

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja iniciaram o dia com desvalorizações superiores a 1%, fazendo com que os vencimentos mais próximos voltassem a operar abaixo da marca de US$ 12,50 por bushel. A pressão decorre principalmente do avanço dos trabalhos de campo no Meio-Oeste norte-americano, cuja colheita já havia atingido 64% da área cultivada até a última semana, com previsão de atualização pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O milho em Chicago também abriu em baixa, registrando perdas em torno de três pontos nos primeiros vencimentos, cotado próximo a US$ 4,52 por bushel para dezembro. Já o trigo apresentou estabilidade a leves altas pontuais. Em Nova York, o algodão recuou próximo de 1%, o açúcar caiu mais de 2% (acompanhando o petróleo Brent, que cedeu quase 2% e voltou a ficar abaixo de US$ 110 por barril) e o café operou com recuo superior a 1% a 2%, mantendo a volatilidade observada nas últimas semanas diante das incertezas quanto à oferta global e aos estoques certificados.

Câmbio, custos e comercialização: a análise de Eduardo Vanin

Em participação no programa, o analista de mercado da Marex e da AgriInvest, Eduardo Vanin, avaliou que o mercado enfrenta um início de semana atípico e de grande estresse nos ativos brasileiros negociados no exterior. Com a forte desvalorização do real frente ao dólar e a queda expressiva dos índices e ETFs brasileiros no exterior, a dinâmica de preços ganha contornos complexos para o produtor.

"O câmbio subindo vai ser positivo para a precificação da soja e do milho", destacou Vanin, lembrando que a moeda americana mais alta reduz custos de originação em dólar para o exportador e melhora a paridade em reais. Segundo o analista, o ritmo de vendas do milho pelo produtor (farmer selling) segue relativamente acelerado para a safrinha (em torno de 67% comercializado, contra 63% no ano passado), enquanto a soja caminha em ritmo mais lento.

Por outro lado, Vanin fez alertas rigorosos para os custos de produção e transporte. "O maior impacto, além do custo para o produtor, é no frete. Alguém vai ter que pagar essa conta mais salgada", afirmou. O analista apontou que o encarecimento esperado para o óleo diesel — com o término ou inviabilidade de subsídios fiscais —, somado a uma taxa Selic que tende a não cair com a rapidez esperada devido às pressões inflacionárias, deve onerar a logística e a concentração da colheita da safra de verão.

USDA enfrenta críticas após erro nos números do milho

Outro fator de peso que repercutiu nos negócios foi o reconhecimento, por parte do USDA, de um erro metodológico nos relatórios de rendimento de milho referentes a setembro. A falha técnica envolveu a ponderação incorreta de lavouras irrigadas e não irrigadas nos estados do Kansas e de Nebraska.

A revisão elevou os questionamentos sobre a credibilidade das estimativas oficiais. A National Corn Growers Association (NCGA), por meio de seu presidente Matt Frostic, criticou duramente a falha, apontando que os dados incorretos provocaram perdas de bilhões de dólares no valor de mercado para os produtores em um período de margens já apertadas. Conforme apontou Vanin, o milho norte-americano vem perdendo espaço e competitividade frente às origens da Argentina e do Brasil, que segue mais competitivo para suprir a demanda da Ásia e de outros mercados globais.

Cenário doméstico: feijão, mandioca e sanidade animal

No mercado interno brasileiro, levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontaram alta nos preços do feijão (carioca e preto), impulsionada pela demanda do varejo e pela oferta restrita de lotes de alta qualidade. De acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), o excesso de chuvas no Sul do país tem prejudicado a colheita da terceira safra e atrasado o plantio da safra das águas, gerando alertas de possível escassez de sementes para a segunda safra. Na mandioca, a oferta restrita diante das chuvas no Paraná também sustentou as cotações nos maiores patamares em meses.

Na sanidade animal, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a identificação de um novo foco da Doença de Newcastle em um estabelecimento comercial no município de Coronel Freitas (SC), dentro da área de contenção já delimitada após o primeiro caso. Medidas de despopulação e vigilância epidemiológica seguem em andamento pelo Serviço Veterinário Oficial, enquanto o setor monitora os impactos dos embargos comerciais adotados por diferentes países importadores.

Definição eleitoral e pautas prioritárias do setor

O cenário político nacional também pautou as análises após o encerramento do segundo turno presidencial, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O setor produtivo articula demandas prioritárias já apresentadas nas propostas setoriais, com destaque para a ampliação de recursos e taxas compatíveis no crédito rural (Plano Safra), o fortalecimento do seguro agrícola, melhorias logísticas de armazenagem e transporte, incentivo a bioinsumos e a abertura de novos mercados internacionais.

Na esfera política, o candidato derrotado, senador Flávio Bolsonaro, convocou pronunciamento à imprensa criticando decisões tomadas durante o pleito — como a prorrogação do horário de votação pelo Supremo Tribunal Federal — e declarou intenção de contestar o resultado na Justiça Eleitoral. O mercado financeiro e os agentes do agronegócio seguem atentos aos desdobramentos institucionais e aos seus reflexos sobre as políticas públicas voltadas ao campo.

* Com auxílio de IA

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