Queda do arábica se aproxima de 4% em Nova York nesta terça-feira, enquanto robusta resiste em Londres

Contrato dezembro recua para 289,80 cents por libra-peso e amplia perdas da segunda-feira; robusta janeiro opera próximo da estabilidade, evidenciando comportamentos distintos entre as bolsas
Publicado em 27/10/2026 12:09

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Os preços futuros do café arábica ampliaram as perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) durante a manhã desta terça-feira (27), com o contrato dezembro registrando desvalorização próxima de 4%. Em Londres, o robusta apresenta um cenário diferente, com movimentos mistos e o vencimento janeiro praticamente estável, após a pressão observada nos últimos pregões.

Por volta das 11h55 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 289,80 cents por libra-peso, com queda de 3,71%. O março/27 recuava 2,82%, cotado a 277,15 cents, enquanto o maio/27 perdia 2,71%, para 273,05 cents por libra-peso. O julho/27 apresentava baixa de 2,67%, negociado a 270,10 cents.

O movimento representa um aprofundamento das perdas em relação à abertura. Às 9h05, o dezembro/26 era negociado a 294,55 cents, com queda de 2,13%. Desde então, o contrato perdeu outros 4,75 cents, voltando a operar abaixo dos 290 cents por libra-peso.

A pressão também amplia a desvalorização registrada na segunda-feira (26), quando o dezembro/26 encerrou o pregão a 300,95 cents, com queda de 2,11%. Em relação ao fechamento de sexta-feira (23), de 307,45 cents, o contrato já acumula recuo de aproximadamente 5,74%, considerando a cotação desta manhã.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta apresentava comportamento distinto. Na atualização da Barchart, o contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.202 por tonelada, com alta de US$ 1, equivalente a 0,03%. O novembro/26 avançava US$ 76, para US$ 3.270, enquanto o março/27 permanecia estável, cotado a US$ 3.188 por tonelada. O maio/27 registrava ganho de US$ 3, negociado a US$ 3.180 por tonelada.

O desempenho mostra que a pressão sobre o arábica não se reproduz com a mesma intensidade no robusta nesta terça-feira. Ainda assim, os preços em Londres permanecem próximos dos níveis observados após as desvalorizações da semana passada.

Oferta brasileira e condições climáticas seguem no radar

As perspectivas de abastecimento internacional continuam influenciando as avaliações sobre o mercado de café. A recuperação das exportações brasileiras, a expectativa de chegada de novos carregamentos aos países consumidores e as condições climáticas nas principais regiões produtoras permanecem entre os fatores acompanhados pelos operadores.

Segundo dados do Cecafé reunidos pela Terra Agro Insights, o Brasil havia exportado aproximadamente 3,30 milhões de sacas até 22 de outubro, crescimento de 43,2% em relação ao mesmo período de 2025. O aumento dos embarques reforça a perspectiva de maior disponibilidade nos mercados consumidores, embora não represente recomposição imediata dos estoques certificados nas bolsas.

Em Nova York, a disponibilidade de arábica certificado continua historicamente reduzida, o que mantém a atenção sobre as entregas dos contratos mais próximos. Apesar desse fator de sustentação, os futuros apresentam perdas expressivas nesta terça-feira, em um mercado que também considera a perspectiva de recuperação da oferta nos próximos ciclos.

No Brasil, as condições climáticas para o desenvolvimento da safra 2027/28 seguem em acompanhamento. As chuvas recentes favoreceram áreas produtoras, mas a regularidade das precipitações e as temperaturas ao longo dos próximos meses serão importantes para a definição do potencial produtivo.

No mercado doméstico, a Safras & Mercado apontou nesta terça-feira a possibilidade de preços mais baixos para o café brasileiro, diante da queda de Nova York e de um cenário de recuo do dólar após a forte valorização da segunda-feira. A consultoria observa que o câmbio continua sendo um elemento relevante para a formação das cotações em reais.

Assim, o arábica amplia a sequência negativa em Nova York e acumula perdas expressivas desde sexta-feira, enquanto o robusta demonstra maior resistência em Londres. A evolução do câmbio, dos estoques certificados e das perspectivas de oferta continuará entre os principais fatores de atenção para os próximos pregões.

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