Milho tenta recuperar os US$ 4,50 em Chicago nesta quarta-feira, com B3 também em alta

Contrato dezembro avança 2,50 cents após perdas de 1,37% na terça-feira; colheita americana acelerada e projeções de oferta elevada continuam limitando reação dos preços
Publicado em 28/10/2026 09:50

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Os preços futuros do milho iniciaram a quarta-feira (28) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), tentando recuperar parte das perdas acumuladas nos últimos pregões. No Brasil, os contratos negociados na B3 também apresentavam valorização durante a manhã, depois de uma terça-feira de quedas, enquanto o mercado acompanha o câmbio e as perspectivas de oferta e demanda internacional.

Por volta das 9h38 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,5125 por bushel, com valorização de 2,50 cents, equivalente a aproximadamente 0,56%. O março/27 avançava 2 cents, para US$ 4,6475, enquanto o maio/27 subia 1,50 cent, cotado a US$ 4,7275. O julho/27 ganhava 1,25 cent, negociado a US$ 4,7925 por bushel.

O movimento ocorre após uma terça-feira de pressão sobre as cotações internacionais. Na sessão anterior, o dezembro/26 havia encerrado a US$ 4,4875 por bushel, com queda de 1,37%, atingindo o menor fechamento desde julho, segundo análises da Farm Futures. A recuperação desta manhã ainda é limitada diante das perdas recentes, mas recoloca o contrato acima da referência de US$ 4,50.

Colheita americana e oferta elevada continuam no radar

Nos Estados Unidos, a entrada da safra segue como um dos principais fundamentos do mercado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do milho alcançou 60% da área cultivada até domingo (25), avanço de 16 pontos percentuais em uma semana.

Apesar do progresso, o ritmo permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, de 66%. A continuidade dos trabalhos de campo, favorecida pelo tempo predominantemente seco em parte do cinturão produtor, contribui para ampliar a disponibilidade do cereal no curto prazo.

O cenário ocorre em um momento de expectativas elevadas para a produção norte-americana. No relatório de outubro, o USDA projetou uma safra de aproximadamente 407 milhões de toneladas, com estoques finais de cerca de 47 milhões de toneladas para a temporada 2026/27. Esses números continuam limitando o espaço para uma recuperação mais consistente em Chicago.

A demanda externa também merece atenção. As inspeções de milho para exportação totalizaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, queda de quase 10% em relação à semana anterior. O resultado contrasta com o crescimento das vendas líquidas divulgado anteriormente, mostrando a diferença entre os compromissos comerciais e o ritmo efetivo dos embarques.

Além disso, o mercado acompanha a concorrência internacional. O adido agrícola americano em Buenos Aires projetou uma produção argentina de 62 milhões de toneladas em 2026/27, acima dos 55 milhões considerados oficialmente pelo USDA. A eventual confirmação desse volume poderá ampliar a disputa por compradores nos próximos meses.

B3 acompanha recuperação, mas câmbio permanece decisivo

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos de milho também começaram a quarta-feira em alta. Por volta das 9h49, o novembro/26 era negociado a R$ 67,08 por saca, com valorização de 1,10%, enquanto o janeiro/27 avançava 0,50%, para R$ 70,80. O março/27 apresentava ganho de 0,16%, cotado a R$ 75,90 por saca, e o maio/27 subia 0,23%, para R$ 75,42.

A recuperação ocorre após os contratos brasileiros encerrarem a terça-feira com perdas de até 2,02%, devolvendo parte da forte valorização registrada na segunda-feira, quando o dólar disparou diante do real após o resultado das eleições presidenciais.

O comportamento da moeda americana segue relevante para a formação dos preços brasileiros. Um dólar mais valorizado tende a melhorar as referências de paridade de exportação em reais, embora os resultados para o produtor também dependam dos prêmios, dos custos logísticos e da demanda doméstica.

Segundo a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, a disponibilidade de milho no Brasil mantém os compradores cautelosos, especialmente no interior. A consultoria avalia que eventuais melhorias da competitividade exportadora podem aparecer primeiro nas referências portuárias e nos contratos futuros, antes de serem repassadas ao mercado físico.

Outro ponto de atenção é a estimativa da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) para as exportações brasileiras de milho em outubro, revisada para aproximadamente 6,1 milhões de toneladas, abaixo da projeção anterior de 6,87 milhões. O volume ainda representaria crescimento em relação a setembro, mas ficaria abaixo do registrado em outubro do ano passado.

Com isso, o milho começa a quarta-feira tentando interromper a sequência recente de perdas em Chicago, enquanto a B3 acompanha o movimento positivo. A continuidade da recuperação dependerá do comportamento do câmbio, da evolução da colheita americana e dos sinais de demanda internacional.

Relembre como fechou o mercado na última terça-feira (27):

+ Milho recua até 2,02% na B3 e perde mais de 1% em Chicago nesta terça-feira

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