Chuva prejudica trabalhos e qualidade das hortaliças, mas permite avanço do plantio da soja em MS
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A modalidade de barter tem deixado de ser vista unicamente como uma opção de financiamento para a compra antecipada de insumos e passa a ocupar uma posição central na gestão comercial e de risco das propriedades rurais brasileiras. Em entrevista ao programa Bom Dia Agro, transmitido pelo Notícias Agrícolas, o gerente de operações de barter da Corteva Agriscience, Flávio Antunes, detalhou de que forma o mecanismo ajuda a proteger margens operacionais e custos produtivos sem a necessidade de comprometer toda a safra.
Relação de troca como pilar de previsibilidade
Durante a entrevista conduzida pelo jornalista Guilherme Dorigatti, Antunes explicou que o barter funciona como um instrumento de travamento de custos baseado no poder de compra do próprio produto agrícola. Em vez de focar exclusivamente nas cotações nominais do grão no mercado futuro, a análise deve se concentrar na relação de troca histórica e atual entre a commodity e o pacote tecnológico adquirido.
"A commodity é muitas vezes, já naturalmente, a moeda que o produtor e a produtora usam. Dentro do barter, colocar essa cultura é fundamental: pensar em relação de troca para o preço deixar de ser uma variável", afirmou o especialista. Ao fixar a quantidade de sacas ou arrobas necessárias para pagar defensivos e sementes com alta tecnologia, o produtor assegura um custo fixo sobre aquela parcela da área, direcionando todo o volume excedente da colheita para a rentabilidade líquida.
Uso de derivativos financeiros e proteção de preços
Diante das oscilações constantes verificadas nas bolsas internacionais, como Chicago e Nova York, a combinação do barter com ferramentas financeiras avançadas tornou-se um diferencial para dar segurança à tomada de decisão. A Corteva disponibiliza estruturas de derivativos que atuam diretamente na proteção contra quedas de preços ou na captura de eventuais altas futuras.
Segundo Antunes, mesmo após travar o barter, o agricultor pode manter a participação em valorizações posteriores do mercado por meio de instrumentos específicos negociados na mesa de operações da companhia. Da mesma forma, caso prefira definir o pacote de insumos sem fixar o preço da commodity de imediato, é possível estabelecer um piso protetor: "Se o preço continuar subindo, ele vai travar melhor; mas se o preço cair do momento em que ele definiu a relação de troca para frente, ele terá um seguro que protege contra essa queda de preços", destacou o executivo.
Avanço do mecanismo e atendimento regional
A consolidação da ferramenta reflete-se diretamente nos números da empresa. No último ano, as operações de barter da Corteva movimentaram cerca de US$ 1,1 bilhão, representando mais de 40% das vendas totais da companhia. Além da expansão do volume financeiro, destaca-se a fidelização dos agricultores à modalidade.
"Os clientes que estão fazendo operações de barter estão voltando no ano seguinte, porque estão desmistificando o conceito e vendo que é uma operação segura e rentável", apontou Antunes. Ele frisou ainda que a estratégia não é padronizada: ela varia conforme a região, o perfil do produtor, a estrutura de capital e a cultura trabalhada — abrangendo grãos como soja e milho, mas também culturas com dinâmicas regionais como algodão, arroz, amendoim, gergelim e feijão.
Giro do agronegócio: clima, mercado e sanidade
Além da discussão sobre gestão financeira, o Bom Dia Agro trouxe destaques sobre o impacto das recentes chuvas em diversas frentes da produção brasileira. No segmento de hortaliças, dados da Conab apontam forte alta de preços no atacado durante setembro provocada pelo excesso de umidade, atingindo o tomate (+48,9%), a batata (+32%), a cebola (+29%) e o alface (+15%). Paralelamente, o clima chuvoso favoreceu o avanço do plantio da safra de soja em Mato Grosso do Sul, que ultrapassou 52% da área prevista (cerca de 2,5 milhões de hectares), embora acenda o alerta para o manejo de plantas daninhas.
No âmbito sanitário e comercial, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualizou o quadro de restrições internacionais à carne de aves após a confirmação de três casos de Doença de Newcastle em Santa Catarina. Enquanto países como Uruguai, México e Malásia suspenderam importações de todo o Brasil, outros importantes parceiros comerciais — incluindo Arábia Saudita, União Europeia e Japão — limitaram as restrições apenas aos quatro municípios catarinenses com focos confirmados. Por fim, no campo tributário, a Famato destacou que o cálculo aprovado pelo TCU para a reforma tributária pode fixar a alíquota da CBS em 4,52% para produtores rurais, considerando a redução prevista em lei para produtos agropecuários.
* Com auxílio de IA
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