Ativos brasileiros desabam após eleição e mercado precifica alta da Selic em novembro
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A manhã desta segunda-feira pós-eleição foi de derrocada para os ativos brasileiros e de pessimismo nas mesas de operação, com muitos investidores realizando prejuízos e alterando as apostas para o futuro das políticas monetária e fiscal no Brasil.
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto pegou boa parte dos investidores no contrapé. Na sexta-feira, antes do segundo turno, os ativos brasileiros haviam ganhado força durante a tarde em meio a forte expectativa de que Flávio vencesse.
Nesta segunda-feira, com a reeleição de Lula, o Ibovespa chegou a ceder mais de 15%, o dólar disparou para acima dos R$5,50 e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiram mais de 300 pontos-base em um primeiro momento.
A B3 tentou conter a forte pressão sobre os ativos ao acionar o circuit breaker nos primeiros minutos do pregão de ações, além de ter expandido logo cedo os limites de alta dos contratos futuros.
Com o circuit breaker, a B3 suspendeu por 30 minutos as negociações de ações, opções e índices, entre outros ativos. No mercado de dólar futuro, a B3 comunicou logo cedo a ampliação de 6% para 8,4% do limite de alta de todos os vencimentos. Depois, ampliou novamente de 8,4% para 12%. Nos DIs, os limites de alta das taxas também foram elevados.
Com essas medidas, as negociações foram interrompidas em vários momentos para que o mercado pudesse encontrar preços de equilíbrio.
Em outra medida, o Tesouro Nacional informou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira. Por outro lado, o Tesouro manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira. Ao anunciar os cancelamentos, o Tesouro buscou não estimular taxas ainda mais elevadas nos mercados de títulos e de DIs.
No fim da manhã, o Tesouro também realizou um leilão extraordinário de recompra de títulos prefixados, no valor total de cerca de R$7,1 bilhões. Ao recomprar títulos em posse do mercado, o Tesouro atua para suavizar a disparada das taxas.
Passada a pressão inicial, às 12h51 o Ibovespa cedia 14,1%, aos 176.155,89 pontos, o dólar à vista tinha alta de 8,81%, aos R$5,4291, e o DI para janeiro de 2031 subia 289 pontos-base, aos 15,53%.
O movimento dos ativos brasileiros devolve ganhos registrados na euforia pós-primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula.
Na curva de DIs, as altas das taxas elevaram os prêmios de risco para níveis acima dos vistos antes do primeiro turno, com investidores precificando uma piora da situação fiscal no longo prazo.
Boa parte do mercado acreditava que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado propostas concretas de ajuste ao longo da campanha.
Assim, a vitória de Lula impulsionou as taxas na ponta longa nesta segunda-feira, com os investidores se posicionando para uma política fiscal menos rígida.
ALTA DA SELIC
Na ponta curta da curva, as taxas também dispararam, alterando a perspectiva para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic, hoje em 13,75%.
No fim da manhã a curva precificava cerca de 75% de probabilidade de elevação de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, contra 25% de chance de manutenção. Antes do segundo turno havia quase 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. Além disso, a curva passou a precificar nova alta de 50 pontos-base em dezembro e de 25 pontos-base em janeiro.
De acordo com Lais Costa, analista da Empiricus Research, a nova precificação sobre a Selic tem sua racionalidade por conta do dólar, que acima dos R$5,50 exerce maior pressão inflacionária, e da deterioração das expectativas.
O relatório Focus divulgado mais cedo trouxe projeções calculadas até a última sexta-feira -- portanto antes do segundo turno. Nele, as expectativas de inflação estão em 5,19% em 2026, 4,34% em 2027 e 3,75% em 2028. No caso do dólar, a projeção é de R$5,05 no fim deste ano.
Essas projeções tendem a ser revistas nesta semana, já sob a perspectiva de continuidade do governo Lula.
(Edição de Isabel Versiani)
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