Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 30 Out (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira com alta superior a 1% e próximo dos R$5,45, novamente empurrado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos receios com o futuro da política fiscal no Brasil.
A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 1,09%, a R$5,4460, maior cotação de fechamento registrada em 2026.
O saldo da semana pós-segundo turno foi de valorização de 9,15% do dólar ante o real. Em outubro, o dólar à vista acumulou ganho de 5,27%.
Às 17h12, o dólar futuro para dezembro -- que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,06% na B3, aos R$5,4730.
A primeira metade da sessão desta sexta-feira foi marcada pela disputa em torno da formação da Ptax de fim de mês.
Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$5,4206 na compra e R$5,4212 na venda.
Além do fator técnico que influenciou as cotações, o mercado seguiu sensível aos desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, que surpreendeu o mercado e provocou a escalada do dólar ao longo da semana.
Ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo.
“Até o fim do período eleitoral, parcela expressiva do mercado financeiro operava posicionada para um cenário de vitória do candidato Flávio Bolsonaro, o que exigiu um ajuste imediato e intenso das carteiras após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva”, comentou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
“Com a consolidação desse novo cenário, as atenções se voltaram para as incertezas sobre o futuro da política fiscal e a trajetória das contas públicas, gerando forte cautela quanto à composição da nova equipe econômica”, acrescentou.
Durante a tarde desta sexta-feira, investidores também elevaram a demanda por dólares em busca de proteção no fim de semana prolongado no Brasil, com feriado de Finados na segunda-feira.
Às 15h52, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,4625 (+1,39%), para depois encerrar pouco abaixo dos R$5,45.
O movimento no Brasil, marcado por fatores técnicos e pelos desdobramentos da eleição, colocou em segundo plano o exterior, onde o dólar também sustentou altas ante alguns pares do real, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.
Às 17h31, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,01%, a 101,890.
(Edição de Isabel Versiani)
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