Milho volta a subir em Chicago nesta quarta-feira, mas B3 fecha dividida e mercado físico registra novas quedas

Cotações recuam em Sorriso, Campinas e Porto de Santos, mas sobem em Goiás
Publicado em 28/10/2026 16:18

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Os preços futuros do milho encerraram a quarta-feira (28) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), interrompendo a sequência recente de perdas e recuperando o patamar de US$ 4,50 por bushel no contrato dezembro. No Brasil, entretanto, a B3 apresentou resultados mistos, enquanto o mercado físico registrou tanto altas quanto baixas, mostrando que a recuperação internacional não foi acompanhada de valorização uniforme nas referências domésticas.

Em Chicago, o dezembro/26 fechou cotado a US$ 4,5175 por bushel, com valorização de 3 cents, equivalente a 0,67%. O março/27 avançou 2,25 cents, encerrando a US$ 4,6500, enquanto o maio/27 ganhou 1,50 cent e terminou a US$ 4,7275. O julho/27 apresentou alta de 1 cent, fechando a US$ 4,7900 por bushel.

A recuperação perdeu parte da força ao longo da tarde. Por volta das 12h02 (horário de Brasília), o dezembro/26 avançava 5,50 cents, negociado a US$ 4,5425. O contrato devolveu parte dos ganhos antes do encerramento, mas conseguiu preservar o resultado positivo depois da queda de 1,37% registrada na terça-feira (27).

O movimento representa uma reação ainda limitada diante das perdas acumuladas. Na semana encerrada em 23 de outubro, o dezembro havia recuado 3,85%. Mesmo com a valorização desta quarta-feira, o contrato permanece 0,93% abaixo dos US$ 4,5600 registrados naquela sexta-feira.

Recuperação técnica ocorre em meio ao avanço da colheita americana

A valorização em Chicago ocorreu após uma sequência de pregões negativos, em um movimento associado por analistas a ajustes técnicos e à recomposição de posições. Entretanto, os fundamentos de oferta e demanda continuam exigindo atenção, especialmente diante da entrada da safra norte-americana no mercado.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do milho alcançou 60% da área cultivada até domingo (25), avanço de 16 pontos percentuais em uma semana. Apesar da aceleração, os trabalhos permanecem abaixo da média dos últimos cinco anos, de 66%.

No relatório de oferta e demanda divulgado em outubro, o USDA estimou a produção norte-americana em aproximadamente 407 milhões de toneladas, com estoques finais projetados em cerca de 47 milhões de toneladas para a temporada 2026/27. A perspectiva de ampla disponibilidade do cereal continua sendo um desafio para a sustentação dos preços.

Pelo lado da demanda, as inspeções de milho para exportação totalizaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, redução de 9,68% em relação ao levantamento anterior. O resultado mantém a atenção sobre o ritmo efetivo dos embarques, embora não represente, isoladamente, uma mudança definitiva nas perspectivas de consumo internacional.

A concorrência de outras origens também permanece no radar. O adido agrícola americano em Buenos Aires projeta produção de 62 milhões de toneladas de milho na Argentina em 2026/27, acima dos 55 milhões considerados oficialmente pelo USDA. A eventual confirmação desse volume poderá ampliar a disputa por compradores internacionais nos próximos meses.

B3 apresenta resultados mistos e físico registra movimentações regionais

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros do milho encerraram a quarta-feira em direções opostas. O novembro/26 avançou 0,68%, fechando a R$ 66,80 por saca, enquanto o janeiro/27 registrou ganho de 0,16%, para R$ 70,56.

Os vencimentos mais distantes apresentaram resultados predominantemente negativos. O março/27 recuou 0,77%, terminando a R$ 75,20 por saca, e o maio/27 perdeu 0,84%, para R$ 74,62. O julho/27 caiu 0,17%, fechando a R$ 74,52, enquanto setembro/27 avançou 0,08%, para R$ 75,36. Já novembro/27 encerrou a R$ 77,60, com baixa de 0,74%.

O comportamento ocorre após dois pregões de forte volatilidade na B3. Na segunda-feira (26), a disparada do dólar diante do real impulsionou altas superiores a 2% em diversos vencimentos. Na terça-feira (27), parte desses ganhos foi devolvida, em meio ao recuo da moeda americana e às perdas registradas em Chicago.

Nesta quarta-feira, a recuperação internacional ofereceu um contraponto às pressões recentes, mas não foi suficiente para sustentar todos os contratos brasileiros. O câmbio, os prêmios de exportação e as condições domésticas de oferta e demanda continuam influenciando a formação dos preços.

No mercado físico, o levantamento do Notícias Agrícolas registrou altas em Jataí e Rio Verde, em Goiás, enquanto as cotações recuaram em Sorriso, no Mato Grosso, Campinas e Porto de Santos, em São Paulo. As demais praças com variação diária informada permaneceram estáveis.

A diferença entre as movimentações regionais mostra que as oscilações dos futuros não se refletem necessariamente de maneira uniforme no mercado disponível. Além das bolsas e do câmbio, os preços locais dependem do abastecimento dos compradores, dos custos logísticos e das oportunidades de comercialização.

A Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, avalia que a disponibilidade de milho no Brasil mantém os compradores cautelosos, enquanto as indústrias de etanol e ração continuam representando importantes fontes de demanda. A consultoria também destaca que eventuais melhorias da competitividade exportadora podem aparecer de maneira desigual entre os portos e o interior.

Nesse cenário, o ritmo das exportações brasileiras permanece entre os principais fatores acompanhados pelo mercado. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou para aproximadamente 6,1 milhões de toneladas sua projeção de embarques de milho em outubro, abaixo da estimativa anterior de 6,87 milhões.

Com isso, o milho encerra a quarta-feira em recuperação moderada em Chicago, mas sem uma direção uniforme no mercado brasileiro. Para os próximos pregões, o comportamento do dólar, o avanço da colheita norte-americana e o desempenho das exportações continuarão importantes para avaliar a sustentação dos preços.

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