Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 30 Out (Reuters) - O Ibovespa caiu pelo quinto pregão seguido nesta sexta-feira e cravou a maior queda semanal desde 2020, pressionado no período por uma forte reprecificação das ações na bolsa paulista após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o dia com declínio de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando uma perda semanal de 18,12% - a maior desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, na pandemia da Covid. No pior momento da sessão, o índice cedeu a 167.007,57 pontos. Na máxima, marcou 169.184,60 pontos. Em outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, maior perda mensal desde junho de 2022.
O volume financeiro somou R$43,47 bilhões, com o fim de semana prolongado pelo feriado na segunda-feira.
"O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal... Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez", afirmou o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass.
O Ibovespa renovou máximas no começo de outubro, superando os 209 mil pontos, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno da eleição presidencial, o que alimentou apostas no mercado de uma mudança em Brasília. Mas o segundo turno teve um desfecho diferente, com Lula conquistando o quarto mandato.
"Sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando o juro longo para cima e dificulta cortes mais agressivos da Selic", afirmou Gass, chamando atenção também para a saída de capital externo das ações brasileiras no período.
De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela B3, houve uma saída líquida de estrangeiros do mercado secundário de quase R$7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana. No mês, porém, o saldo segue positivo, em quase R$8,6 bilhões. No ano, alcança quase R$36 bilhões. No primeiro pregão após o primeiro turno, a bolsa registrou um fluxo positivo de R$10 bilhões.
O cenário externo tampouco ajudou a atenuar a pressão vendedora no mercado brasileiro nesta sexta-feira, em meio a preocupações envolvendo os investimentos em inteligência artificial, após a divulgação dos balanços de nomes como Alphabet e Amazon.com nos últimos dias. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de 1,82%.
A partir de terça-feira, a B3 muda os horários de negociação dos mercados de bolsa e de balcão em razão do término do horário de verão nos Estados Unidos (1/11/2026), além de Alemanha e Inglaterra (25/10/2026), e o pregão terá sua duração ampliada em uma hora, com o call de fechamento passando a ter início às 17h55 e fim às 18h.
DESTAQUES
• BTG PACTUAL UNIT recuou 4,66%, em sessão negativa para a maioria dos bancos do Ibovespa, tendo também no radar relatório de analistas do Itaú BBA rebaixando as units para "market perform" e reduzindo o preço-alvo de R$70 para R$60. SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 2,84 %, ITAÚ UNIBANCO PN - que divulga balanço na próxima semana - perdeu 2,15% e BRADESCO PN caiu 2,12%, enquanto BANCO DO BRASIL ON fechou com variação positiva de 0,06%.
• VALE ON avançou 3,28%, atuando como um contrapeso positivo relevante, mesmo após queda de 53% no lucro líquido do terceiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, para US$1,255 bilhão, em desempenho pressionado pelo recuo de preços de minério e alta de custos. Executivos da mineradora afirmaram que Vale não deve pagar dividendo extraordinário neste ano diante das incertezas do cenário geopolítico global . Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado em Dalian fechou o dia com queda de 1,18%. CSN MINERAÇÃO ON saltou 8%.
• PETROBRAS PN subiu 0,98%, também ajudando a atenuar a pressão negativa no Ibovespa, endossada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional, além de anúncio na véspera de que identificou um terceiro intervalo portador de petróleo na mesma perfuração, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultra profundas da costa do Amapá, elevando expectativas para a abertura de uma nova fronteira exploratória na região.
• USIMINAS PNA tombou 8,59%, após a produtora de aços planos divulgar um lucro líquido abaixo do esperado no terceiro trimestre, de R$243 milhões, e prever recuo nas vendas do fim de 2026. Na mínima até o momento, os papéis chegaram a R$5,04 (-7,86%), menor cotação intradia em um ano. Na teleconferência com analistas, o presidente-executivo da companhia, Marcelo Chara, disse que a Usiminas está aproveitando as medidas antidumping do governo brasileiro sobre o aço chinês para recuperar margens e participação no mercado. Ele destacou, porém, que as medidas demoram cerca de 18 meses para ter efeito e disse que a empresa está em contato com o governo para ações adicionais de defesa comercial.
• CSN ON caiu 8,49%, revertendo os ganhos dos primeiros negócios, de mais de 2% na máxima, em sessão marcada pelo anúncio de que assinou um acordo de exclusividade de 10 dias para a venda da sua subsidiária de cimentos à chinesa Huaxin, em movimento que faz parte de um amplo plano de venda de ativos para reduzir seu endividamento. O acordo contempla um "enterprise value" (EV) de R$12,7 bilhões. No setor, GERDAU PN encerrou com declínio de 1,3%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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