Chuvas acendem alerta para doenças em vacas leiteiras; perdas podem chegar a 98% da margem bruta

Umidade e acúmulo de barro favorecem problemas como mastite e infecções nos cascos, exigindo atenção redobrada dos produtores
Publicado em 26/10/2026 11:13

Com o início do período chuvoso em diversas regiões do Brasil, produtores de leite precisam intensificar os cuidados sanitários para proteger a saúde do rebanho e evitar prejuízos à produção. O aumento da umidade, a formação de barro e a maior exposição a agentes infecciosos favorecem diversas doenças nas vacas leiteiras. Diante desse cenário, a Zoetis, líder global em saúde animal, reforça a importância do manejo preventivo, do monitoramento dos animais e do acompanhamento veterinário para reduzir os impactos sobre a produtividade e o bem-estar das vacas leiteiras. 

Entre os principais desafios está a mastite, inflamação da glândula mamária que compromete a qualidade do leite e pode provocar perdas econômicas significativas. Segundo análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base em dados do Projeto Campo Futuro, realizado em parceria com o Cepea/ESALQ-USP, diferentes cenários de ocorrência da doença em uma propriedade leiteira típica de Uberlândia (MG) poderiam gerar prejuízos anuais entre R$ 8 mil e R$ 14,4 mil, comprometendo de 55% a 98% da margem bruta anual da propriedade analisada. 

O levantamento também destaca que, dependendo do agente causador, a mastite subclínica pode provocar perdas de 0,18 a 0,88 litro de leite por dia, por teto afetado. Como essa forma da doença não apresenta alterações visíveis no leite ou no úbere, o problema pode passar despercebido e comprometer gradualmente o desempenho produtivo do rebanho¹. 

Além da mastite, outras doenças também exigem atenção durante o período chuvoso. O acúmulo de barro e a umidade excessiva podem favorecer infecções nos cascos, comprometendo a locomoção e o bem-estar dos animais. Já a leptospirose pode ser transmitida pelo contato com água e solo contaminados pela urina de animais infectados, enquanto as condições de maior umidade podem favorecer o desenvolvimento de determinados parasitas, ampliando os desafios sanitários nas propriedades leiteiras. 

Mastite exige atenção redobrada durante as chuvas 

Durante o período chuvoso, o acúmulo de água e matéria orgânica nas instalações favorece a exposição a bactérias ambientais, como a Escherichia coli, que podem provocar infecções na glândula mamária. O risco merece atenção especial em propriedades com áreas de descanso úmidas, drenagem inadequada e falhas nos procedimentos de higiene. 

“A mastite é um dos principais desafios sanitários da pecuária leiteira, e as condições ambientais têm influência direta sobre a exposição dos animais aos agentes causadores da doença. Durante as chuvas, é fundamental reforçar a higiene das instalações e da ordenha, além de acompanhar de perto a saúde mamária do rebanho. A prevenção e a identificação precoce dos casos são essenciais para reduzir perdas produtivas e preservar a qualidade do leite”, explica Daniel Miranda, Gerente de Produto da linha de Leite Zoetis Brasil. 

A doença pode se manifestar de forma clínica, com alterações visíveis no leite, como grumos, e sinais de inflamação no úbere, ou subclínica, quando não há manifestações aparentes. Por isso, medidas como o acompanhamento da contagem de células somáticas (CCS) e a realização de exames complementares, quando indicados, são importantes para a identificação e o monitoramento dos casos. 

Além disso, manter as áreas de descanso limpas e secas, evitar o acúmulo de barro e garantir o escoamento adequado da água da chuva são medidas importantes para reduzir os riscos de contaminação. A higienização correta dos tetos antes e depois da ordenha também é essencial para prevenir infecções mamárias. 

Problemas nos cascos e leptospirose também merecem atenção 

Embora a mastite seja uma das principais preocupações, as chuvas também exigem cuidados com outras doenças que afetam a saúde e o desempenho das vacas leiteiras. Como a dermatite digital, infecção bacteriana que provoca lesões dolorosas e dificulta a locomoção dos animais. Um estudo científico apontou que vacas com a doença apresentaram uma redução média de 0,7 kg por dia na produção de leite, considerando uma medida ajustada pelos teores de gordura e proteína, em comparação com animais saudáveis². 

Outro ponto de atenção é a leptospirose, doença bacteriana cuja transmissão pode ocorrer pelo contato com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados. A enfermidade pode provocar problemas reprodutivos, incluindo abortos, além de representar riscos à saúde humana. A exposição a ambientes contaminados reforça a importância das medidas de biosseguridade e dos programas de vacinação. 

A maior umidade também pode favorecer o desenvolvimento de determinados parasitas e a proliferação de insetos, ampliando os desafios de controle sanitário nas propriedades. Nesse contexto, o manejo adequado das pastagens, a limpeza das instalações e o monitoramento das condições de saúde dos animais são medidas importantes para reduzir a exposição aos diferentes agentes. 

“Durante o período chuvoso, o produtor precisa olhar para a saúde do rebanho de forma integrada. Além da mastite, problemas nos cascos, doenças infecciosas e parasitoses podem comprometer o bem-estar dos animais e a eficiência produtiva. Por isso, é importante manter um calendário sanitário atualizado, observar mudanças no comportamento das vacas e contar com orientação veterinária para definir as medidas preventivas mais adequadas a cada propriedade”, destaca Daniel. 

Diagnóstico e tratamentos adequados 

Mesmo com a adoção de medidas preventivas, doenças podem afetar o rebanho durante o período chuvoso. Por isso, o diagnóstico precoce e a definição do tratamento adequado são fundamentais para reduzir os impactos sobre a saúde e a produtividade dos animais. 

Para o tratamento da mastite clínica em vacas lactantes, a Zoetis conta com soluções como o Spectramast® LC, medicamento intramamário indicados conforme os agentes envolvidos e as recomendações de bula. Já para determinadas lesões e infecções nos cascos, a empresa disponibiliza o Excede, antibiótico injetável com amplo espectro de ação, indicado para problemas de casco, doenças respiratórias e metrite 

Na prevenção de doenças infecciosas, a Zoetis também conta com o CattleMaster® Gold FP 5/L5, vacina multivalente que auxilia na proteção contra a leptospirose e determinadas doenças virais reprodutivas e respiratórias dos bovinos. 

A escolha dos tratamentos e dos protocolos de vacinação deve ser orientada pelo médico-veterinário, considerando as condições de cada propriedade, as indicações de bula e os períodos de carência aplicáveis. 

Com a intensificação das chuvas, a combinação entre boas práticas de manejo, prevenção e acompanhamento veterinário contribui para preservar a saúde das vacas leiteiras, reduzir perdas produtivas e garantir a qualidade do leite. 

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