Soja interrompe sequência de quedas em Chicago, mas novembro fecha semana com perda de 2,73%
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Os preços futuros da soja encerraram a sexta-feira (30) com movimentações mistas na Bolsa de Chicago (CBOT), no último pregão de outubro. O contrato novembro/26 conseguiu interromper uma sequência de quatro sessões consecutivas de perdas, mas a recuperação foi insuficiente para reverter a pressão acumulada durante a semana. O mercado continuou acompanhando a entrada da safra norte-americana, o desenvolvimento das lavouras brasileiras e o comportamento da demanda chinesa, enquanto analistas apontam uma revisão das expectativas que sustentaram os preços nos últimos meses.
O contrato novembro/26 encerrou a sessão cotado a US$ 12,2225 por bushel, com valorização de 0,20%, equivalente a 2,50 cents. O janeiro/27 recuou 0,04%, fechando a US$ 12,3425, enquanto o março/27 avançou 0,02%, para US$ 12,4375. O maio/27 apresentou alta de 0,06%, terminando negociado a US$ 12,5350 por bushel.
No balanço semanal, entretanto, todos os principais vencimentos registraram perdas. O novembro/26 passou de US$ 12,5650 no fechamento da sexta-feira anterior (23) para US$ 12,2225 nesta sexta-feira, acumulando desvalorização de 2,73%. O janeiro/27 recuou 2,70% no mesmo intervalo, enquanto o março/27 perdeu 2,53% e o maio/27 apresentou queda de 2,38%.
A recuperação discreta desta sexta-feira ocorreu depois de um período de pressão mais intensa. Na quinta-feira (29), o novembro chegou a ser negociado próximo dos US$ 12,16 por bushel, antes de reduzir as perdas. Nesta sexta, os contratos voltaram a apresentar tentativas de reação, mas terminaram sem uma direção uniforme.
Demanda segue firme, mas oferta mantém pressão
Os números de exportação dos Estados Unidos continuam mostrando uma demanda expressiva pela soja norte-americana. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas da temporada 2026/27 somaram 2.576.400 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, queda de 9% em relação à semana anterior, mas dentro das expectativas dos analistas.
A China respondeu por 1.627.000 toneladas, aproximadamente 63% do total comercializado. Os embarques efetivos alcançaram 2.384.100 toneladas, crescimento de 18% na comparação semanal e de 72% em relação à média das últimas quatro semanas.
Apesar desse desempenho, a demanda não foi suficiente para sustentar uma recuperação consistente em Chicago. A entrada da safra americana continua ampliando a disponibilidade de grãos, enquanto o mercado também acompanha as perspectivas de produção da América do Sul.
Até 25 de outubro, os produtores norte-americanos haviam concluído a colheita de 79% da área cultivada com soja, segundo o USDA, percentual superior à média de 77% dos últimos cinco anos.
No Brasil, as condições de desenvolvimento da safra 2026/27 permanecem entre os principais fatores de atenção. Embora o plantio avance em diferentes regiões, ainda existem preocupações relacionadas ao excesso de chuvas em partes do Sul e à irregularidade das precipitações em áreas do Centro-Norte.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas na quinta-feira (29), Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócio, avaliou que a pressão sazonal da colheita americana e as perspectivas de oferta brasileira contribuem para o enfraquecimento das cotações. Entretanto, o especialista destacou que a demanda interna e externa dos Estados Unidos permanece sólida e considera que o balanço americano ainda pode oferecer alguma sustentação aos preços.
Fundos reduzem posições e prêmios brasileiros entram no radar
Outro componente relevante para o comportamento recente de Chicago é o reposicionamento dos investidores no mercado futuro.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que parte das posições compradas construídas pelos fundos desde julho vem sendo desmontada à medida que o mercado revisa as expectativas de produtividade americana, demanda chinesa e riscos geopolíticos.
Segundo o analista, o cenário que anteriormente justificava maior valorização das commodities perdeu parte de sua força. A produtividade norte-americana apresentou perspectivas melhores do que aquelas consideradas durante o desenvolvimento das lavouras, enquanto as expectativas de compras chinesas adicionais também passaram por ajustes.
Chau destacou ainda que a manutenção das tarifas chinesas sobre a soja americana limita a possibilidade de ampliação da demanda comercial além dos compromissos já estabelecidos. Na avaliação do especialista, esse conjunto de fatores reduz os estímulos para que os fundos retomem posições compradas mais expressivas em Chicago.
Para o Brasil, a preocupação também envolve o comportamento dos prêmios de exportação. O analista relatou uma redução dos diferenciais para embarques da safra nova e considera que novas pressões poderão ocorrer caso novembro confirme condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.
Essa avaliação permanece condicionada à evolução do clima nas próximas semanas, especialmente diante das incertezas sobre a distribuição das chuvas nas principais regiões produtoras.
Câmbio movimentou comercialização brasileira durante a semana
A forte volatilidade do dólar frente ao real também marcou a formação dos preços da soja brasileira nos últimos dias, oferecendo oportunidades de comercialização mesmo diante das perdas acumuladas em Chicago.
Segundo Cristiano Palavro, da Pátria Agronegócio, a valorização da moeda norte-americana abriu oportunidades para negócios da safra 2027 com preços entre R$ 6,50 e R$ 7,50 por saca superiores às referências da semana anterior, considerando as operações acompanhadas pela consultoria.
O movimento estimulou novas vendas, especialmente entre produtores com lavouras mais adiantadas e necessidade de antecipar recursos para o próximo ano.
Entretanto, a valorização cambial também amplia a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, o que pode influenciar a disputa com os Estados Unidos pelos compradores e contribuir para a pressão sobre os preços americanos.
Para os produtores brasileiros, o encerramento de outubro deixa um cenário de atenção às oportunidades de comercialização. A demanda internacional permanece relevante, mas as expectativas de oferta, o comportamento dos fundos e a evolução dos prêmios indicam que a recuperação dos preços pode enfrentar dificuldades.
O desenvolvimento da safra brasileira ao longo de novembro, especialmente as condições climáticas nas principais regiões produtoras, será determinante para as próximas avaliações do mercado, enquanto dólar, Chicago e prêmios continuarão influenciando os valores recebidos pelos produtores
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