Café despenca mais de 3% em Nova York nesta terça-feira e devolve recuperação dos últimos pregões
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Os preços futuros do café inverteram o movimento observado na abertura e passaram a registrar fortes perdas nas bolsas internacionais ao longo desta terça-feira (3). Em Nova York, o arábica chegou a recuar mais de 3% no contrato dezembro/26, devolvendo a recuperação apresentada nos últimos dois pregões. Em Londres, o robusta também perdeu força e passou a operar no campo negativo, embora com baixas menos intensas.
Por volta das 13h28 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 282,95 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com queda de 9,15 cents, equivalente a 3,13%. O março/27 recuava 6,95 cents, para 273,60 cents, enquanto o maio/27 registrava perda de 6,60 cents, cotado a 269,90 cents. O julho/27 era negociado a 267,25 cents por libra-peso, com desvalorização de 6,25 cents.
A mudança de direção foi expressiva em relação à abertura. Durante a manhã, o dezembro/26 chegou a alcançar 297,35 cents por libra-peso, aproximando-se novamente da marca dos 300 cents. Entretanto, perdeu sustentação ao longo da sessão e recuou até 282,80 cents, antes de apresentar uma pequena recuperação.
O movimento interrompe, até o momento, a reação observada na sexta-feira (30) e na segunda-feira (2), quando o contrato dezembro/26 acumulou dois fechamentos consecutivos de valorização. Apenas no primeiro pregão de novembro, o arábica havia avançado 1,71%, encerrando a 292,10 cents por libra-peso.
Apesar daquela recuperação, o mercado ainda carregava perdas expressivas da última semana de outubro, período em que o dezembro/26 acumulou desvalorização de 6,59%.
Robusta também vira para o negativo em Londres
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os futuros do café robusta acompanharam a mudança de direção do arábica, passando a registrar perdas nos principais vencimentos.
O contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.210 por tonelada, com recuo de US$ 31, equivalente a 0,96%. O março/27 perdia US$ 35, cotado a US$ 3.192, enquanto o maio/27 apresentava queda de US$ 37, para US$ 3.185 por tonelada.
Assim como em Nova York, os contratos londrinos começaram a sessão com pequenas valorizações, mas perderam força ao longo da manhã. O janeiro/27 chegou a alcançar US$ 3.265 por tonelada, antes de recuar até US$ 3.192 durante o pregão.
A mudança ocorre depois de uma segunda-feira de recuperação, quando o janeiro/27 encerrou a sessão com ganho de 1,15%, a US$ 3.241 por tonelada.
Câmbio, estoques e oferta futura seguem influenciando expectativas
A forte volatilidade observada nesta terça-feira ocorre em um mercado que continua dividido entre a disponibilidade restrita de café certificado no curto prazo e as expectativas de recomposição da oferta nos próximos meses.
Em Nova York, os estoques certificados de arábica permanecem historicamente reduzidos, condição que ofereceu sustentação às cotações durante os últimos pregões. Entretanto, o mercado também acompanha os volumes de café brasileiro encaminhados aos armazéns credenciados da ICE para classificação.
A possível incorporação desses lotes aos estoques certificados, desde que aprovados nos procedimentos exigidos pela bolsa, poderá ampliar a disponibilidade para entrega nos contratos futuros.
Outro elemento relevante é o comportamento do real frente ao dólar. A forte desvalorização da moeda brasileira no fim de outubro aumentou a competitividade das exportações e estimulou preocupações sobre uma possível ampliação das vendas de café pelos produtores e exportadores nacionais.
A perspectiva de maior oferta também continua no radar. As condições climáticas nas regiões produtoras brasileiras e o desenvolvimento da safra vietnamita permanecem entre os principais fatores observados pelos operadores.
No Vietnã, o avanço da nova colheita de robusta tende a ampliar gradualmente a disponibilidade do produto. Já no Brasil, a evolução das chuvas nas regiões cafeeiras será importante para confirmar o potencial produtivo da próxima temporada.
Apesar desses fundamentos, a intensidade da reversão registrada nesta terça-feira ainda exige cautela na identificação de suas causas específicas. O comportamento dos preços mostra uma forte devolução dos ganhos recentes, mas não permite atribuir o movimento exclusivamente ao câmbio, aos estoques ou às expectativas de produção.
Para os cafeicultores brasileiros, as perdas desta terça-feira representam uma nova redução das referências internacionais de comercialização, depois da recuperação observada nos dois pregões anteriores.
A manutenção desse movimento até o fechamento poderá aprofundar a pressão recente sobre o mercado, enquanto o comportamento do dólar e dos diferenciais comerciais continuará influenciando a formação dos preços domésticos.
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