Ibovespa recua ainda sob ajuste pós-eleição; Hypera sobe
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 28 Out (Reuters) - A bolsa paulista mantinha o viés negativo nesta quarta-feira, ainda sob efeito dos ajustes pós-eleição, com investidores também de olho na temporada de balanços, que incluía os números de Santander Brasil e Hypera, e analisando potenciais desdobramentos da ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.
Às 11h30, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, perdia 2,63%, a 171.088,38 pontos. Na mínima até o momento, chegou a 170.975,03 pontos. O volume financeiro somava R$13,07 bilhões.
Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa não apresenta um sinal consistente de recuperação, mesmo após a forte correção na segunda-feira. "A máxima "caiu, comprou" não se aplica automaticamente ao momento atual, com o índice de volta a patamares observados em agosto. Antes de buscar novas oportunidades, será importante observar sinais gráficos que ajudem a definir a próxima direção do mercado", afirmaram no relatório Diário do Grafista.
De acordo com a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, a bolsa brasileira segue impactada pelas repercussões políticas e econômicas do período pós-eleitoral. "Os agentes financeiros monitoram de perto os sinais sobre a formação da equipe econômica do governo e as perspectivas para a condução das contas públicas a partir do próximo ano", afirmou.
No campo político, o senador Flávio Bolsonaro desembarcou nesta quarta-feira em um aeroporto de Miami de uma aeronave particular, mostraram imagens da Reuters TV, depois de o parlamentar descumprir decisão da Justiça que determinou que ele entregasse seus passaportes após a derrota na eleição presidencial no domingo.
Para analistas do Citi, o episódio tem três implicações principais, sendo uma delas a redução quase a zero das chances de contestação ou reversão do resultado eleitoral. Eles também citaram que ele enfraquece o protagonismo político da família Bolsonaro na direita, abrindo espaço para novas lideranças e diminui a probabilidade de novos movimentos de rua questionando o desfecho eleitoral.
No exterior, Nossig também destacou expectativa para a decisão de juros nos Estados Unidos nesta tarde como mais um componente que corroborava a cautela no pregão brasileiro. As apostas no mercado apontam manutenção dos juros pelo Federal Reserve na faixa de 3,75% a 4%. A decisão será conhecida às 15h (horário de Brasília).
DESTAQUES
• SANTANDER BRASIL UNIT caía 4,21% após reportar lucro líquido recorrente de R$ 2,89 bilhões para o terceiro trimestre, queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, com piora na rentabilidade e aumento nas provisões na comparação ano a ano. O presidente-executivo do banco, Gilson Finkelsztain, afirmou nesta quarta-feira que o Santander Brasil trabalhará para melhorar a sua rentabilidade após um resultado no terceiro trimestre abaixo do que busca, enquanto destacou um cenário macroeconômico ainda desafiador, principalmente pelo nível elevado de taxas de juros.
• BRADESCO PN recuava 5,21%, tendo ainda de pano de fundo relatório de analistas do Itaú BBA cortando a recomendação dos papéis para "market perform" e o preço-alvo para R$20 ante R$22. ITAÚ UNIBANCO PN perdia 3,62%, BANCO DO BRASIL ON cedia 2,47% e BTG PACTUAL UNIT caía 5,99%.
• PETROBRAS PN mostrava declínio de 0,42% antes da divulgação do relatório de produção e vendas do terceiro trimestre, que será conhecido após o fechamento do mercado. No exterior, o barril do Brent mostrava elevação de 1,27%, a US$115,33. Analistas do Citi elevaram o preço-alvo das PNs da estatal de R$47 para R$56, citando o cenário de alta dos preços do petróleo, mas reiteraram a recomendação neutra por incertezas envolvendo a alocação de capital da petrolífera.
• VALE ON caía 1,81%, mesmo em pregão com alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 1,05 %, para 672 yuans (US$ 100,81) por tonelada métrica. A mineradora brasileira divulga seu balanço do terceiro trimestre na quinta-feira, após o fechamento do mercado.
• KLABIN UNIT recuava 4,34%, com investidores também repercutindo o resultado do terceiro trimestre da fabricante de papel para embalagem e celulose, que mostrou lucro líquido de R$393 milhões no terceiro trimestre, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025. A empresa destacou que o desempenho foi afetado pelo aumento de custos ligados às medidas de mitigação do El Niño, pela valorização do real frente ao dólar e por maiores gastos com insumos e fretes. O custo caixa total somou R$3.483 por tonelada, alta de 12% ante os três meses encerrados em setembro de 2025. No segundo trimestre de 2026, o custo caixa total havia sido de R$3.204 por tonelada.
• HYPERA ON subia 2,52% no primeiro pregão após a divulgação de balanço, bem como o anúncio de programa de recompra de ações. No terceiro trimestre, a farmacêutica apurou lucro líquido de R$527 milhões, crescimento de 16,1%, acima de previsões de analistas compiladas pela LSEG. A dona de marcas como Neosaldina, Coristina e Semavy teve receita líquida de R$2,44 bilhões de julho ao final de setembro, alta de 9,4%.
• MOVIDA ON, que não faz parte do Ibovespa, desabava 13,2%, tendo também no radar o lucro líquido de R$152,1 milhões no terceiro trimestre, salto de 117% em relação ao mesmo período um ano antes e superando seu guidance. O Ebitda da empresa de aluguel de veículos, gestão de frotas e venda de seminovos totalizou R$1,79 bilhão, expansão de 21,4% na base anual. No setor, LOCALIZA ON perdia 4,03%.
(Por Paula Arend LaierEdição Michael Susin)
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