Carne bovina vale 3,15 vezes o frango no atacado; relação volta a subir após recuo da ave

Levantamento da Terra Investimentos mostra carcaça bovina em recorde nominal e frango mais barato na comparação com 19 de outubro; restrições após casos de Newcastle mantêm setor avícola em alerta.
Publicado em 27/10/2026 15:09 | Atualizado em 27/10/2026 15:45

A diferença de preços entre a carne bovina e o frango voltou a aumentar no atacado paulista. Na segunda-feira (26), o valor de um quilo de carcaça bovina era suficiente para comprar 3,15 quilos de frango resfriado, ante 3,05 quilos em 19 de outubro, segundo levantamento da Terra Investimentos elaborado com dados do Cepea.

O aumento ocorre em um momento de atenção para a avicultura, após a confirmação de focos da doença de Newcastle em Santa Catarina e a adoção de restrições por países compradores. Até a avaliação divulgada em 23 de outubro, porém, o Cepea não identificava impacto da doença sobre os preços ou o volume negociado de carne de frango. 

Bovina sobe e frango recua na semana

De acordo com o levantamento da Terra, o quilo da carcaça casada bovina — referência do atacado da Grande São Paulo — chegou a R$ 26,15 em 26 de outubro, recorde nominal da série apresentada. Em 19 de outubro, o preço era de R$ 25,95, uma alta de 0,8%.

No mesmo intervalo, o frango resfriado passou de R$ 8,51 para R$ 8,29 por quilo, queda de 2,6%. Grande parte desse recuo ocorreu em 23 de outubro.

O resultado foi a elevação da relação de troca para 3,15 quilos de frango por quilo de carcaça bovina, o maior nível desde 8 de setembro, segundo a Terra. 

Isso pode reforçar a concorrência entre as proteínas pelo consumidor. Se uma diferença maior no atacado chegar aos preços do varejo, o frango poderá se tornar uma alternativa mais atraente para famílias que procuram gastar menos. O repasse, porém, depende de fatores como cortes, custos e margens de comercialização.

Diferença segue acima da média histórica

A relação atual está acima da média histórica de 2,68 quilos de frango por quilo de carcaça bovina, calculada pela Terra desde 2016. Também supera os 2,72 quilos registrados em 27 de outubro de 2025.

Na comparação de aproximadamente um ano, a carcaça bovina subiu 19%, enquanto o frango resfriado avançou 2,6%. Ou seja, a bovina valorizou mais no período, ampliando a distância entre as duas referências.

Indicador no atacado 19/10/2026 26/10/2026 27/10/2025
Carcaça bovina R$ 25,95/kg R$ 26,15/kg R$ 21,97/kg
Frango resfriado R$ 8,51/kg R$ 8,29/kg R$ 8,08/kg
Frango por kg de carcaça bovina 3,05 kg 3,15 kg 2,72 kg

Fonte: Cepea, em levantamento da Terra Investimentos.

Apesar da recente abertura da diferença, a relação diária de 3,15 quilos está abaixo da média de 3,28 quilos registrada em 2026 até 26 de outubro, apontada  como recorde para o período. A média parcial de outubro, considerando 17 pregões, era de 3,04 quilos.

Newcastle mantém atenção sobre a oferta de frango

A queda do frango entre 19 e 26 de outubro aparece no levantamento, mas não há base, nos dados apresentados, para atribuí-la diretamente à doença de Newcastle. Na avaliação divulgada pelo Cepea em 23 de outubro, o mercado estava relativamente equilibrado e ainda não apresentava impactos identificados da ocorrência sobre preços ou volumes. 

No domingo (25), o Ministério da Agricultura confirmou um segundo foco da doença em um estabelecimento avícola de Coronel Freitas, no Oeste de Santa Catarina, dentro da área de restrição estabelecida após a primeira ocorrência. O ministério informou que as medidas de vigilância, investigação e controle estavam em andamento. 

O levantamento da Terra registra que China, Chile e Arábia Saudita restringiram embarques de Santa Catarina, enquanto México e Malásia suspenderam importações de produtos avícolas de todo o Brasil. As medidas podem mudar conforme a evolução sanitária e as negociações com cada destino. 

A preocupação do setor é que restrições mais amplas ou prolongadas reduzam as exportações e direcionem mais carne de frango ao mercado interno. Se isso ocorrer sem aumento equivalente da demanda, os preços da ave poderão ser pressionados, intensificando a concorrência com a carne bovina.

O que observar para o boi gordo

Para o pecuarista, o movimento merece atenção porque a sustentação da arroba depende também da capacidade de venda da carne. Uma carcaça bovina relativamente mais cara pode dificultar o escoamento no mercado doméstico se o consumidor substituir parte das compras por frango.

Isso não determina uma queda automática no preço do boi gordo. A oferta de animais para abate, as escalas dos frigoríficos e a demanda externa por carne bovina também participam da formação da arroba.

O ponto central será acompanhar se a diferença entre as proteínas continua crescendo e se os preços do atacado chegam ao varejo. Na avicultura, a duração dos embargos e o destino dos volumes que deixarem de ser exportados serão decisivos para avaliar o impacto sobre a oferta interna.

* Com auxílio de IA

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