Flávio Bolsonaro diz ter sido intimado pela PF a entregar passaportes

Publicado em 26/10/2026 17:53 | Atualizado em 26/10/2026 18:26

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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 26 Out (Reuters) - Candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em vídeo público nesta segunda-feira que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seu passaporte no âmbito de uma investigação contra ele que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Vou entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar", afirmou o senador no vídeo postado em suas redes sociais e também distribuído por sua assessoria.

Segundo Flávio Bolsonaro, a ordem de apreensão do passaporte foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, e foi assinada logo após o resultado da eleição presidencial de domingo, em que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele afirmou que a ordem teria como fundamento comentário feito em 23 de outubro pelo irmão dele Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA, afirmando que Flávio deveria deixar o país em caso de derrota.

O senador disse que foi abordado pela PF na saída de uma visita feita mais cedo ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.

Procurada, a Polícia Federal e o Supremo não responderam de imediato a pedido de comentário.

Uma fonte da PF disse que o senador foi intimado na manhã desta segunda a entregar os passaportes comum e diplomático em 24 horas, e que a decisão do ministro Alexandre de Moraes também prevê a proibição de deixar o Brasil e também de se comunicar com o advogado Willer Tomaz.

Flávio Bolsonaro é investigado em três inquéritos no Supremo. O primeiro deles, sob relatoria de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro e supostas irregularidades em relação a "bets" e envolvem Tomaz, que também é amigo do parlamentar.

Outro inquérito, também relatado por Moraes, apura suposta calúnia de Flávio contra Lula em postagem na qual ele associou o presidente a crimes como tráfico de drogas, apoio a terroristas, fraude eleitoral e lavagem de dinheiro.

O senador ainda é investigado em um terceiro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, que diz respeito ao financiamento do filme sobre o pai de Flávio pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com suspeitas de desvio de recursos.

(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Pedro Fonseca)

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