Arábica acumula queda de mais de 7% em quatro sessões e café fecha quinta-feira com preços mistos em Nova York

Dez/26 devolve recuperação registrada pela manhã, enquanto outros vencimentos sustentam pequenas altas; robusta encerra sessão em baixa em Londres
Publicado em 29/10/2026 15:35

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O mercado futuro do café encerrou a quinta-feira (29) com movimentos distintos nas bolsas internacionais. Em Nova York, o arábica devolveu parte da recuperação observada durante a manhã e terminou o pregão com preços mistos, enquanto o robusta registrou baixas em Londres. O principal destaque permanece com o contrato dezembro/26 do arábica, que completou quatro sessões consecutivas de perdas e já acumula desvalorização superior a 7% desde a última sexta-feira (23).

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o dezembro/26 encerrou o dia cotado a 285,45 cents por libra-peso, com queda de 1,30 cent, equivalente a 0,45%. Em contrapartida, o março/27 avançou 0,55 cent, para 276,75 cents por libra-peso, enquanto o maio/27 registrou valorização de 0,75 cent, fechando a 273,00 cents.

O comportamento dos contratos confirma a dificuldade do mercado em sustentar uma recuperação mais ampla. Durante a manhã, o dezembro/26 chegou a ser negociado a 287,35 cents por libra-peso, com alta de 0,21%, mas não conseguiu preservar os ganhos até o encerramento das negociações.

Desde o fechamento de sexta-feira, quando estava cotado a 307,45 cents por libra-peso, o dezembro/26 perdeu 22,00 cents, acumulando desvalorização de 7,16%. A intensidade desse recuo mantém o mercado atento à evolução das perspectivas de oferta global e às condições de desenvolvimento da próxima safra brasileira.

Robusta também perde força e fecha em baixa

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os contratos futuros do café robusta terminaram a quinta-feira com perdas, revertendo os ganhos registrados durante a manhã.

O contrato novembro/26 encerrou a sessão negociado a US$ 3.177 por tonelada, com queda de US$ 23. O janeiro/27 também recuou US$ 23, fechando a US$ 3.176 por tonelada, enquanto o março/27 perdeu US$ 16 e terminou cotado a US$ 3.167 por tonelada. O maio/27 apresentou baixa de US$ 13, para US$ 3.162 por tonelada.

A mudança de direção foi expressiva em relação ao comportamento observado no meio do dia. O janeiro/27 chegou a trabalhar a US$ 3.220 por tonelada, com valorização de US$ 21, mas encerrou o pregão abaixo do ajuste anterior.

O resultado reforça a volatilidade do mercado, que continua acompanhando a aproximação da colheita vietnamita e as perspectivas de disponibilidade do robusta no mercado internacional.

Perspectivas de oferta continuam influenciando o mercado

As expectativas de maior disponibilidade de café nos próximos ciclos continuam entre os principais elementos acompanhados pelos operadores. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o analista Jack Scoville, do Price Futures Group, avaliou que as tendências técnicas permanecem negativas tanto para o arábica em Nova York quanto para o robusta em Londres.

Na avaliação do analista, as condições climáticas brasileiras apresentam sinais favoráveis ao desenvolvimento da próxima safra, com a instalação do período chuvoso. Scoville também destaca diferenças nas condições produtivas de outras origens, incluindo preocupações com a distribuição das chuvas em regiões produtoras da Ásia e da América Central.

A melhora das perspectivas de produção, entretanto, ainda precisa ser confirmada ao longo do desenvolvimento das lavouras. As condições climáticas nos próximos meses serão determinantes para a formação do potencial produtivo brasileiro.

Outra referência importante é a avaliação apresentada pelo Rabobank em relatório de 19 de outubro. A instituição considera que a melhora das condições de produção e a recuperação dos fluxos de exportação podem favorecer uma recomposição futura dos estoques globais, embora ainda existam incertezas sobre o equilíbrio entre oferta e demanda.

Para os produtores brasileiros, o encerramento desta quinta-feira mantém um cenário de atenção à formação dos preços. A queda acumulada nos contratos mais próximos do arábica reduz as referências internacionais de comercialização, enquanto o comportamento do câmbio, os diferenciais de qualidade e a disponibilidade de café no mercado físico continuam influenciando os valores recebidos pelos cafeicultores.

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