Milho fecha com altas de até 2,65% na B3 impulsionado pelo dólar, enquanto Chicago termina em queda

Valorização cambial após resultado das eleições favorece contratos brasileiros; mercado físico registra quatro praças em alta e apenas uma em baixa
Publicado em 26/10/2026 15:42 | Atualizado em 26/10/2026 16:44

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Os preços futuros do milho encerraram a segunda-feira (26) em direções opostas nas bolsas brasileira e norte-americana. Enquanto Chicago terminou com perdas moderadas, os contratos negociados na B3 registraram valorizações de até 2,65%, impulsionados pela forte alta do dólar diante do real após o segundo turno das eleições presidenciais. No mercado físico brasileiro, também foram registradas altas em algumas regiões, embora a maior parte das praças tenha permanecido estável.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato dezembro/26 fechou cotado a US$ 4,5500 por bushel, com desvalorização de 1 cent, equivalente a 0,22%. O março/27 recuou 1,50 cent, encerrando a US$ 4,6875 por bushel, enquanto o maio/27 também perdeu 1,50 cent e terminou negociado a US$ 4,7750. O julho/27 registrou a mesma perda e fechou a US$ 4,8400 por bushel.

Durante a manhã, as quedas chegaram a ser mais expressivas. Por volta das 7h26 (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a US$ 4,5300 por bushel, com recuo de 3 cents em relação à sexta-feira. A recuperação parcial até o fechamento diminuiu a intensidade da desvalorização, mas não foi suficiente para levar os contratos ao campo positivo.

Dólar sustenta forte valorização do milho na B3

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros do milho apresentaram ganhos expressivos em todos os vencimentos acompanhados. O novembro/26 encerrou a sessão cotado a R$ 66,99 por saca, com valorização de 2,23%, enquanto o janeiro/27 avançou 2,50%, para R$ 71,83.

O março/27 registrou a maior alta entre os vencimentos apresentados, de 2,65%, terminando negociado a R$ 77,34 por saca. O maio/27 subiu 2,62%, para R$ 76,65, enquanto julho, setembro e novembro de 2027 apresentaram ganhos de 2,35%, 1,89% e 1,95%, respectivamente.

A valorização ocorreu em meio à forte reação do mercado financeiro brasileiro ao resultado das eleições presidenciais de domingo (25), que confirmaram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar disparou frente ao real durante a manhã, chegando à região de R$ 5,60, em um cenário de maior volatilidade nos mercados de câmbio, ações e juros futuros.

A Agrinvest destacou, em análise divulgada nesta segunda-feira, que a desvalorização do real amplia a competitividade cambial dos produtos agrícolas brasileiros e eleva as referências de paridade de exportação em reais. Esse movimento ajuda a explicar a sustentação dos contratos de milho na B3, mesmo com as cotações internacionais em queda.

Em entrevista ao Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, Eduardo Vanin, analista da Agroinvest, também havia antecipado a possibilidade de valorização do milho brasileiro diante da alta do dólar. Segundo ele, um câmbio mais favorável às exportações pode estimular a comercialização dos produtores, especialmente após as perdas recentes de preços.

O analista destacou que o Brasil recuperou competitividade diante de outras origens em mercados internacionais, mas precisa acelerar os embarques entre novembro e janeiro para evitar a passagem de volumes elevados para 2027. Para Vanin, a continuidade das vendas dependerá da intensidade e da duração do movimento cambial.

A valorização do dólar, entretanto, também pode pressionar os custos de produção e transporte. Vanin alertou para os riscos de aumento do diesel e dos fretes, especialmente durante a próxima colheita, fatores que poderão limitar parte dos benefícios da alta cambial para os produtores.

Mercado físico acompanha valorização em algumas regiões

No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas registrou altas em quatro praças nesta segunda-feira. As valorizações ocorreram em Ubiratã e Marechal Cândido Rondon, no Paraná, Eldorado, em Mato Grosso do Sul, e Cândido Mota, em São Paulo.

Na direção contrária, Sorriso, em Mato Grosso, apresentou desvalorização, enquanto as demais localidades com cotações disponíveis permaneceram estáveis.

O comportamento mostra que a valorização dos contratos futuros ainda não se refletiu de maneira uniforme no mercado físico brasileiro. Além do câmbio, as condições regionais de oferta e demanda, os custos logísticos e o interesse dos compradores continuam influenciando a formação dos preços.

Segundo a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, a disponibilidade de milho no mercado interno ainda mantém os compradores cautelosos, apesar da demanda das indústrias de ração e etanol. A consultoria avalia que uma melhora da paridade de exportação pode favorecer inicialmente os preços nos portos, enquanto a reação no interior tende a ocorrer de maneira mais gradual.

Oferta americana continua pressionando Chicago

Nos Estados Unidos, as perspectivas de oferta elevada continuam entre os principais fatores acompanhados pelo mercado. No relatório divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua projeção de produção de milho para aproximadamente 407 milhões de toneladas, com produtividade média estimada em 181,2 bushels por acre.

O órgão também ampliou a previsão de estoques finais da temporada 2026/27 para cerca de 47 milhões de toneladas. As estimativas reforçam a expectativa de disponibilidade elevada do cereal e continuam influenciando as cotações negociadas em Chicago.

No campo, a colheita norte-americana havia alcançado 44% da área até 18 de outubro, abaixo da média histórica de 52%. As condições meteorológicas e o avanço dos trabalhos nas principais regiões produtoras seguem no radar, assim como os indicadores de demanda externa.

A concorrência internacional também merece atenção. Novas projeções do adido agrícola americano em Buenos Aires apontam produção de 62 milhões de toneladas de milho na Argentina em 2026/27, acima dos 55 milhões estimados oficialmente pelo USDA. Caso confirmado, o volume poderá ampliar a disponibilidade de cereal argentino no mercado internacional e a disputa por compradores.

Com isso, o milho encerra a segunda-feira com forte valorização na B3, contrastando com as perdas moderadas de Chicago. Para os próximos pregões, o comportamento do dólar será um dos principais fatores de atenção no mercado brasileiro, enquanto a evolução das safras e da demanda internacional continuará influenciando as cotações.

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