Com expectativa de maior oferta e câmbio no radar, café arábica cai mais de 2% em NY nesta quarta-feira

Vencimentos já acumulam desvalorização de 6,7% em três pregões; Londres também tem perda para o robusta
Publicado em 28/10/2026 15:38

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Os preços internacionais do café encerraram a quarta-feira (28) em queda nas bolsas de Nova York e Londres. O arábica registrou o terceiro pregão consecutivo de desvalorização, acumulando perda de 6,73% desde sexta-feira (23), enquanto o robusta voltou a recuar após a recuperação observada na sessão anterior. O mercado segue atento às perspectivas de oferta internacional, às condições climáticas nas principais regiões produtoras e ao comportamento do câmbio brasileiro.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica fechou cotado a 286,75 cents por libra-peso, com queda de 7 pontos, equivalente a 2,38%. O março/27 recuou 4,90 pontos, encerrando a 276,20 cents, enquanto o maio/27 perdeu 4,85 pontos e terminou a 272,25 cents por libra-peso.

A pressão sobre o arábica se manteve durante todo o pregão, embora as cotações tenham recuperado parte das perdas observadas no meio do dia. Por volta das 12h (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a 285,35 cents, com desvalorização de 2,86%. Até o fechamento, o contrato recuperou 1,40 cent, reduzindo a intensidade da baixa.

A sequência negativa começou na segunda-feira (26), quando o dezembro/26 perdeu 2,11%, encerrando a 300,95 cents por libra-peso. Na terça-feira (27), recuou outros 2,39%, para 293,75 cents. Com o resultado desta quarta-feira, o vencimento acumula perda de 20,70 cents em relação aos 307,45 cents registrados na sexta-feira passada.

Em Londres (ICE Futures Europe), o robusta também terminou no vermelho. O novembro/26 perdeu US$ 40 por tonelada, encerrando cotado a US$ 3.200, queda de 1,23%. O janeiro/27 recuou US$ 21, para US$ 3.199, enquanto o março/27 perdeu US$ 22, terminando a US$ 3.183 por tonelada. O maio/27 apresentou desvalorização de US$ 19, fechando a US$ 3.175.

O resultado interrompeu a recuperação registrada na terça-feira, quando o robusta janeiro havia avançado US$ 19 por tonelada. Apesar das oscilações recentes, as perdas acumuladas pelo robusta permanecem menos intensas do que as observadas no arábica em Nova York nesta semana.

Câmbio, clima e expectativas de oferta seguem influenciando o mercado

A trajetória do câmbio brasileiro continua sendo um dos fatores acompanhados pelos operadores internacionais. Após a forte desvalorização do real no primeiro pregão depois das eleições presidenciais, o mercado passou a avaliar os possíveis reflexos da moeda mais fraca sobre a competitividade das exportações brasileiras de café.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, Jack Scoville, analista da Price Futures Group, relacionou a pressão recente sobre Nova York ao movimento cambial brasileiro e às expectativas de condições favoráveis para o desenvolvimento da próxima safra. A consultoria também identificou tendência de baixa nos gráficos dos contratos futuros de café em Nova York e Londres.

As condições climáticas no Brasil seguem no centro das atenções. A chegada da estação chuvosa favorece as perspectivas para o desenvolvimento da próxima produção, embora ainda existam preocupações relacionadas à qualidade dos grãos diante de episódios de excesso de precipitação associados ao El Niño, além de riscos de irregularidade das chuvas nos próximos meses.

Em outras origens produtoras, o cenário também exige acompanhamento. Segundo a Price Futures Group, a Indonésia apresenta condições de umidade insuficientes em algumas áreas, enquanto o Vietnã registra sinais de redução das chuvas. Na América Central, a estiagem continua preocupando e mantém os diferenciais de comercialização elevados em determinadas origens.

Ao mesmo tempo, a recuperação das exportações brasileiras alimenta expectativas de maior disponibilidade de café nos mercados consumidores. O crescimento dos embarques pode contribuir para a recomposição da oferta internacional, mas não representa necessariamente aumento imediato dos estoques certificados nas bolsas.

Em Nova York, a disponibilidade de arábica certificado permanece em níveis historicamente reduzidos, fator que ainda oferece suporte potencial aos contratos mais próximos. Entretanto, as perspectivas de recuperação da produção brasileira e as movimentações cambiais vêm ganhando importância nas avaliações dos participantes do mercado.

Com isso, o café encerra a quarta-feira com novas perdas nas duas bolsas e uma desvalorização expressiva do arábica desde o início da semana. A evolução do câmbio, das condições climáticas e dos estoques certificados continuará entre os principais fatores acompanhados pelos operadores nos próximos pregões.

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