Boa Tarde Agro - Mercados derretem na segunda-feira pós eleição

Soja, Milho, Trigo, Algodão, Açúcar e Café terminaram o pregão com desvalorizações em Chicago e NY
Publicado em 26/10/2026 16:23
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

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A segunda-feira foi marcada por intensa movimentação nos mercados financeiros e agrícolas. Os reflexos do resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil chegaram com força ao câmbio e às bolsas de valores, gerando impactos diretos nas cotações agropecuárias nacionais e internacionais. A valorização expressiva da moeda americana frente ao real ditou o ritmo de perdas para a maioria das commodities agrícolas nas bolsas externas, enquanto novos dados de exportações, safras globais e clima completaram o cenário econômico do dia.

Câmbio e bolsas internacionais: forte desvalorização das commodities

O grande destaque do dia foi o comportamento do dólar, que operou em forte alta e chegou a registrar valorização superior a 8% e picos próximos a 12%, sendo cotado a R$ 5,41 (alta de 8,33%) durante a tarde. O movimento foi impulsionado pela frustração das expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas, que consagrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial.

Com o dólar mais valorizado, a competitividade das exportações brasileiras aumentou, gerando pressão de baixa nas cotações em Chicago e Nova York. A soja encerrou com recuos de 14,5 a 15 pontos nos primeiros vencimentos, com o contrato de novembro negociado a US$ 12,42 por bushel. O milho teve baixas de 1 a 1,5 ponto em Chicago, embora a alta cambial tenha sustentado ganhos para os contratos negociados na B3. O trigo recuou até 9 pontos em Chicago.

Na Bolsa de Nova York, o algodão caiu até 1,5 ponto, enquanto o açúcar sofreu forte desvalorização de quase 6%, com o contrato de março a 19 centavos de dólar por libra-peso. O café arábica também teve expressiva retração, caindo mais de 3%. No setor energético, o petróleo Brent cedeu quase 0,5%, negociado a US$ 111 o barril após ter operado abaixo dos US$ 110.

Exportações e importações: o panorama da Secex e do USDA

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou dados consolidados sobre a balança comercial de outubro. As exportações brasileiras de milho estabilizaram o ritmo, mas permanecem 12% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025. Em contrapartida, as exportações de frutas avançaram 4% na comparação anual, com aumento expressivo nas receitas.

Outro destaque positivo foi o farelo de soja, cujos embarques cresceram 5,5% sobre 2025, com a receita média avançando mais de 31% diante de preços 25% superiores. Já as importações de fertilizantes, apesar de acelerarem na quarta semana do mês, estão 10% inferiores às do ano anterior. Esse recuo reflete a decisão do produtor nacional de aplicar menos insumos e aproveitar estoques residuais no solo, estratégia confirmada por relatos de produtores de grãos em Minas Gerais.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura (USDA) divulgou inspeções semanais de exportação que trouxeram certo alívio pontual à soja: foram 2,48 milhões de toneladas inspecionadas — avanço de 20% na semana e de 113% frente ao mesmo período do ano anterior —, tendo a China como destino de mais de 66% do volume. Em contraste, o milho norte-americano somou menos de 630 mil toneladas inspecionadas, queda semanal de 9,7% e cerca de 50% abaixo do nível de 2025.

Safra argentina ganha força e Europa sofre com o clima

Enquanto o ritmo de embarques de milho segue mais lento no Brasil e nos Estados Unidos, a Argentina desponta com forte concorrência no mercado global. O adido agrícola do USDA na Argentina elevou a projeção para a safra do país em 7 milhões de toneladas acima da estimativa oficial do órgão, apontando potencial de colheita de 62 milhões de toneladas para o ciclo 26/27 e exportações projetadas em 43 milhões de toneladas.

Na Europa, o monitoramento de safras da União Europeia (MARS) alertou para adversidades climáticas severas. O solo seco afeta regiões do oeste e sudoeste do bloco, prejudicando a emergência da canola e a implantação de cereais de inverno em países como França e Alemanha. Paralelamente, o excesso de chuvas atrasa os trabalhos nos países bálticos.

Ainda na região, as exportações marítimas de grãos da Rússia registraram queda de 62% em setembro em relação ao ano anterior, totalizando cerca de 2 milhões de toneladas, reflexo das interrupções logísticas nos portos do Mar Negro e do Mar de Azov decorrentes do conflito com a Ucrânia. O país tem recorrido a terminais do noroeste e bálticos, mas os volumes ainda não compensam as perdas do Mar Negro.

Mercado do leite: pressão sobre preços e margens apertadas

No mercado doméstico de lácteos, o cenário acende o alerta para os produtores. Segundo levantamento do Cepea/Esalq e do MilkPoint Mercado, o setor enfrenta sinais de enfraquecimento devido à recuperação da produção nacional, ao volume elevado de importações e ao consumo doméstico insuficiente.

Embora a média paga ao produtor referente ao leite captado em agosto tenha ficado em R$ 2,88 por litro (estável em relação a julho), as cotações do leite spot na segunda quinzena de outubro recuaram 5 centavos por litro frente à quinzena anterior, atingindo a média de R$ 2,58 por litro em todos os estados pesquisados. A combinação de preços pagos em queda com custos de alimentação em alta eleva a preocupação da cadeia produtiva leiteira.

* Com auxílio de IA

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