Açúcar sobe nas bolsas com queda na produção do Brasil

Moagem no Centro-Sul produziu 2 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de outubro, recuo de 2,5 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano passado
Publicado em 28/10/2026 16:02

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Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (28), sustentados por dados que apontam uma forte redução na produção brasileira na primeira quinzena de outubro. As chuvas persistentes no Centro-Sul, associadas ao El Niño, prejudicaram a colheita da cana-de-açúcar e reduziram o ritmo de moagem nas usinas.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março avançou 14 pontos, uma alta de 0,73%, encerrando o pregão a 19,34 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 650 pontos, para US$ 525,60 por tonelada.

Segundo dados divulgados na quarta-feira pela S&P Global Energy, as usinas do Centro-Sul brasileiro produziram apenas 2 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de outubro, volume 2,5 milhões de toneladas inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A redução reforça as preocupações com a oferta brasileira em meio às dificuldades para avançar com os trabalhos no campo.

Câmbio ainda pressiona o mercado

Apesar da recuperação registrada nas últimas sessões, as cotações seguem abaixo dos níveis da semana anterior. Na segunda-feira (26), o açúcar sofreu forte queda após o real brasileiro se desvalorizar cerca de 9%, em um movimento relacionado ao resultado das eleições presidenciais no fim de semana.

A moeda se recuperou parcialmente desde então, mas ainda acumulava perdas expressivas na semana. Um real mais fraco favorece a competitividade das exportações brasileiras, pois permite que os produtores e exportadores recebam mais em moeda nacional por suas vendas em dólares. Esse cenário pode estimular a oferta do Brasil no mercado internacional e limitar a recuperação dos preços.

Déficit global e clima dão sustentação

Outro fator de suporte vem das perspectivas para o balanço mundial de açúcar. A Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit global para a safra 2026/27 para 490 mil toneladas, ante 300 mil toneladas projetadas anteriormente. Para 2025/26, a consultoria reduziu a previsão de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, considerando a menor produção brasileira e o aumento das importações indianas.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também informou que a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 5,6% em agosto, na comparação anual, para 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas no período prejudicaram a colheita e a moagem.

O desenvolvimento de um possível Super El Niño mantém os investidores atentos aos riscos climáticos nas principais regiões produtoras, incluindo Brasil, Índia e Tailândia. No Centro-Sul brasileiro, a Datagro estima uma queda de 5% na produção de açúcar em 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas, considerando os impactos associados ao fenômeno.

Na Índia, embora a safra 2026/27 tenha começado dentro do calendário previsto, a produção até 25 de outubro somava 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior, segundo a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA). O país, porém, mantém estoques remanescentes de 3,6 milhões de toneladas, o que indica uma posição confortável de abastecimento.


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