Dois ciclones extratropicais devem provocar temporais e mudar o tempo em várias regiões do Brasil

Primeiro sistema se forma nesta quarta-feira (4), com risco de chuva intensa, granizo e ventos fortes no Sul. Um segundo ciclone, previsto para sábado (7), deve ser mais intenso e ampliar a área de instabilidade pelo país.
Publicado em 03/11/2026 10:58

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A primeira quinzena de novembro começa com mudanças importantes no tempo em grande parte do Brasil. A formação de dois ciclones extratropicais ao longo desta semana deve favorecer a ocorrência de temporais, chuva volumosa e rajadas de vento, principalmente na Região Sul, mas também com reflexos em áreas do Sudeste e Centro-Oeste.

Segundo o meteorologista da Meteored, Denis William Garcia, o primeiro sistema começa a se organizar nesta quarta-feira (4), a partir de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai, associada à atuação de um cavado e à convergência de ar quente e úmido. A combinação favorece a formação de nuvens carregadas e aumenta o risco de temporais no norte do Rio Grande do Sul e no sul de Santa Catarina.

"Teremos ali a atuação de um cavado, que é um alongamento dessa área de baixa pressão, e vamos ter a convergência de ar quente e ar úmido para essa parte do país", explica o meteorologista.

A previsão indica volumes de chuva superiores a 90 milímetros em algumas localidades apenas nesta quarta-feira. No norte e noroeste do Rio Grande do Sul, os acumulados podem ultrapassar 50 milímetros em grande parte da região. Há ainda possibilidade de temporais severos, com queda de granizo e potencial para provocar transtornos.

A expectativa é que, ao final da tarde de quarta-feira, o sistema de baixa pressão esteja consolidado, dando origem ao ciclone extratropical na costa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

De acordo com Garcia, esse primeiro ciclone terá menor intensidade e avançará rapidamente em direção ao oceano, sem conseguir organizar um corredor de umidade tão abrangente. Com isso, as chuvas perdem força na quinta-feira (5), embora ainda possam atingir o Paraná, o sul de São Paulo e áreas do Mato Grosso do Sul.

No sudoeste do Paraná, os volumes podem ficar entre 60 e 70 milímetros. Nas demais áreas do país, as pancadas devem ocorrer de maneira mais isolada, com acumulados inferiores a 40 milímetros.

Segundo ciclone deve ser mais intenso 

A atenção, porém, não termina com a passagem do primeiro sistema. Um segundo ciclone extratropical deve se formar na madrugada de sábado (7), acompanhado de uma nova frente fria. Segundo o meteorologista, esse sistema terá maior intensidade e capacidade de organizar um corredor de umidade mais abrangente.

"Este de sábado será um pouco mais intenso, ele vai abranger mais o país, vai ter uma força maior, capaz de organizar melhor o corredor de umidade", destaca Garcia.

A previsão aponta retorno das chuvas ao Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de instabilidades no Mato Grosso do Sul, oeste do Mato Grosso e em Rondônia. Na Região Sul, os volumes podem novamente alcançar 60 milímetros, enquanto nas demais áreas citadas devem ficar abaixo de 30 milímetros.

No domingo (8), a frente fria avança pelo país, enquanto o ciclone se desloca em direção ao interior do Oceano Atlântico. Mesmo com a perda gradual de força, o sistema deve manter a umidade organizada e favorecer novas pancadas de chuva em áreas de São Paulo, Rio de Janeiro,

Espírito Santo e Minas Gerais.

As instabilidades também podem alcançar o oeste da Bahia, Tocantins, sul do Pará e leste de Mato Grosso, com volumes que podem chegar a 50 e 60 milímetros em pontos isolados.

Para o período entre os dias 4 e 10 de novembro, os acumulados mais expressivos devem se concentrar na Região Sul, onde podem superar 150 milímetros. Também são esperados volumes entre 50 e 120 milímetros em uma faixa que abrange o leste do Espírito Santo, norte de Minas Gerais, norte de Goiás, sudoeste da Bahia e extremo leste de Mato Grosso.

Já entre os dias 9 e 18 de novembro, a tendência é de maior concentração das chuvas no interior de Mato Grosso, Tocantins e sul do Pará, além do retorno das precipitações ao Maranhão, Piauí e Bahia.

Centro-Oeste e Sudeste

Enquanto o Sul se prepara para uma sequência de temporais, as chuvas registradas nos últimos dias também começam a mudar o cenário em áreas produtoras do Centro-Oeste e Sudeste.
Garcia destaca que outubro terminou com volumes mais elevados em partes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, especialmente no Triângulo Mineiro. Em diversas localidades, os acumulados dos últimos 30 dias superaram 100 milímetros, com registros acima de 250 milímetros em pontos dessas regiões.

No Triângulo Mineiro, Ituiutaba acumulou 157 milímetros, Campina Verde se aproximou dos 200 milímetros e Sacramento registrou 320 milímetros em uma estação meteorológica do Inmet.

Segundo o meteorologista, a retomada das chuvas contribuiu para recuperar parte da umidade do solo e favorecer o avanço do plantio da soja e de outras culturas.

"Essas chuvas um pouco mais volumosas, mas também com períodos de tempo mais firme e pancadas ocorrendo de maneira mais regular, proporcionaram o avanço desses plantios", afirma.

No entanto, a distribuição ainda é irregular, com volumes elevados em algumas localidades e áreas que seguem recebendo pouca chuva.

Calor continua 

Além das mudanças provocadas pelos ciclones, o calor continua presente em boa parte do território nacional nos próximos dias.
Nesta terça-feira (3), as temperaturas podem chegar a 38°C em Corumbá (MS), Salgueiro (PE), Picos (PI) e Floriano (PI). No oeste paulista, as máximas podem alcançar 33°C, enquanto o Triângulo Mineiro deve registrar até 34°C. Em São Paulo (SP), a previsão é de 29°C.

A situação começa a mudar na Região Sul com a aproximação do primeiro sistema. Na quarta-feira, as temperaturas máximas já podem ficar abaixo de 20°C em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná.

Por outro lado, antes da chegada da frente fria, o calor pode ganhar força em áreas do Sudeste e Centro-Oeste. No interior de São Paulo, as máximas podem chegar a 35°C, enquanto pontos do Triângulo Mineiro podem registrar 36°C. No norte de Mato Grosso do Sul, os termômetros podem alcançar 39°C.

Na quinta-feira, a entrada de ar mais frio deve provocar queda nas temperaturas em parte do Sudeste. Em Araçatuba (SP), por exemplo, a máxima prevista passa de 35°C na quarta-feira para 29°C na quinta, uma redução de seis graus em apenas 24 horas.

No Nordeste, a tendência é de manutenção do tempo quente e seco pelo menos até sexta-feira, já que a primeira frente fria não deve avançar sobre a região.

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