Açúcar amplia perdas em Nova York no início de novembro, apesar de preocupações com a oferta global
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Os preços futuros do açúcar iniciaram novembro em queda na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), prolongando a pressão observada ao longo da última semana de outubro. Nesta segunda-feira (2), os principais vencimentos do açúcar bruto operavam no campo negativo, em um mercado que continua avaliando os efeitos da desvalorização do real brasileiro, o posicionamento dos fundos de investimento e os sinais de redução da oferta em importantes regiões produtoras.
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o contrato março/27 era negociado a 19,20 cents por libra-peso, com desvalorização de 0,83% em relação ao fechamento anterior. O maio/27 recuava 0,80%, cotado a 18,70 cents, enquanto o julho/27 apresentava baixa de 0,70%, para 18,34 cents. O outubro/27 perdia 0,54%, negociado a 18,27 cents por libra-peso.
O movimento ocorre depois de uma sexta-feira (30) marcada por novas perdas. Na ocasião, o março/27 encerrou o pregão a 19,36 cents por libra-peso, com recuo de 0,56%, acumulando desvalorização próxima de 4% ao longo da semana.
Câmbio e fundos continuam pressionando as cotações
A forte desvalorização do real frente ao dólar durante a última semana permanece entre os principais elementos considerados pelo mercado internacional de açúcar. Como o Brasil é um dos principais fornecedores globais da commodity, as oscilações cambiais influenciam diretamente a competitividade das exportações brasileiras e as decisões de comercialização das usinas.
Com o dólar mais valorizado, os exportadores brasileiros podem obter maior receita em moeda nacional para um mesmo preço internacional, criando condições para a ampliação das vendas externas. Entretanto, a intensidade desse efeito depende também dos custos, dos preços domésticos e das estratégias comerciais de cada empresa.
Além do câmbio, o posicionamento dos investidores contribuiu para as oscilações recentes. Em relatório semanal divulgado nesta segunda-feira, a consultoria Green Pool destacou que a pressão sobre os contratos futuros esteve associada, em parte, à venda de posições por fundos de investimento, em meio à reavaliação das perspectivas de preços.
A análise indica que as vendas especulativas tiveram participação relevante na desvalorização recente, sem que os dados de posicionamento apontem para um movimento equivalente de ampliação das vendas dos produtores brasileiros.
Queda na moagem brasileira e riscos climáticos oferecem contraponto
Apesar da pressão sobre as cotações, as condições de oferta continuam trazendo preocupações ao mercado.
No Centro-Sul do Brasil, as chuvas persistentes prejudicaram o andamento da colheita de cana-de-açúcar e das operações industriais durante outubro. Dados divulgados na última semana apontaram redução tanto no volume de matéria-prima processada quanto na produção de açúcar durante a primeira quinzena do mês, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A dificuldade para avançar com os trabalhos de campo pode limitar a disponibilidade do produto no curto prazo, especialmente caso as condições climáticas continuem desfavoráveis nas regiões produtoras.
As perspectivas internacionais também apresentam incertezas. Segundo levantamento divulgado pelo Notícias Agrícolas na sexta-feira, a Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar na temporada 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas. Para 2025/26, a consultoria reduziu sua projeção de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas.
Na Índia, outro importante participante do mercado internacional, o desenvolvimento da safra e as decisões relacionadas à disponibilidade de cana para a produção de açúcar e etanol continuam sendo acompanhados pelos operadores.
O comportamento climático nas principais regiões produtoras também permanece no radar, diante dos possíveis impactos do El Niño sobre a produtividade e a distribuição das chuvas nos próximos meses.
Para os produtores de cana-de-açúcar e as usinas brasileiras, o início de novembro mantém um cenário de forças distintas. Enquanto a valorização cambial pode favorecer a competitividade das exportações, a queda dos futuros internacionais reduz as referências de preço do açúcar. Ao mesmo tempo, as dificuldades de produção e os riscos climáticos podem limitar a disponibilidade do produto e influenciar as expectativas de mercado.
A continuidade das negociações nesta segunda-feira deverá mostrar se a pressão de venda observada no fim de outubro permanece predominante ou se as preocupações com a oferta conseguem oferecer maior sustentação às cotações.
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